Canal Ligue 180 registra crescimento de 45% nos atendimentos e 17% nas denúncias
A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 registrou 1.088.900 de atendimentos em 2025, um aumento de 45% em comparação com o ano anterior. O serviço registrou 3 mil atendimentos diários, incluindo pedidos de informação sobre a rede de proteção, políticas e campanhas voltadas às mulheres, além de denúncias de violência.
Em 2025, foram contabilizadas 155.111 denúncias de violência contra mulheres em território nacional, equivalente a 425 denúncias por dia, um acréscimo de 17,4% se comparado com o mesmo período do ano anterior, quando a central registrou 132.084 denúncias.
Considerando o total de 155.111 denúncias:
* 66,3% (102.770) foram realizadas pela própria vítima;
* 16,8% (26.033) por terceiros;
* 16,9% (26.237) de forma anônima.
* 0,03% (53) pelo próprio agressor.
Atualmente, 17 estados e o Distrito Federal já assinaram o Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com o Ministério das Mulheres com o objetivo de agilizar o encaminhamento das denúncias recebidas pelo Ligue 180, fortalecendo a integração da rede de proteção às mulheres em todo o país.
Além do Distrito Federal, assinaram o ACT os seguintes estados: Bahia, Pernambuco, Ceará, Pará, Maranhão, Paraíba, Rio Grande do Norte, Mato Grosso, Alagoas, Tocantins, Acre, Sergipe, Mato Grosso do Sul, Piauí, Rio de Janeiro e Roraima.
Dados de 2026
No primeiro trimestre de 2026, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 registrou aumento de 23% nas denúncias de violência contra mulheres e 14% nos atendimentos. No período, foram 301.044 atendimentos e 45.735 denúncias de violência. No mesmo período de 2025, foram contabilizados 263.889 atendimentos e 37.139 denúncias.
Em janeiro de 2026, foram contabilizados 102.718 atendimentos e 15.575 denúncias, contra 87.407 atendimentos e 12.062 denúncias em janeiro de 2025 – o que representa crescimento de 17,51% nos atendimentos e de 29,13% nas denúncias.
Em fevereiro de 2026, foram registrados 90.297 atendimentos e 13.293 denúncias, enquanto no mesmo mês do ano anterior os números foram de 80.051 atendimentos e 11.683 denúncias, com altas de 13,38% e 12,90%, respectivamente.
Já em março de 2026, os atendimentos chegaram a 108.029 e as denúncias a 16.867, superando os 96.431 atendimentos e 13.394 denúncias de março de 2025, o que equivale a um crescimento de 12,02% nos atendimentos e de 25,93% nas denúncias.
Fortalecimento da rede de proteção
Os dados indicam a ampliação do acesso aos canais de proteção e a qualificação do atendimento prestado às mulheres em situação de violência em todo o Brasil. O Ministério tem implementado, de forma estruturada e contínua, ações de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres no âmbito do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios (Decreto nº 11.640/2023) e do Programa Mulher Viver sem Violência (Decreto nº 11.431/2023).
A agenda de proteção se materializa em políticas públicas estruturantes, com destaque para a retomada da expansão da rede de atendimento especializado, com a criação de uma nova sede da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, inaugurado em 2024, com investimentos de R$ 84,4 milhões, cuja execução vai até janeiro de 2027.
O investimento contempla a ampliação dos canais de atendimento, capacitação das atendentes, incluindo atendimento via WhatsApp, por meio do número (61) 9610-0180, e o atendimento em Libras por meio de videochamadas. Com a reestruturação, o Ligue 180 passou a ter gestão própria, com aprimoramentos na metodologia de registro e consolidação dos dados, que passaram a ser divulgados em painel específico a partir de novembro de 2024.
Além do registro de denúncias, o Ligue 180 também presta orientações, fornece informações sobre os direitos das mulheres, indica serviços da rede especializada de atendimento e recebe manifestações sobre o funcionamento desses serviços. O atendimento é sigiloso e gratuito, funcionando 24 horas por dia, sete dias por semana.
Perfil das vítimas
Entre os registros em que a raça/cor da vítima foi declarada, observa-se que mulheres negras correspondem a 43.16% das denúncias de violência. Do total, mulheres pardas somam 51.907 (33,46%) denúncias e as mulheres pretas formalizaram 15.046 denúncias (9,70%).
As mulheres brancas correspondem a 32,54% das denúncias, com o total de 50.474 registros. Já as mulheres amarelas aparecem em 807 registros (0,52%) e as indígenas em 488 ocorrências (0,31%). Em outros 36.389 casos (23,45%), não houve declaração de raça/cor.
Faixa etária
Em relação à faixa etária, os dados apontam maior incidência entre mulheres de 40 a 44 anos, com 15.117 denúncias (9,75% do total), seguidas pelas de 35 a 39 anos, com 14.594 casos (9,41%), pelas de 30 a 34 anos, com 14.173 denúncias (9,14%)
e pelas de 26 a 29 anos, com 13.789 ocorrências (8,89%). Juntas, essas quatro faixas etárias concentram 57.673 denúncias, o equivalente a 37,19% de todas as denúncias registradas pelo Ligue 180 em 2025.
Tipos de violência
Em 2025, foram reportados 679.058 violações ao Ligue 180, um aumento de 18,5% em relação a 2024, quando foram registradas 573.131 violações.
