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Mulheres na Ciência Atuarial – Liderança, Desafios e Conquistas no Brasil e no Mundo

Dedicatória

Dedico este trabalho às mulheres que ousaram sonhar com espaço nas ciências exatas, mesmo quando o mundo dizia que não era lugar para elas. À minha mãe, meu maior exemplo de força silenciosa, e às mulheres atuárias do passado, presente e futuro — que cada fórmula seja também um ato de coragem.

Epígrafe

“A ciência é mais do que um corpo de conhecimento; é uma maneira de pensar.”

— Carl Sagan

Sumário

  1. Introdução
  2. O que são Ciências Atuariais
  3. O Espaço das Mulheres nas Ciências Atuariais
  4. Dados Estatísticos no Brasil e no Mundo Gráfico: Participação Feminina nas Ciências Atuariais
  5. Atuárias que Fizeram História no Mundo
  6. Atuárias Destaque no Mundo
  7. Desafios e Caminhos para a Equidade
  8. Considerações Finais
  9. Referências

1. Introdução

Historicamente sub-representadas nos campos das chamadas áreas STEM — Science, Technology, Engineering and Mathematics — as mulheres vêm conquistando espaço crescente. Na versão ampliada, o acrônimo transforma-se em STEAM, incluindo as Artes (Arts), enfatizando a criatividade e interdisciplinaridade.

Campos STEAM: são áreas do conhecimento que têm sido prioridade em políticas educacionais e científicas ao redor do mundo. A sigla vem do inglês e representa:

S — Science (Ciência)

T — Technology (Tecnologia)

E — Engineering (Engenharia)

A — Arts (Artes) (inclusão opcional)

M — Mathematics (Matemática)

No campo atuarial — uma ciência baseada em modelagens estatísticas, avaliações de risco e matemática financeira — a presença feminina avança, embora desafios estruturais persistam. Este artigo explora a trajetória de mulheres na Ciência Atuarial, com destaque à liderança, obstáculos e exemplos inspiradores.

2. O que são Ciências Atuariais

As Ciências Atuariais constituem um campo interdisciplinar aplicado que combina fundamentos de matemática, estatística, economia, finanças e demografia para mensurar e gerenciar riscos envolvidos em eventos incertos de longo prazo, como aposentadoria, sobrevivência, invalidez, morte, doenças, sinistros e investimentos.

De acordo com o Decreto-Lei nº 806/1969, que regulamenta a profissão no Brasil, a atuação do atuário é essencial na elaboração de planos, no cálculo de reservas técnicas e na tarifação de produtos oferecidos por entidades seguradoras, operadoras de saúde, fundos de pensão, instituições de previdência complementar e empresas de capitalização.

Importância Estratégica

O papel do atuário vai muito além da simples precificação de riscos. Ele é considerado o profissional técnico do risco, cuja atuação é estratégica na construção de sistemas sustentáveis de proteção social e financeira. Sua contribuição é fundamental para:

  • Garantir o equilíbrio atuarial de fundos e planos;
  • Definir políticas de precificação e de cobertura de riscos;
  • Avaliar a solvência e sustentabilidade de instituições seguradoras e previdenciárias;
  • Apoiar decisões judiciais por meio de perícias atuariais;
  • Monitorar impactos econômicos e demográficos em contratos de longo prazo.

Campos de Aplicação

As Ciências Atuariais encontram aplicação prática em diversos setores, incluindo:

Previdência complementar (aberta e fechada);

  • Seguros de pessoas e patrimoniais;
  • Saúde suplementar (planos de saúde e auditorias);
  • Resseguro e retrocessão;
  • Mercado financeiro e capitalização;
  • Perícia judicial e extrajudicial;
  • Gestão de riscos e compliance regulatório;
  • Avaliações contábeis e atuariais conforme IFRS e CPCs.

Formação e Profissão

O exercício da profissão é exclusivo de bacharéis em Ciências Atuariais, curso de nível superior que abrange disciplinas como Cálculo, Probabilidade, Teoria do Risco, Finanças, Demografia, Modelos Estocásticos e Contabilidade. No Brasil, o registro profissional é feito junto ao Instituto Brasileiro de Atuária (IBA).

Inserção no Campo STEAM

As Ciências Atuariais integram o conjunto de áreas conhecidas internacionalmente como STEM (Science, Technology, Engineering, Mathematics), sendo frequentemente estendidas para STEAM com a inclusão das artes. Essa categorização reforça a importância estratégica das ciências atuariais nas políticas de inovação, desenvolvimento sustentável e segurança financeira global.

3. O espaço das mulheres nas Ciências Atuariais

As Ciências Atuariais, inseridas no conjunto de campos STEAM (Science, Technology, Engineering, Arts e Mathematics), exigem sólida formação matemática, estatística, econômica e jurídica. Tradicionalmente dominado por homens, esse campo tem vivenciado uma gradual — porém significativa — ascensão de mulheres em todo o mundo.

