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Além da representatividade: o que significa pertencer

Por: María José Alvarez Gallardo

Mudar de país me ensinou muito sobre pertencimento.

Quando saí do Chile e vim morar no Brasil, precisei aprender muita coisa de novo. Um novo país, uma nova cultura, uma nova forma de falar e de me relacionar. Por mais que eu quisesse me adaptar, existia a sensação de ser diferente, de chegar a um lugar onde as pessoas já conheciam as regras do jogo.

Com o tempo, fui entendendo que pertencer não significa necessariamente ser igual. Significa poder estar em um lugar sem precisar deixar partes de quem você é do lado de fora.

Essa percepção tem muito a ver com minha experiência como mulher e como mulher lésbica.

Durante muito tempo, aprendemos que para sermos aceitas precisamos nos adaptar. Às vezes, mudar a maneira de falar. Às vezes, esconder uma parte da nossa vida. E muitas vezes fazemos isso automaticamente, sem perceber.

Foi justamente por isso que falar sobre diversidade passou a fazer sentido para mim de uma forma muito mais pessoal.

Hoje, quando penso em diversidade, não penso apenas em números ou representatividade. Penso em histórias. Em pessoas que chegam ao trabalho trazendo experiências e que conseguem enxergar problemas, oportunidades e soluções sob perspectivas diferentes.

Ser mulher, ser estrangeira, fazer parte da comunidade LGBTQIA+ ou ter qualquer outra característica que nos torne diferentes não deveria ser algo que precisamos superar para sermos reconhecidas profissionalmente. São partes da nossa história e da perspectiva que levamos para o trabalho.

Na WTW, tive a oportunidade de transformar um pouco dessa experiência em participação. Hoje sou embaixadora do grupo de Afinidade LGBTQIA+ e, para mim, esse papel vai muito além de participar de conversas.

É ajudar a informar, trazer reflexões, abrir espaço para quem ainda não se sente confortável para falar sobre quem é e, principalmente, acolher. É lembrar que nem todo mundo está no mesmo momento da jornada e que, às vezes, uma conversa ou simplesmente ver alguém ocupando aquele lugar pode fazer diferença.

Também penso nas pessoas mais jovens que estão começando suas carreiras. Em como pode ser importante enxergar alguém que compartilha experiências parecidas, ocupando um espaço profissional sem esconder quem é. E em como podemos construir ambientes mais seguros para quem vem depois.

Para mim, é muito significativo trabalhar em um lugar que permite que iniciativas como essa existam e dá espaço para que as pessoas ajudem a construir essas conversas. Não porque todas as respostas já estejam prontas, mas porque ainda temos muito a aprender.

Mas diversidade, para mim, não termina quando conseguimos trazer pessoas diferentes para dentro de uma empresa. Ela começa quando essas pessoas percebem que podem realmente ocupar aquele espaço.

Porque estar presente é uma coisa. Sentir que pertence é outra.

Isso também passa por coisas simples: poder falar sem medo de ser julgada, poder contar uma história pessoal, ter espaço para discordar, ser ouvida em uma reunião, enxergar pessoas parecidas com você ocupando posições de liderança e perceber que existe espaço para você também.

Talvez seja por isso que eu goste tanto de falar sobre pertencimento. Sendo estrangeira, sei o que é chegar a um lugar e precisar encontrar seu espaço. E, sendo uma mulher lésbica, também sei o quanto é importante encontrar ambientes onde você não precise escolher qual parte de você pode aparecer.

Hoje tenho consciência de que não precisamos esperar que o mundo fique perfeito para começarmos a ocupar nossos espaços. Podemos ajudar a construir esses espaços também.

E talvez esse seja um dos maiores valores da diversidade: quando diferentes histórias se encontram, elas não precisam competir para ver qual é a certa. Elas podem simplesmente ampliar a forma como enxergamos o mundo.

No fim, acho que inclusão tem muito menos a ver com fazer alguém caber e muito mais com criar um ambiente onde ninguém precise se diminuir para pertencer.

María José Alvarez Gallardo
Designer Gráfico | Marketing & Comunicação na WTW

María José é designer gráfica, com mais de 11 anos de experiência nas áreas de comunicação e publicidade. Chilena, vive no Brasil e atua na área de Marketing da WTW, desenvolvendo projetos de comunicação, apresentações de alto valor e identidade visual.
Apaixonada por criatividade, comunicação e fotografia. Também é Embaixadora do Grupo de Afinidade LGBTQI+ da WTW Brasil, contribuindo para iniciativas de diversidade, inclusão e pertencimento.

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