Os tipos de violência mais recorrentes foram:
* Violência psicológica, com mais de 339 mil registros (49,9%);
* Violência física, com mais de 104 mil ocorrências (15,3%);
* Violência patrimonial, com 36.938 casos (5,4%);
* Violência sexual, com 20.534 registros (3,0%), sendo 8.172 casos de importunação sexual (1,2%);
* Sequestro/cárcere privado, com 2.621 ocorrências (0,4%).
De acordo com a metodologia da Central, uma única denúncia pode conter mais de um tipo de violação.
Violência vicária
Dados do Ligue 180 revelam a dimensão alarmante de uma prática que só agora foi formalmente tipificada no país. Em 2025, foram registradas 7.064 denúncias de violência vicária, o que representa 4,55% do total de 155.11 denúncias. Nos três primeiros meses de 2026, já chegaram ao serviço 3.552 ocorrências desse tipo de agressão, que corresponde a 7,77% das 45.735 denúncias de violência.
A violência vicária ocorre quando o agressor utiliza filhos, parentes ou pessoas próximas como instrumento para causar sofrimento psicológico à mulher. Diante da gravidade dos números, foi sancionado recentemente pelo presidente Lula o Projeto de Lei nº 3.880/2024, de autoria da deputada federal Laura Carneiro (PSD/RJ). A nova lei altera a Lei Maria da Penha, o Código Penal e a Lei dos Crimes Hediondos para incluir a violência vicária como forma de violência doméstica.
Perfil dos suspeitos
Os dados revelam que a maioria dos suspeitos mantém ou manteve relação íntima e/ou familiar com a vítima pelo ex-companheiros(as), com 23.504 denúncias (15,15%), e pelos companheiros (as) atuais: 19.070 denúncias (12,29%).
Local das agressões
O ambiente doméstico continua sendo o cenário predominante dos casos de violência. A “casa da vítima” apareceu em 63.225 denúncias (40,76%), a casa onde residem a vítima e o suspeito contabilizaram 44.333 (28,58%) das queixas e 8.356 registros na “casa do suspeito”, ou 5,39% do total. Além disso, foram 4.587 denúncias (2,96%) de violência em vias públicas e 4.584 registros em ambiente virtual (internet), que representam 2,96% do total.
Duração e frequência das agressões
Os dados indicam que muitas mulheres convivem com a violência por longos períodos:
* Duração da violência: o 20,91% (32.435) das denúncias relatam violências que duram mais de um ano;
10,15% (15.740) indicam que as agressões começaram há um mês.
Frequência das agressões:
o 31,86% (49.424) ocorrem diariamente;
17,39% (26.980) ocorrem ocasionalmente;
10,50% (16.288) correspondem a uma única ocorrência;
8,10% (12.561) acontecem semanalmente;
1,82% (2.817) ocorrem mensalmente;
25,38% (39.367) não possuem informação sobre a frequência das violações.
Denúncias regionais
Em 2025, a região Sudeste liderou as denúncias de violência contra a mulher registradas pelo Ligue 180, somando 73.561 ocorrências – o que representa 47,4% do total em todo o país. Em seguida aparece o Nordeste, com 28.309 denúncias (18,2%). O Centro-Oeste registrou 17.869 ocorrências (11,5%), seguido pela região Sul, com 15.843 denúncias (10,2%). Por fim, a região Norte contabilizou 9.391 casos, percentual de 6,0% do total.
Considerando os estados individualmente, os maiores números de denúncias em 2025 foram: São Paulo (SP) com 34.476 ocorrências, Rio de Janeiro (RJ) com 22.757, Minas Gerais (MG) com 13.421, Distrito Federal (DF) com 9.270, Bahia (BA) com 8.549, Rio Grande do Sul (RS) com 6.157, Paraná (PR) com 5.294, Goiás (GO) com 4.972, Pernambuco (PE) com 4.727 e Santa Catarina (SC) com 4.392. Em 2024, o ranking foi semelhante: São Paulo (31.227), Rio de Janeiro (21.528), Minas Gerais (12.815), Bahia (9.090), Rio Grande do Sul (6.153), Pernambuco (4.609), Paraná (4.503), Goiás (4.422), Santa Catarina (4.029) e Ceará (3.383).
Nova Central e melhoria dos fluxos
Em agosto de 2024, o Ligue 180 inaugurou sua nova central de atendimento, agora totalmente independente da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos (Disque 100). Um investimento de R$ 84,4 milhões na criação da nova Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, ampliando o atendimento, reforçando as equipes e implementando capacitação permanente. Além disso, foi criado um canal de atendimento pelo WhatsApp e com intérpretes de Libras, assegurando o acesso às pessoas surdas.
Sobre o Ligue 180
A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 é um serviço público e gratuito do Governo do Brasil, coordenado pelo Ministério das Mulheres. Oferece orientação sobre direitos e serviços da Rede de Atendimento à Mulher em situação de violência em todo o Brasil, além de analisar e encaminhar denúncias aos órgãos competentes.
O canal funciona 24 horas por dia, incluindo sábados, domingos e feriados. Está disponível também no WhatsApp: (61) 9610-0180 e pelo e-mail central180@mulheres.gov.br.
Fonte: Gov.br
