Economia

Empresas entram na fase decisiva da Reforma Tributária

O segundo semestre de 2026 será o primeiro grande teste da Reforma Tributária para as empresas brasileiras. Com a publicação da Lei Complementar nº 214/2025, que regulamenta a Reforma Tributária sobre o consumo, organizações de diferentes setores começam a enfrentar os impactos práticos da mudança, que vão além da área fiscal e alcançam planejamento financeiro, tecnologia, precificação, contratos e gestão operacional. Para especialistas, as decisões tomadas agora poderão reduzir riscos e custos durante a transição para o novo modelo tributário.

Para André Fantoni, estrategista tributário, especialista em ICMS e Reforma Tributária, ex Fiscal de Tributos da Secretaria de Estado de Fazenda de Mato Grosso e CEO da Fantoni Assessoria Tributária, muitas empresas ainda tratam a Reforma Tributária como um tema distante, quando, na prática, a adaptação já deveria fazer parte do planejamento estratégico.

“A Reforma Tributária não começa quando o imposto muda. Ela começa quando a empresa revisa processos, parametriza sistemas, reavalia contratos, reorganiza sua formação de preços e entende como funcionará a nova lógica de aproveitamento dos créditos tributários. Quem deixar essa preparação para depois terá menos tempo para corrigir erros e poderá enfrentar impactos financeiros importantes”, afirma.

Reforma Tributária exige mudanças em toda a empresa

Embora a discussão normalmente fique concentrada nas áreas fiscal e contábil, a regulamentação estabelece mudanças que atingem praticamente toda a estrutura empresarial. A Lei Complementar nº 214/2025 disciplina regras relacionadas ao Imposto sobre Bens e Serviços, à Contribuição sobre Bens e Serviços, ao Imposto Seletivo, ao aproveitamento de créditos, aos regimes específicos e às novas obrigações que acompanharão a transição.

Na prática, isso exige atualização dos sistemas de gestão, revisão dos processos internos, adequação da emissão de documentos fiscais, análise de contratos de fornecimento e prestação de serviços, além da revisão das estratégias comerciais e de precificação.

Segundo o estrategista, um dos principais equívocos observados atualmente é acreditar que a adaptação poderá ocorrer apenas quando todas as mudanças entrarem em vigor. “Muitas empresas imaginam que bastará atualizar o ERP quando chegar o momento. Isso dificilmente será suficiente. Cada operação possui características próprias, cadeias de fornecedores diferentes, contratos específicos e modelos distintos de formação de preços. Quanto antes esse diagnóstico for realizado, menor será o risco de retrabalho e de perda de competitividade.”

Planejamento tributário passa a fazer parte da estratégia empresarial

Na avaliação do especialista, o segundo semestre representa uma oportunidade para que empresas realizem um diagnóstico completo dos impactos da Reforma Tributária antes do avanço das próximas etapas da transição.

Entre os principais pontos que merecem atenção estão o mapeamento das operações, a revisão do enquadramento tributário, a análise dos contratos de longo prazo, a avaliação dos impactos sobre margens de lucro, a atualização dos sistemas de gestão e a capacitação das equipes responsáveis pelos processos fiscais e financeiros.

“O planejamento tributário deixa de ser apenas uma ferramenta voltada à economia de tributos. Com a Reforma Tributária, ele passa a integrar a estratégia do negócio, permitindo antecipar riscos, fortalecer a segurança jurídica e apoiar decisões que influenciam diretamente a competitividade da empresa”, explica o auditor.

Adiar adequações pode aumentar riscos durante a transição

Para o especialista, a maior transformação tributária das últimas décadas exige uma postura preventiva por parte das empresas, especialmente porque muitas adaptações dependem de planejamento e tempo de execução.

“Os próximos meses serão decisivos para identificar vulnerabilidades, testar processos e preparar a empresa para um modelo tributário completamente diferente do atual. Quem utilizar esse período para estruturar a transição chegará às próximas etapas com mais segurança. Já quem continuar adiando as adequações poderá enfrentar custos adicionais, dificuldades operacionais e maior exposição a riscos fiscais”, conclui.

Fonte: Fantoni Assessoria Tributária

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