Quando liderar deixa de ser sobre gênero e passa a ser sobre impacto
O portal “Sonho Seguro”, da jornalista Denise Bueno, publicou interessante série sobre as mulheres que lideram grandes empresas e entidades do mercado de seguros. “Este é um convite à leitura das entrevistas individuais. Não para celebrar gênero, mas para compreender como bons negócios são construídos quando liderança, pessoas e estratégia caminham juntas — exatamente o que o setor exigirá em 2026 e além”, informa a jornalista.
Veja, abaixo, o texto que anuncia e traz detalhes sobre a série:
Durante anos, o debate sobre mulheres em posições de liderança oscilou entre dois polos igualmente limitantes: a demonização do masculino ou a vitimização do feminino. As entrevistas reunidas nesta série mostram, com clareza e maturidade, que essa fase ficou para trás.
As mulheres que hoje comandam seguradoras, resseguradoras, corretoras, entidades setoriais e empresas de previdência no Brasil não constroem suas trajetórias por oposição — constroem por entrega.
O setor de seguros tem hoje 15 mulheres em posição de comando, e 11 delas deram entrevista ao Sonho Seguro, que traz uma série sobre o tema.
AXA Brasil – Erika Medici, CEO
Brasilprev Seguros e Previdência – Angela Beatriz de Assis, Diretora-Presidente
CesceBrasil Seguros de Garantia e Crédito – Cristina Rocco Salazar, Diretora Executiva
CNP Seguros Holding Brasil – Sany Silveira, CEO
Coface – Marcele Lemos, CEO Latin America Region
Latin America Re – Maria Eduarda Bomfim, CEO
Marsh Brazil – Paula Lopes, CEO
Porto Seguro – Patricia Chacon, COO (e presidente do SINDSEG)
Prudential do Brasil – Patricia Freitas, Presidente e CEO
Sancor Seguros Brasil – Claudia Lopes, CEO
Starr Insurance Companies – Cristina Domingues, CEO & General Manager
SulAmérica Saúde & Odonto – Raquel Reis, CEO
Swiss Re Brasil – Juliana Alves, Presidente
SindSeg MG/GO/MT/DF – Andreia Padovani, presidente
Lloyd’s of London Brasil – Rafaela Barrada
O levantamento realizado a partir dessas conversas revela um ponto comum e relevante para o debate econômico: a liderança feminina no setor de seguros e resseguros não se afirma por contraste com o masculino, mas por complementaridade.
Há rigor técnico, disciplina financeira, visão de risco, governança e leitura macroeconômica — combinados com empatia, escuta ativa, desenvolvimento de pessoas e responsabilidade social. Não se trata de um “novo modelo” que substitui o anterior, mas de um equilíbrio mais completo de gestão, sustentado pelo respeito a si, ao outro e à sociedade.
Ao longo das entrevistas, ficou evidente que a sustentabilidade dos negócios não nasce apenas de capital, tecnologia ou regulação. Ela é construída diariamente pelas pessoas — e pelas lideranças que criam ambientes onde elas podem crescer, errar, aprender e entregar resultados consistentes.
Na Prudential do Brasil, a CEO Patricia Freitas trouxe a perspectiva de quem entrou no setor por escolha e desafio. Sua liderança conecta propósito, acesso à proteção financeira e desenvolvimento de talentos, evidenciando que resultados sustentáveis são consequência direta de times diversos, bem preparados e orientados por dados.
Patricia Chacon, CEO da Porto Seguro a partir de janeiro, trouxe uma leitura clara sobre o desafio estrutural da representatividade feminina nos espaços de decisão. Sua visão conecta diversidade à estratégia de crescimento, hipersegmentação, digitalização e resposta aos riscos climáticos, mostrando como inclusão, inovação e escala podem caminhar juntas em um mercado cada vez mais competitivo.
Erika Medici, CEO da AXA, acrescentou ao debate a perspectiva de longo prazo. Ao defender diversidade como alavanca de performance, ela conecta gestão climática, simplificação, seguros inclusivos e governança a um mesmo eixo: crescimento com impacto positivo e relevância social, sem perder disciplina econômica.
Juliana Alves, CEO da Swiss Re no Brasil, colocou foco em um ponto-chave para o futuro do setor: progressão de carreira, redes de influência e disciplina técnica em um ambiente regulatório mais exigente. Sua visão conecta capital global, subscrição rigorosa e o uso responsável de inteligência artificial.
