Especial de seguro aborda desafios e oportunidades
O Valor Econômico publicou seu Especial de Seguros, com um amplo retrato das transformações em curso no mercado e das perspectivas para 2027. Depois de um ano marcado pelo impacto da tributação sobre a previdência privada, juros elevados e endividamento das famílias, o setor se prepara para retomar um ritmo mais forte de expansão, apoiado também na recuperação dos resultados das grandes seguradoras.
Os números da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), segundo o presidente Edson Franco, não deixam dúvidas sobre o impacto negativo da cobrança de IOF sobre o mercado de previdência aberta no país. “Mesmo para a faixa inferior a R$ 600 mil, que é isenta de cobrança, houve redução média de 15%. A insegurança regulatória gerada pela medida afetou a percepção geral sobre o produto”, diz Franco.
O especial mostra que, mesmo diante das incertezas eleitorais, econômicas e geopolíticas, a indústria mantém perspectivas de crescimento, favorecida pela ainda baixa penetração dos seguros no Brasil. Ao mesmo tempo, novas demandas estão redesenhando produtos e modelos de negócios, da expansão dos veículos eletrificados e dos seguros para novos nichos ao avanço da inteligência artificial, que já é utilizada por 80% das seguradoras brasileiras.
O impacto da AI nas operações tem impulsionado o resultado das companhias. Na Zurich, o prazo médio de aprovação de sinistros em automóveis caiu de nove dias para apenas um, graças à avaliação de danos por fotos enviadas pelo segurado, lista de peças e cálculo de horas necessárias para o reparo, tudo por IA – casos mais simples atendidos pela rede referenciada podem ser validados automaticamente. “Mais de 50% dos sinistros da empresa são regulados e pagos sem intervenção humana, com destaque para as linhas pessoais”, diz o diretor executivo de operações e tecnologia, Marcelo Alvalá.
Entre os grandes temas estão ainda os desafios do seguro rural, os efeitos do IOF sobre a previdência privada, o crescimento do seguro de vida, a transformação da saúde suplementar e as mudanças trazidas pela reforma tributária. Resseguro, seguro garantia, corretagem e insurtechs também ganham espaço diante de um ambiente regulatório e tecnológico em rápida transformação.
A recuperação da previdência será um dos principais testes. A Bradesco Seguros prevê retomada gradual do VGBL, acompanhada da diversificação dos produtos. No primeiro semestre, o grupo registrou lucro líquido de R$ 5,7 bilhões, crescimento de 20,4%, enquanto o resultado das operações de seguros, previdência e capitalização avançou 14,1%. “Vemos espaço para uma retomada gradual do VGBL, à medida que os clientes retomem decisões de alocação de recursos com uma visão de longo prazo”, afirma Ney Ferraz Dias, CEO da Bradseg.
Para 2027, a estratégia de todo o grupo segurador, que representa mais de 35% do ganho do banco Bradesco, seguirá focada em ampliar a geração de valor para clientes, parceiros e demais stakeholders, diz. “Estamos trabalhando para antecipar tendências, inovar e adaptar produtos, serviços e experiências às novas necessidades dos clientes”.
Fonte: Sonho Seguro / Valor Econômico
