Mulher

Executiva defende diversidade como estratégia e coragem para transformar um setor historicamente masculino

A chegada de Patricia Freitas ao cargo de CEO da Prudential do Brasil carrega um significado que vai além da ascensão profissional. Sua trajetória não começou no setor de seguros, mas foi justamente o desafio de ingressar em uma indústria tradicional e altamente regulada que despertou seu senso de propósito. Ao aceitar o convite para integrar a companhia, ela enxergou a oportunidade de fazer diferença, aprender rapidamente e ocupar novos espaços com representatividade. Para Patricia, liderar nunca foi apenas sobre o cargo, mas sobre dar sentido à própria jornada e construir impacto real a partir das pessoas.

Essa visão molda uma liderança orientada por propósito, colaboração e desenvolvimento de talentos. Patricia acredita que o crescimento profissional acontece quando há energia para fazer acontecer, preparo contínuo e resiliência para enfrentar contextos adversos. Em sua gestão, os resultados são consequência do esforço coletivo e da construção de times diversos, engajados e alinhados. Colocar as pessoas no centro das decisões, segundo ela, é o caminho para gerar impacto positivo e deixar um legado de desenvolvimento, inclusão e transformação no setor.

A experiência como mulher influenciou diretamente seu estilo de liderança, especialmente na forma de ouvir e agir. Para Patricia, a escuta ativa é indispensável, mas precisa estar orientada à ação concreta. Criar ambientes seguros, onde as pessoas se sintam confortáveis para contribuir e se desenvolver, faz parte de sua agenda diária. Ao longo da carreira, também aprendeu a importância da resiliência diante das mudanças constantes e das adversidades, além da necessidade de combinar direção clara com flexibilidade para ajustar rotas. Comunicação transparente e corajosa é, em sua visão, um pilar essencial para garantir confiança, entendimento e engajamento das equipes.

Mesmo com avanços relevantes na agenda de diversidade, Patricia avalia que o principal desafio para mulheres em posições de alta liderança ainda está no acesso às oportunidades. Não se trata de falta de competência ou preparo, mas de garantir visibilidade, participação em projetos estratégicos e trajetórias de desenvolvimento mais estruturadas ao longo da carreira. Para acelerar esse avanço, ela defende que diversidade deixe de ser apenas um discurso e passe a integrar, de forma concreta, a cultura e a estratégia das empresas.

Nesse contexto, iniciativas de diálogo e colaboração ganham relevância. Patricia destaca encontros periódicos entre CEOs mulheres e a Susep, promovidos duas vezes ao ano, como espaços fundamentais para ampliar a representatividade e fortalecer redes de liderança feminina. Quando regulador, entidades setoriais e empresas se unem em torno dessa agenda, surgem condições reais para transformar o setor. A Prudential, segundo ela, apoia essas ações por acreditar que diversidade é um elemento-chave para a evolução sustentável do mercado e para ampliar o acesso dos brasileiros à proteção financeira.

Olhando para 2026, Patricia enxerga o setor de seguros em plena transformação estrutural. A combinação entre evolução regulatória, uso intensivo de dados, inteligência artificial e a intensificação dos riscos climáticos e de saúde tende a redefinir tanto o desenho dos produtos quanto a relação do cliente com o seguro. Um dos movimentos estratégicos mais relevantes nesse processo é o Plano de Desenvolvimento do Mercado de Seguros, liderado pela CNseg em parceria com as seguradoras, com o objetivo de ampliar o alcance da proteção no país, fortalecer a gestão de riscos e aproximar o setor das necessidades reais da sociedade brasileira.

Na Prudential, essa transformação passa, antes de tudo, por pessoas e liderança. A companhia segue investindo de forma consistente no desenvolvimento de seus times, em tecnologia, inovação e produtos, sempre com foco nas necessidades dos clientes. Um reflexo concreto dessa estratégia é o fato de que cerca de 90% dos benefícios pagos atualmente pela seguradora acontecem em vida, reforçando o compromisso de oferecer soluções personalizadas que acompanham os clientes ao longo de suas trajetórias.

Para as mulheres que almejam posições executivas, especialmente na indústria de seguros, Patricia destaca competências que considera fundamentais: pensamento estratégico, capacidade analítica, tomada de decisão baseada em dados e habilidade para liderar equipes diversas e intergeracionais. Mas ressalta que atitudes e escolhas também são decisivas. Coragem para assumir riscos, aprendizado contínuo, curiosidade intelectual e networking estratégico são fatores que ampliam repertório, fortalecem a visão de negócios e contribuem para uma liderança mais consistente.

Ao refletir sobre o início de sua carreira, Patricia afirma que gostaria de ter ouvido que liderança é uma construção diária. Investir em autoconhecimento, manter consistência nas entregas e alinhar propósito com impacto social são, para ela, elementos que fazem toda a diferença para quem deseja ocupar posições executivas com relevância e transformar, de forma duradoura, o setor de seguros.

Fonte: Sonho Seguro – Denise Bueno

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