Presidente da Sou Segura comenta pesquisa da Susep sobre presença feminina no setor
Em entrevista ao portal Infomoney, a presidente da Sou Segura, Camila Maximo comentou o resultado da pesquisa realizada pela Susep segundo a qual as mulheres são 54% da força de trabalho no mercado de seguros, mas apenas 28,5% atuam na gestão executiva. Para Camila Maximo, há dificuldade de quebrar o “teto de vidro” e “degrau quebrado”, que são conceitos para ilustrar a existência de barreiras invisíveis no mercado de trabalho, que dificultam o avanço aos níveis de decisão, mesmo entre profissionais qualificadas. “Entre os fatores que explicam essa queda estão uma cultura corporativa historicamente moldada por modelos masculinos de liderança, a penalização que as mulheres ainda sofrem ao conciliar carreira com maternidade e cuidado da família, e a persistência de gaps salariais e de oportunidade”, acentua a presidente da Sou Segura.
Ela acrescenta que o mercado até vem avançando, mas o caminho até a equidade “ainda é longo”.
Camila Maximo ressalta que as políticas de diversidade são importantes, mas a implementação fora do papel é o que realmente conta. Ela menciona a importância de existirem consequências práticas, como:
Metas de representação feminina em cargos de gestão e conselhos, com prestação de contas à alta administração;
Processos de sucessão, com uma lista de nomes de mulheres mapeadas como talento e potencial de liderança, promoção com critérios transparentes, monitorados por recorte de gênero; e
Mecanismos concretos que reduzam o custo que hoje as mulheres pagam ao assumir maternidade e cuidados familiares, como flexibilidade real de jornada e apoio a executivas mães.
A presidente da Sou Segura frisa ainda que há três frentes eficazes para fazer com o que o número de mulheres em cargos executivos cresça. Uma delas seriam programas de mentoria, como o da associação, que funciona no formato intercompany, com executivos e executivas do mercado compartilhando voluntariamente suas trajetórias com mulheres em desenvolvimento.
Além disso, a formação de alto nível também é essencial. No caso da entidade, existe a oferta de bolsas de MBA para associadas, “já que credenciais acadêmicas e visão de negócio costumam ser pré-requisito nos processos que levam a cargos de comando”, ressalta Camila.
Por fim, a terceira é a visibilidade. Ela destaca que conteúdos online, podcasts, eventos e premiações que abram espaço para mulheres também fomentam essas oportunidades.
PESQUISA
Segundo a pesquisa, mais da metade (54,4%) dos 44.285 funcionários das empresas pesquisadas são mulheres. A participação, porém, cai para 28,5% entre os gestores executivos e para 18,5% nos conselhos de administração.
A redução da presença feminina nos níveis mais altos de decisão aparece na maior parte das empresas analisadas. Nos recortes de governança, a participação das mulheres está “substancialmente abaixo da média populacional”, segundo o estudo, o que “sugere não se tratar de ocorrências pontuais, mas de um padrão relativamente disseminado no setor”.
A Susep ressalta, porém, que a primeira edição do levantamento tem caráter puramente descritivo e não busca investigar as causas dessa distribuição. Em entrevista ao InfoMoney, a autarquia afirmou que os dados servem como ponto de partida para mapear a situação atual e acompanhar sua evolução ao longo do tempo.
O levantamento também avaliou a adoção de políticas de diversidade, equidade e inclusão nas empresas. Das 142 companhias participantes, 82% afirmaram ter políticas antidiscriminação e de combate ao assédio sexual, enquanto 65% disseram contar com iniciativas voltadas à igualdade de oportunidades.
O estudo analisou ainda se a existência dessas políticas estava associada à presença feminina na gestão executiva e à rotatividade dos funcionários. Segundo o relatório, não houve influência significativa da adoção ou não dessas medidas sobre a participação das mulheres em cargos de gestão executiva ou sobre sua permanência nas empresas.
Isso significa que, apesar da presença feminina ser equivalente ou superior à masculina no quadro geral de funcionários, a desigualdade permanece nos níveis mais altos da hierarquia.
Para a Susep, enquanto as medidas contra discriminação e assédio buscam garantir um ambiente de trabalho respeitoso e seguro, as políticas de igualdade de oportunidades estão relacionadas ao desenvolvimento profissional, às promoções e ao acesso a posições de liderança.
“O aspecto mais positivo observado é que um percentual elevado das empresas já adotam essas iniciativas, mesmo sem haver uma exigência regulatória específica da Susep nesse sentido”, afirmou a autarquia.
Para o órgão, o dado indica que o próprio setor reconhece a importância da diversidade e vem incorporando essas práticas.
Promoções e treinamento
Embora o levantamento não tenha investigado quais medidas são mais eficazes para ampliar a presença feminina em cargos de liderança, os dados mostram que a taxa de promoção das mulheres foi ligeiramente superior à dos homens em todas as funções analisadas. O relatório também aponta que 25.009 mulheres participaram de treinamentos em 2024, ante 20.677 homens.
A rotatividade, por sua vez, não apresentou diferenças significativas entre homens e mulheres na maioria das funções. A principal exceção apareceu nos conselhos de administração, onde a taxa foi de 5,3% entre as mulheres e 9,6% entre os homens.
Apesar da diferença de participação nos níveis hierárquicos, a Susep avalia que a diversidade de gênero vem sendo incorporada pelas empresas como uma questão estratégica.
“Os resultados sugerem que a diversidade de gênero vem sendo tratada pelas empresas como um tema estratégico de negócios, e não apenas como uma questão de compliance ou governança”, ressaltou a autarquia.
Para o órgão, ambientes mais diversos também podem contribuir para o desempenho das companhias.
“A Susep entende que ambientes de trabalho mais diversos e inclusivos contribuem para fortalecer a inovação, a produtividade, a qualidade da gestão e, consequentemente, a eficiência do próprio mercado de seguros”, concluiu a autarquia.
Fonte: Sou Segura, com informações do Infomoney
