Tecnologia

Nova plataforma fortalece subscrição com foco ESG

O aumento das denúncias de trabalho análogo à escravidão em 2026 reacendeu o debate sobre controle de riscos nas cadeias produtivas brasileiras e colocou o setor de seguros em posição estratégica na análise de conformidade socioambiental. Dados do Ministério Público do Trabalho (MPT) mostram que o país registrou 733 denúncias neste início de ano, sendo 522 apenas entre janeiro e fevereiro, crescimento de 12,7% em relação ao mesmo período de 2025.

Ao mesmo tempo, as operações de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resgataram 271 trabalhadores nos primeiros meses do ano, número equivalente a cerca de 10% de todos os resgates realizados ao longo de 2025. Apesar da subnotificação ainda ser um desafio, especialmente em ambientes urbanos e domésticos, os dados indicam maior formalização das denúncias e ampliam a pressão sobre empresas que operam em cadeias produtivas complexas.

Nesse cenário, ferramentas de monitoramento socioambiental vém ganhando espaço no mercado segurador, principalmente em operações ligadas ao agronegócio, transporte, indústria e grandes cadeias de fornecimento. Uma das iniciativas em destaque é a Solução de Conformidade Socioambiental da CNseg, criada para apoiar seguradoras nos processos de subscrição com base em critérios ambientais, sociais e de governança (ASG).

A plataforma cruza automaticamente informações de 18 bases públicas oficiais, incluindo Cadastro Ambiental Rural (CAR), áreas embargadas, terras indígenas, unidades de conservação, registros de desmatamento e listas de empregadores autuados por trabalho escravo divulgadas pelo governo federal.

Segundo André Vasco, a proposta é fortalecer a análise preventiva de riscos dentro das seguradoras. “A solução Conformidade Socioambiental, da CNseg, apoia a gestão de riscos das seguradoras ao avaliar a conformidade socioambiental de propriedades com base em legislações, regulações e outros critérios relevantes”, afirma.

O executivo destaca ainda que a ferramenta amplia a segurança operacional das companhias. “Com isso, as seguradoras ganham mais segurança jurídica e operacional nos processos de subscrição e renovação de apólices, além de maior transparência e responsabilidade na gestão de riscos”, acrescenta.

Na prática, o monitoramento permite identificar irregularidades antes da contratação ou renovação do seguro, inclusive quando produtores, propriedades ou empresas aparecem vinculados a infrações socioambientais. Dependendo da política interna e da análise de risco, os contratos podem ser recusados, revisados ou até não renovados.

O avanço dessas tecnologias acompanha uma mudança estrutural no próprio mercado segurador. Dados do Relatório de Sustentabilidade da CNseg apontam que 68,6% das seguradoras já incorporam critérios ESG na subscrição de riscos. Além disso, 80,6% afirmam recusar cobertura ou interromper relações comerciais ao identificar incompatibilidade socioambiental com suas políticas internas.

A combinação entre aumento das denúncias, pressão regulatória e digitalização das análises de risco tem transformado o monitoramento socioambiental em uma das principais frentes estratégicas do setor em 2026. Para especialistas, a tendência é que ferramentas baseadas em dados públicos, georreferenciamento e análise contínua ganhem ainda mais relevância na redução de riscos jurídicos, financeiros e reputacionais das companhias.

Fonte: CQCS

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