Economia

Queda mais lenta dos juros deve beneficiar resultado financeiro das seguradoras

A expectativa de uma redução mais acelerada da taxa Selic em 2026 perdeu força nos últimos meses. Em fevereiro, a projeção era de que os juros encerrassem o ano em 12% ao ano, ante os 15% registrados naquele momento. Agora, após a alta da inflação e os reflexos econômicos da guerra entre Irã e Israel, a estimativa passou para 13,25%, reduzindo pela metade o ritmo de queda inicialmente esperado. Para o consultor Francisco Galiza, mestre em Economia pela FGV e catedrático da ANSP (Academia Nacional de Seguros e Previdência) na cadeira “Ciências Econômicas do Seguro” em sua coluna “Na Ponta do Lápis”, o novo cenário tende a gerar efeitos positivos e negativos para o mercado de seguros.

No curto prazo, as seguradoras podem ser beneficiadas pelo aumento do resultado financeiro, já que trabalham com grandes volumes de reservas aplicadas no mercado. “Como as empresas possuem reservas financeiras, juros mais altos significam maior rentabilidade sobre esses recursos. Teoricamente, isso melhora o resultado financeiro das seguradoras”, explica.

Segundo ele, a desaceleração na queda dos juros não altera de forma significativa o planejamento das companhias, mas impacta diretamente as receitas provenientes das aplicações financeiras, um componente importante dos resultados do setor.

Por outro lado, Galiza alerta que juros elevados costumam reduzir o consumo e o acesso ao crédito ao longo do tempo, o que pode afetar alguns segmentos de seguros ligados ao financiamento de bens. “Tudo o que envolve financiamento tende a sentir esse efeito. Podemos citar o seguro prestamista, os seguros relacionados ao financiamento de veículos e até o próprio seguro automóvel”, afirma.

De acordo com o especialista, esse movimento não acontece de forma imediata. “Muitas vezes há uma defasagem. O impacto dos juros mais altos sobre o consumo e, consequentemente, sobre a contratação de seguros demora um pouco mais para aparecer”, observa.

Na avaliação de Galiza, a mudança nas expectativas para a Selic está diretamente relacionada ao cenário inflacionário global e aos reflexos da guerra no Oriente Médio. “Com o conflito envolvendo o Irã, houve pressão sobre os preços do petróleo e dos combustíveis, o que contribuiu para o aumento da inflação e reduziu o espaço para uma queda mais acelerada dos juros”, explica.

Para o consultor, o setor de seguros vive uma situação de equilíbrio delicado diante desse contexto. “Os juros têm dois efeitos claros. O primeiro é positivo, porque aumenta o retorno das reservas financeiras das seguradoras. O segundo é negativo, porque, no médio prazo, tendem a reduzir o consumo e a atividade econômica, impactando a arrecadação de prêmios. Ou seja, o setor se beneficia por um lado, mas depois acaba pagando um preço por isso”, conclui.

Fonte: CQCS

Falar agora
Olá 👋
Como podemos ajudá-la(o)?