A diversificacão da previdência
A QUEDA NA TAXA DE JUROS – DE 19,75% A0 ANO EM SETEMBRO DE 2005 PARA 12,75% AO ANO EM MARÇO DE 2007 – FORÇA UMA MUDANÇA NO PERFIL DE INVESTIMENTO
Os fundos de previdência privada, que já representam 8% da indústria de fundos de investimentos, com R$ 77 bilhões em carteira, passam por um momento de diversificação. A queda na taxa de juros – de 19,75% ao ano em setembro de 2005 para 12,75% ao ano em março de 2007 – força uma mudança no perfil de investimento dos planos ofertados. Interessados na busca por retornos maiores, os investidores já admitem um aumento do risco. O mix de produtos que compõem a carteira dos fundos de previdência cresce significativamente, com os papéis de renda fixa perdendo espaço para os de renda variável.
A família de produtos Minha Aposentadoria, da Icatu Hartford, lançada em dezembro de 2005, aparece entre os dez fundos de melhor desempenho na categoria Multimercado com Renda Variável. Entre os fundos balanceados, outros dois fundos da Icatu, o Composto 49E e o Composto 49C, também são destaque. “Com os juros cada vez menores e o bom desempenho da bolsa de valores nos últimos anos, tem crescido o interesse dos investidores em fundos que buscam maior retomo, destinando parte dos recursos para a renda variável, e procuramos aproveitar esta oportunidade”, avalia Theodoro Messa, diretor da administradora de recursos da Icatu.
Os fundos Minha Aposentadoria, da Icatu, explica Messa, associam o horizonte de investimento a uma data de aposentadoria futura, ou seja, a composição da carteira varia com o tempo”. O produto é semelhante aos “l.ife Cycle Funds”, bastante populares no exterior.
Para o poupador mais jovem, a carteira tem um percentual maior de renda variável, de maior risco. “A participação de renda variável vai caindo à medida que a aposentadoria se aproxima, ou seja, reduzindo o risco da carteira com o tempo”, diz o executivo. A grande vantagem é que o investidor não precisa, ao longo do tempo, solicitar uma mudança na carteira do fundo, isto é automático e já está previsto na fase de contratação do plano.
Quatro fundos compõem a familia de produtos Minha Aposentadoria: 2010, 2020, 2030 e 2040, Cada fundo é associado a uma data específica, na qual o investidor pode escolher aquele que mais se aproxima a sua data estimada de aposentadoria. O fundo 2040 é o mais agressivo, iniciando com 45% de seu patrimônio em ações. Esse porcentual será gradualmente reduzido a zero até 2040. No ano passado, este fundo obteve um retomo de 25,99%. Atualmente os Fundos de Ciclo de Vida acumulam patrimônio superior a USS 150 bilhões nos Estados Unidos.
“A mudança no perfil do investidor brasileiro, mais acostumado a renda fixa, em direção à renda variável é uma tendência natural e os produtos vão se adequando a isto”, diz Messa. Hoje, a Icatu gere R$ 1,6 bilhão de recursos para a previdência, a maior parte ainda na renda fixa.
Osvaldo Nascimento, diretor de seguros, vida e previdência do Itaú, que responde por 17% do mercado de previdência, também vê na mudança do perfil do investidor uma oportunidade de negócio. “Nosso crescimento em 2006, de 15,7% de market share para 17%, ocorreu em parte pela maior diferenciação dos fundos e pela maior segmentação na gestão para o público de menor renda, para o segmento personnalité e o private”, explica Nascimento. Segundo o executivo, os diferentes segmentos tem interesses diversos quando procuram um fundo de previdência. “O private muitas vezes olha mais para a sucessão patrimonial, questões de familia, etc. e acumula recursos pensando em uma poupança voltada para gastos com a saúde na terceira idade, se beneficiando de questões tributárias”, explica Nascimento. “Já o segmento personnalité apta pelo fundo de previdência como uma diversificação do investimento, vê vantagens quando escolhe a tabela de tribulação regressiva.” Já o grande varejo, composto pelo público de menor renda, faz planos de contribuição mensal pensando de fato na aposentadoria.
Em relação a carteira que compõe esses fundos. Osvaldo Nascimento acredita que, embora a mudança no perfil do investidor brasileiro seja lenta, continuará caminhando em direção a produtos de maior risco. “Os juros baixos forçam as pessoas a optar por um mix melhor de investimento, os jovens começam desde cedo a contribuir e normalmente tendem a destinar parte dos recursos para a renda variável”, diz. Os fundos de previdência do Itaú mais bem posicionados no conceito risco/ retomo estão nas categorias D1, com o Itaú Fapi RF. e renda fixa, com o ItauPrev FI Renda Fixa.
A superintendente de previdência privada do Santander Banespa, Mariene Rainer, é menos otimista em relação à mudança no perfil do investidor, em direção a produtos de maior risco. Embora concorde que há, neste momento, um aumento do apetite por risco, Marlene ainda considera cedo para afirmas que a tendência é irreversível e irá se consolidar no curto prazo. “Já vivemos este ciclo no passado, com os juros menores levando à busca por investimentos em renda variável, mas bastou um movimento contrário, com elevação da taxa, para que ocorresse um retomo dos investimentos em fundos D1 e de renda fixa”, pondera Marlene.
O Santander Banespa, que atua com PGBL e VGBL há pouco mais de quatro anos, tem hoje R$ 3,8 bilhões sob sua gestão. Dos fundos mais bem posicionados estão o Santander Banespa Esmeralda 49 FI Multimercado e o Opala 49 FI, ambos fundos individuais e que alcançaram um retomo em 2006 de 19,54% e 31,07%, respectivamente, além do 49 1 F1 Multimercado, com rentabilidade de 25,99% no ano passado. “Com o Santander491, a gente percebe que há de fato um interesse maior pela renda variável, há a expectativa de que este interesse cresça, mas eu descarto a possibilidade de que haja no curto prazo um boom de investidores em previdência interessados em produtos de maior risco”, explica a superintendente. “A fase ainda é de passar o conceito, treinar a força de venda e só depois ver esta tendência se consolidando.”
Os outros dois fundos, o Esmeralda e o Opala, são individuais e têm por objetivo destinar até 25% dos recursos para renda variável. Este tipo de fundo normalmente é destinado a quem pode fazer um aporte inicial de, no mínimo, R$ 100 mil. “O Esmeralda e o Opala estão na categoria de fundos exclusivos, que podem ser individuais ou montados para um grupo fechado, não podemos falar a respeito dos produtos e só divulgamos o retomo por ser uma deterninação do órgão regulador, diz Mariene Rainer.
Fonte: Gazeta Mercantil