No Brasil, as mulheres representam hoje cerca de 40% dos atuários com registro ativo, conforme dados do Instituto Brasileiro de Atuária (IBA). Embora a presença feminina nas universidades venha crescendo, especialmente em cursos de Ciências Atuariais ofertados por instituições como a UFPB, UFRGS, UFMG e PUC-SP, ainda há um desafio real de conversão dessa participação acadêmica em presença institucional e técnica em cargos de liderança.

Entre os principais fatores que limitam o avanço das mulheres no setor, destacam-se:

  • A ausência histórica de referências femininas nas salas de aula e conselhos técnicos.
  • O preconceito implícito que associa expertise matemática e financeira a perfis masculinos.
  • A invisibilização da contribuição técnica feminina em consultorias, seguradoras e entidades de previdência.
  • A sobrecarga de funções com jornadas duplas ou triplas que incluem trabalho, casa e maternidade.

Contudo, ao mesmo tempo em que enfrentam esses desafios, mulheres atuárias brasileiras vêm conquistando espaço com qualificação técnica, empreendedorismo e liderança. Exemplo disso é a presença cada vez maior de mulheres:

  • Em perícias judiciais de alta complexidade;
  • Na elaboração de Notas Técnicas Atuariais (NTRP) e pareceres para órgãos reguladores como ANS e SUSEP;
  • Em comissões do IBA, ANSP e da International Actuarial Association (IAA);
  • Em bancas de concursos públicos e eventos técnicos internacionais.

A superação do viés de gênero neste campo técnico é reforçada por políticas de valorização, programas de mentoria e redes de apoio entre atuárias, como o coletivo “Mulheres na Atuária”, que conecta profissionais de todo o país com o objetivo de fortalecimento mútuo, visibilidade e protagonismo.

4. Dados estatísticos no Brasil e no mundo

Brasil

Ainda não há uma estatística nacional consolidada por gênero, mas dados estimativos do Instituto Brasileiro de Atuária (IBA) indicam que cerca de 40% dos atuários registrados são mulheres. Há também indícios de desigualdade salarial: em Macapá, o rendimento anual médio das analistas atuariais mulheres é de R$ 125.700, enquanto os homens ganham cerca de R$ 148.300 — uma diferença aproximada de 18%.

Estados Unidos

Nos EUA, o panorama é mais equilibrado: cerca de 48% dos atuários são mulheres, segundo dados recentes da CareerExplorer CareerExplorer. No entanto, outra fonte mostra que em áreas como contabilidade, apenas 30,5% dos atuários são mulheres Wikipedia.

Austrália

O Australian Actuaries Institute apresenta dados claros sobre a presença feminina:

  • 41% das estudantes de Ciências Atuariais são mulheres
  • Apenas 28% dos Fellows — atuárias totalmente qualificadas — são mulheres, o que indica uma queda significativa na progressão da carreira feminina Writing9+11Atuários+11Wikipedia+11.

Reino Unido (IFoA)

Segundo o relatório do Institute and Faculty of Actuaries (IFoA), as mulheres representam cerca de 39% dos membros registrados, com variações mínimas em não-binários ou sem declaração definida Institute and Faculty of Actuaries.

América do Sul (ex: Colômbia)

No contexto latino-americano, por exemplo, menos de 20% dos atuários são mulheres, de acordo com o UNDP em relatório sobre gestão de risco Wikipedia.

Resumo Comparativo

Gráfico: Participação feminina nas Ciências Atuariais

Fonte: Society of Actuaries, Actuaries Institute of Australia, Actuarial Association of Europe, World Salaries.

Atuárias que fizeram história no mundo

A história da Ciência Atuarial é repleta de contribuições femininas muitas vezes invisibilizadas. No entanto, diversas mulheres em todo o mundo têm quebrado barreiras e assumido posições de protagonismo na área, seja na liderança institucional, na pesquisa, na regulação ou na atuação prática. A seguir, destacam-se algumas das principais referências internacionais e nacionais:

Aenoy Zevaco (França)

Atuária sênior com trajetória na AXA France, é referência em precificação de seguros e em gestão de risco atuarial na Europa. Atua em programas de desenvolvimento feminino no setor.

Cathy Lyn (Jamaica)

Primeira presidente mulher da Caribbean Actuarial Association e uma das primeiras mulheres negras a representar seu país na International Actuarial Association (IAA). Defensora da diversidade racial e de gênero nas profissões STEAM.

Cristina Mano (Brasil)

Com forte atuação em seguros e previdência, é uma das referências da ciência atuarial no Brasil, destacando-se na liderança de projetos técnicos e na formulação de políticas internas de risco em grandes instituições financeiras. Atuou em comissões técnicas do Instituto Brasileiro de Atuária (IBA) e participou de missões internacionais sobre sustentabilidade atuarial. e coautora do livro “Mulheres na Atuária”, iniciativa pioneira que reúne histórias e trajetórias de mulheres brasileiras na profissão.

Maris Gõsman (Brasil)

Atuária líder na regulação de seguros no leste europeu. Com forte atuação técnica no cálculo de solvência, tem defendido a integração de normas internacionais (como IFRS 17) com a prática local. e coautora do livro “Mulheres na Atuária”, iniciativa pioneira que reúne histórias e trajetórias de mulheres brasileiras na profissão.