Angela Beatriz Assis, CEO da Brasilprev, sintetizou a série ao unir resultado, tecnologia e humanidade. Sua liderança mostra que inovação — seja em IA, canais digitais ou novos modelos de distribuição — só gera valor quando respeita pessoas, trajetórias e contextos.
Paula Lopes, presidente da Marsh Brasil, conectou gestão de riscos, inovação e estratégia econômica. Sua atuação reforça o papel do seguro como pilar de estabilidade para o middle market, para cadeias produtivas e para a adaptação climática — temas centrais da agenda de crescimento do país.
Duda Bomfim, CEO da Latin Re, destacou a construção de eficiência em um ciclo de mercado ainda marcado por excesso de capacidade e compressão de taxas. Resiliência, curiosidade e tecnologia própria aparecem como instrumentos concretos de competitividade, ao lado de uma defesa clara da diversidade como ganho econômico coletivo.
Rafaela Barrada, presidente do Lloyd’s of London no Brasil, apresentou um retrato realista da ascensão em ambientes altamente competitivos: avanços, recuos, escolhas difíceis e responsabilidade ampliada. Sua visão reforça que pluralidade não é discurso — é condição para inovação, especialmente em um mercado pressionado por riscos climáticos, cibernéticos e regulatórios.
Sany Silveira, à frente da CNP Seguros Holding Brasil, mostrou que liderança é mobilização genuína. Sua trajetória orgânica, guiada pela paixão pelo trabalho e pela comunicação clara, reforça que engajamento e pertencimento são ativos estratégicos tão relevantes quanto números e balanços.
Beatriz Protasio, CEO da Aon Re, ampliou o olhar para o cenário global. Em um mundo onde volatilidade deixou de ser exceção para se tornar estrutural, sua fala conecta dados, capital, clima e pessoas, mostrando que inclusão e colaboração são diferenciais competitivos mensuráveis.
Andreia Padovani, presidente do SindSeg MG/GO/MT/DF e diretora da Tokio Marine, trouxe o peso da governança, da meritocracia e da consistência técnica. Sua trajetória reforça que decisões sustentáveis continuam ancoradas em ética, processos robustos e liderança responsável.
Há ainda um fio simbólico que atravessa essas histórias. Não como metáfora religiosa, mas como referência cultural: valores tradicionalmente associados à figura de Maria — coragem silenciosa, capacidade de cuidar sem se anular, firmeza sem dureza, força sem arrogância. Liderar por presença, não por imposição. Sustentar propósito sem disputar protagonismo. Essa combinação aparece, de forma concreta, nas decisões e estilos das executivas entrevistadas.
Liderança, regulação e o ciclo de 2026
Esse conjunto de visões ganha ainda mais relevância quando inserido no contexto macroeconômico e regulatório que se desenha para 2026. O setor de seguros e resseguros entra em um novo ciclo marcado pela implementação do novo marco legal dos seguros, por exigências regulatórias mais rigorosas, pela pressão contínua por rentabilidade, pela intensificação dos riscos climáticos e pelo uso cada vez mais estruturante de dados e inteligência artificial.
Nesse ambiente, liderança deixa de ser um atributo simbólico e passa a ser um fator econômico. A capacidade de tomar decisões com base em dados, equilibrar risco e capital, desenvolver pessoas, dialogar com reguladores e adaptar modelos de negócio será determinante para a sustentabilidade do setor.
As entrevistas desta série mostram que as mulheres hoje no comando estão plenamente inseridas — e preparadas — para esse novo ciclo. Não por ocuparem um espaço de exceção, mas por contribuírem de forma concreta para a estabilidade, a inovação e a relevância econômica do mercado de seguros.
Este é um convite à leitura das entrevistas individuais. Não para celebrar gênero, mas para compreender como bons negócios são construídos quando liderança, pessoas e estratégia caminham juntas — exatamente o que o setor exigirá em 2026 e além.
A íntegra das entrevistas pode ser acessada neste link: https://www.sonhoseguro.com.br/2025/12/quando-liderar-no-setor-de-seguros-deixa-de-ser-sobre-genero-e-passa-a-ser-sobre-impacto/
Fonte: Sonho Seguro – Denise Bueno
