Poucas mudanças à vista no mercado de trabalho
O diretor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), João Sabóia, não vê perspectivas de grandes mudanças no mercado de trabalho em 2007, diante de um crescimento da economia que será pouco maior que o de 2006. “Enquanto o Brasil não tiver crescimento sustentado, haverá poucas mudanças no emprego”, diz, embora reconheça que a geração de empregos com carteira assinada este ano foi surpreendente.
Sabóia é um dos maiores defensores do salário-mínimo como política de distribuição de renda, mas não se esquiva de um debate polêmico: o uso do mínimo como parâmetro para os benefícios da Previdência. Na sua avaliação, o salário-mínimo é uma remuneração ligada ao mercado de trabalho e, por isso, reconhece seu uso até mesmo na aposentadoria, já que o aposentado já fez sua contribuição. Ele defende o debate da utilização do salário-mínimo, no entanto, em benefícios assistenciais, como o benefício de prestação continuada, ou na previdência rural, em que não houve contribuição do beneficiado.
A redução da desigualdade na distribuição de renda é uma das conquistas dos últimos anos e, segundo Sabóia, deve ser atribuída majoritariamente ao mercado de trabalho e menos aos programas de transferência de renda. Para manter esta trajetória de melhoria na distribuição de renda, o especialista indica uma política que inclua recomposição do poder de compra real do salário-mínimo, aumento no valor do benefício do programa Bolsa Família e maior crescimento da economia brasileira.
Fonte: Jornal do Commercio
