Mulheres podem chegar aos 80 sem aperto financeiro
As brasileiras vivem, em média, até os 79,9 anos, segundo dados mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Esse aumento da longevidade traz um novo desafio para o planejamento financeiro: garantir renda suficiente para se sustentar décadas após a aposentadoria.
“Muitas mulheres podem viver tranquilamente mais 25 ou 30 anos após a aposentadoria. Isso significa que essa fase da vida pode durar praticamente o mesmo tempo que uma carreira profissional”, diz Simone Cesena, diretora do Instituto de Longevidade MAG.
Para Talita Raupp, superintendente de Produtos de Previdência da Icatu Seguros, esse cenário exige olhar para as finanças com a mesma atenção dedicada à saúde física.
“Viver mais significa atravessar mais etapas da vida, como educação, carreira, aposentadoria e, muitas vezes, um período mais longo de cuidados com a saúde. Nesse contexto, proteção e planejamento financeiro se tornam centrais”, aponta a superintendente.
Segundo as especialistas, preparar-se para viver até os 80 ou mais envolve pensar não apenas em aposentadoria, mas também em proteção contra imprevistos, custos com saúde e períodos de menor renda ao longo da vida.
Começar cedo é uma das principais recomendações para quem deseja construir segurança financeira para a velhice. O motivo é simples: quanto maior o tempo de investimento, maior o efeito dos juros compostos sobre o patrimônio acumulado.
Para Cesena, quem começa aos 30, por exemplo, pode acumular recursos ao longo de décadas com aportes menores. Já por volta dos 40, muitas mulheres atingem maior estabilidade profissional e aumento da capacidade de renda, o que abre espaço para elevar os aportes e acelerar a formação de patrimônio, além de organizar melhor estratégias de longo prazo, como previdência, seguros e investimentos mais estruturados.
Aos 50 anos, o foco costuma ser consolidar essa reserva e preparar a transição para a aposentadoria, garantindo renda e proteção para os anos seguintes.
Quem deixa o planejamento para mais tarde tende a precisar de contribuições maiores para atingir o mesmo objetivo. “O planejamento financeiro não é apenas sobre dinheiro e sim sobre criar as condições para viver uma vida mais longa com mais liberdade de escolhas e mais tranquilidade”, diz Cesena, do Instituto de Longevidade MAG.
Para Raupp, esse planejamento precisa ser revisado periodicamente “para que possa acompanhar mudanças de renda, de prioridades e das diferentes fases da vida”.
Outro ponto central no planejamento financeiro que considera uma maior longevidade é não depender exclusivamente da previdência pública.
Atualmente, o teto do benefício pago pelo INSS gira em torno de R$ 8,5 mil, valor que pode não ser suficiente para manter o padrão de vida de parte da população.
“Um dos erros mais comuns é acreditar que a previdência pública será suficiente para sustentar toda a fase da aposentadoria”, ressalta Cesena. Segundo ela, subestimar quanto tempo essa etapa pode durar também compromete o planejamento.
Fonte: Infomoney
