IA com foco em governança vira prioridade no mercado
A primeira edição do Brick Sessions reuniu, na Amcham Business Center, no dia 8 de Abril, especialistas do mercado para discutir um tema que ganha cada vez mais relevância: o uso da inteligência artificial no setor de seguros com foco em governança, risco e controle. Idealizado pela Brick, o encontro teve como proposta colocar em pauta assuntos ainda pouco explorados, mas que já impactam diretamente a operação das seguradoras.
Para Vinicius Schroeder, fundador e CEO da companhia, a escolha do tema reflete um movimento inevitável do mercado. “A intenção com esse evento é trazer temas que não são tão discutidos e reunir o mercado para falar sobre isso. Já é um consenso que a inteligência artificial vai ser uma parte central dos processos críticos dentro das seguradoras em poucos anos, mas o desafio agora é como implementar essa IA com segurança, com controle e principalmente com governança”, destacou.
De acordo com Guilherme, CTO da Brick, esse é hoje um dos principais gargalos. “Hoje é muito fácil fazer algo que funciona uma vez, mas o desafio está em fazer isso funcionar de forma consistente, com segurança, respeitando os guidelines de compliance e de tratamento de informação”, explicou.
Ele reforça que a inteligência artificial generativa já vem transformando o dia a dia das seguradoras, desde a personalização da experiência dos clientes até análises mais complexas e automatizadas. O evento também destacou a importância da troca entre as companhias para amadurecer o uso da tecnologia no setor.
Representando a companhia, trabalhando na vertical da Porto Serviços e coordenador de engenharia de software, João Marques Menezes ressaltou o valor desse tipo de iniciativa. “É um tema extremamente relevante e faz parte do dia a dia de quem trabalha com tecnologia. É muito importante poder trocar conhecimento e entender como as empresas estão aplicando suas estratégias”, afirmou.
Já Juliana Oliveira Nascimento, head de riscos, compliance e atuarial da Sompo, reforçou a necessidade de estruturação. “As decisões sobre inteligência artificial precisam ser pautadas em uma análise bem estruturada de riscos, com governança adequada e avaliação dos impactos. O mercado está avançando rapidamente, e discutir isso é essencial para alinhar práticas”, pontuou.
A percepção de que a inteligência artificial deixou de ser tendência e passou a fazer parte da operação também foi destacada por executivos da Brasilprev. Para Ana Paula, Cientista de Dados da companhia, o evento conseguiu equilibrar diferentes visões. “Foi muito positivo mesclar a parte executiva e técnica. Conseguimos discutir o que já está sendo feito e o que ainda vem pela frente em termos de projetos de IA”, afirmou.
Na mesma linha, Eduardo Baumer, Superintendente de Tecnologia da Brasilprev, destacou o impacto direto da tecnologia. “A inteligência artificial já faz parte do nosso dia a dia. É fundamental explorar como ela pode gerar crescimento, eficiência operacional e melhorar o atendimento ao cliente, sempre com segurança e critério”, disse.
O primeiro Brick Sessions deixa claro que o avanço da inteligência artificial no mercado de seguros é irreversível. No entanto, mais do que adotar a tecnologia, o setor terá que estruturar sua aplicação com responsabilidade.
Nesse cenário, a governança surge como peça-chave, não apenas para garantir conformidade, mas para viabilizar o uso sustentável da IA em processos cada vez mais críticos. Para o corretor de seguros, o movimento também abre espaço para adaptação: entender como essas tecnologias impactam produtos, subscrição e atendimento será essencial para acompanhar a evolução do mercado e manter a relevância na cadeia de distribuição.
Fonte: CQCS