Magali Rodrigues Zeller (Brasil)

Atuária com domínio multissetorial, com atuação consolidada há mais de 35 anos. empreendedora, acompanhou todas as grandes transformações legais e regulatórias que moldaram o setor, como a Lei Complementar nº 109-108/2001 (que rege a Previdência Complementar) e a Lei nº 9.656/1998 (que regulamenta os planos de saúde privados), bem como a evolução das normas de auditoria atuarial obrigatória para seguradoras e ainda atua como perita atuarial judicial, convidada coautora do livro “Mulheres na Atuária”- Edição o Poder de uma Mentoria, iniciativa pioneira que reúne histórias e trajetórias de mulheres brasileiras na profissão.

Maria Saravia (Peru)

Atuária especialista em microseguros, atuou junto ao BID e à Superintendência de Banca y Seguros do Peru. Tem foco na inclusão atuarial para comunidades indígenas e rurais.

Raquel Marimon (Brasil)

Atuária desde 1997, com forte atuação institucional no Instituto Brasileiro de Atuária (IBA), representante brasileira na Society of Actuaries (SOA) e na International Actuarial Association (IAA). É empreendedora, defensora da presença feminina em cargos estratégicos na área atuarial e coautora do livro “Mulheres na Atuária”, iniciativa pioneira que reúne histórias e trajetórias de mulheres brasileiras na profissão.

Sunil Mathew (Índia)

Embora o nome possa parecer masculino, Sunil é atuária atuante na reforma previdenciária indiana e nos cálculos de subsídios intergeracionais. Referência no sul asiático em equidade atuarial de gênero.

Thereza Moreno (Brasil)

Atuária com ampla atuação em previdência complementar e perícia atuarial no Brasil, Thereza se destacou como referência técnica e acadêmica na década de 2000. Participou de grupos de estudos no Instituto Brasileiro de Atuária (IBA) e colaborou com entidades fechadas na implantação de sistemas de gestão de passivos. Seu legado é marcado pela busca da valorização da mulher no meio técnico e pela mentoria de jovens atuários. e coautora do livro “Mulheres na Atuária”, iniciativa pioneira que reúne histórias e trajetórias de mulheres brasileiras na profissão.

Ulla Koivula (Finlândia)

Atuária e professora universitária, autora de artigos sobre equidade etária em precificação de planos de saúde. Foi a primeira mulher a presidir a Finnish Actuarial Society.

6. Desafios e Caminhos para a Equidade

Ainda há desigualdade de oportunidades, sobretudo nos campos de visibilidade institucional, cargos de liderança e remuneração. Promover a equidade de gênero passa por medidas educacionais, visibilidade de trajetórias femininas e fortalecimento das redes de apoio técnico e institucional.

7. Considerações Finais

A presença e liderança de mulheres nas Ciências Atuariais devem ser celebradas e incentivadas. A trajetória de Magali Zeller, entre outras, demonstra que a excelência técnica feminina está presente nos tribunais, nas universidades, nas seguradoras e nas associações de classe.

8. Referências

  • Society of Actuaries. (2024). International Women’s Day: The Actuarial Edge.
  • Actuarial Association of Europe. (2025). Institutional Reports.
  • World Salaries. (2025). Average Actuarial Analyst Salary by City.
  • Actuaries Institute of Australia. (2023). Inspiring Girls in Actuarial Science.
  • Parent in Science. (2023). Dados e políticas para cientistas mães.
  • Actuaries Institute of Australia. (2023). From Math to Success: Inspiring Girls to Join the Actuarial Profession. Recuperado de https://www.actuaries.asn.au
  • Actuarial Association of Europe. (2024). Gender Diversity in the European Actuarial Profession. Retrieved from https://actuary.eu
  • Instituto Brasileiro de Atuária – IBA. (2024). Dados institucionais sobre a profissão atuarial no Brasil. Acesso em ago. 2025, de https://www.atuarios.org.br
  • Society of Actuaries. (2024). International Women’s Day: The Actuarial Edge. Recuperado de https://www.soa.org
  • World Salaries. (2025). Actuarial Analyst Salaries – Brazil. Retrieved from https://www.worldsalaries.com
  • U.S. Bureau of Labor Statistics. (2023). Occupational Outlook Handbook: Actuaries. Retrieved from https://www.bls.gov/ooh/math/actuaries.htm
Magali Zeller
Socia Responsável pela área Atuarial at AT Service Eng. e Consultoria Atuarial Ltda.

Executiva do mercado atuarial, iniciou sua carreira no segmento de previdência complementar, posteriormente ingressou no segmento de seguros vida e não vida, capitalização, resseguros até chegar ao segmento de saúde suplementar, com domínio do marco regulatório e seus impactos além de ser certificada como auditora atuarial até 2025. Desde 1993 na AT Service Consultoria Atuarial com amplo conhecimento técnico e experiência na especificação e desenvolvimento de soluções inovadoras para seu negócio.

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