O que dizem as pesquisas globais sobre liderança feminina, performance e representatividade qualificada
Por Simone Ramos
Nos últimos dez anos, diversas pesquisas passaram a tratar a presença feminina na liderança como uma pauta de equidade e como discussão de negócios, governança e sustentabilidade. O ponto central, no entanto, precisa ser lido com maturidade: os estudos demonstram que a presença feminina, é uma associação consistente entre equipes de liderança mais plurais.
Peterson Institute for International Economics
Um dos estudos mais citados sobre o tema foi publicado em 2016 pelo Peterson Institute for International Economics, com repercussão na Harvard Business Review. A pesquisa analisou 21.980 empresas em 91 países e indicou que a presença de mulheres em posições de liderança corporativa está correlacionada a maior lucratividade.
McKinsey & Company
A McKinsey & Company reforçou essa leitura no relatório Diversity Matters Even More, de 2023. O estudo, baseado em 1.265 empresas, 23 países e seis regiões globais, mostrou que empresas no *quartil superior de diversidade de gênero em equipes executivas têm 39% mais probabilidade de superar financeiramente seus concorrentes do que empresas no quartil inferior. Esse número significa maior probabilidade de desempenho financeiro superior em comparação com empresas do mesmo setor e região.
*Na pesquisa da McKinsey, quartil é uma divisão estatística em quatro grupos iguais. O quartil superior representa os 25% das empresas com maior diversidade de gênero na liderança executiva; o quartil inferior representa os 25% das empresas com menor diversidade.
Fórum Econômico Mundial
O Fórum Econômico Mundial amplia essa discussão para o campo macroeconômico. O Global Gender Gap Report 2025 mostra que 68,8% da lacuna global de gênero foi fechada, mas estima que ainda serão necessários 123 anos para alcançar a paridade plena no ritmo atual. Na dimensão de participação econômica, o índice global está em 61%. Isso evidencia que o subaproveitamento do talento feminino é também uma perda econômica estrutural.
5º Estudo Mulheres no Mercado de Seguros no Brasil, da ENS
No Brasil, o 5º Estudo Mulheres no Mercado de Seguros no Brasil, da ENS, mostra um retrato muito próximo dessa tensão. As mulheres representam aproximadamente 55% dos funcionários das seguradoras analisadas, mas, na alta liderança, ainda há 2,4 diretores homens para cada diretora mulher. O estudo também aponta que o salário médio feminino corresponde a cerca de 70% do salário masculino, apesar de homens e mulheres apresentarem níveis próximos de graduação e pós-graduação. Ou seja, o desafio está na progressão, remuneração e no acesso ao topo.
É importante, porém, evitar uma armadilha comum: atribuir a melhor performance à ideia de que mulheres seriam, por natureza, mais cuidadosas, sensíveis ou emocionais. Essa leitura é reducionista. Há homens e mulheres com diferentes estilos de decisão, apetite a risco e capacidade analítica. Pessoas com trajetórias sociais, profissionais, acadêmicas, familiares e culturais distintas enxergam riscos, oportunidades e consequências por ângulos diferentes.
Por isso, a equidade de gênero deixa de ser uma agenda lateral e passa a integrar a estratégia de competitividade. O futuro das organizações dependerá menos de discursos institucionais e mais da capacidade de transformar dados em decisão. É nesse contexto que iniciativas como a Sou Segura (sousegura.org,br) com a Bolsa Sou MBA e a coluna Fala Mulher demostram que investir em mulheres é construir representatividade qualificada.
Em última análise, os dados mostram que o avanço das mulheres em posições de liderança não deve ser tratado como tendência passageira, nem como pauta restrita a áreas de diversidade. Trata-se de uma decisão estratégica sobre o futuro das empresas. Em um ambiente de negócios cada vez mais pressionado por resultados, organizações que ampliam o acesso de mulheres à formação, à visibilidade e ao poder de decisão estão construindo estruturas mais inteligentes e mais competitivas para o longo prazo.
Fontes utilizadas
ENS — “5º Estudo Mulheres no Mercado de Seguros no Brasil”, 2025.
Peterson Institute for International Economics — “Is Gender Diversity Profitable? Evidence from a Global Survey”, 2016.
Harvard Business Review — “Study: Firms with More Women in the C-Suite Are More Profitable”, 2016.
McKinsey & Company — “Diversity Matters Even More: The case for holistic impact”, 2023.
International Labour Organization — “Women in Business and Management: The business case for change” / “Beyond the glass ceiling”.
World Economic Forum — “Global Gender Gap Report 2025”.
