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Equidade de Gênero no Trabalho: Liderança, Saúde Mental e Transformação Social

Por: Sheila Ferreira

A equidade de gênero no mercado de trabalho representa um dos principais desafios para organizações que buscam inovação, sustentabilidade e competitividade. No mercado segurador brasileiro, embora a participação feminina tenha crescido nas áreas técnicas, comerciais e de relacionamento, ainda persistem desigualdades relacionadas ao acesso à liderança, à remuneração e à sucessão em posições estratégicas. Segundo o Global Gender Gap Report 2025, do Fórum Econômico Mundial (WEF), a igualdade de gênero ainda demandará várias gerações para ser alcançada. No Brasil, dados do IBGE e da ONU Mulheres demonstram que as mulheres continuam assumindo a maior parcela do trabalho não remunerado e permanecem sub-representadas nos níveis decisórios, realidade que influencia diretamente suas trajetórias profissionais.

Promover equidade vai além da ampliação da representatividade feminina. Significa construir ambientes que assegurem igualdade de oportunidades, desenvolvimento de carreira, reconhecimento e participação nos processos decisórios. Isso requer políticas transparentes de recrutamento, remuneração, promoção e sucessão, capazes de reduzir vieses e ampliar o acesso de diferentes perfis à liderança.

Nesse contexto, a liderança exerce papel estratégico na transformação da cultura organizacional. Gestores influenciam decisões, desenvolvem talentos e fortalecem ambientes psicologicamente seguros, favorecendo inovação, confiança e melhores resultados. Entretanto, a crescente preocupação com a saúde mental nas empresas traz uma reflexão necessária: quem cuida de quem cuida? Mulheres em posições de liderança frequentemente acumulam múltiplas responsabilidades profissionais, familiares e sociais, além da pressão constante por desempenho. Espera-se, muitas vezes, que sejam naturalmente acolhedoras e promotoras da sororidade, mas essa expectativa ignora que também estão submetidas às mesmas estruturas competitivas e ao desgaste emocional presentes nas organizações.

Mais do que uma característica individual, a sororidade depende de uma cultura que valorize colaboração, desenvolvimento coletivo e segurança psicológica. Nesse cenário, os grupos de afinidade consolidam-se como importantes instrumentos da agenda ESG e da estratégia de Diversidade, Equidade e Inclusão. Redes dedicadas à equidade de gênero, diversidade multirracial, gerações, população LGBTQIA+ e pessoas com deficiência (workability) promovem escuta ativa, pertencimento, troca de experiências e desenvolvimento de lideranças mais conscientes. Quando apoiados pela alta gestão, esses grupos fortalecem a governança, ampliam a retenção de talentos, reduzem riscos psicossociais e contribuem para ambientes mais inclusivos.

Sob a perspectiva dos negócios, investir em equidade também representa uma estratégia de gestão de riscos e geração de valor. O estudo Women in the Workplace 2024, da McKinsey & Company, demonstra que organizações com maior diversidade de gênero apresentam melhor capacidade de inovação, maior retenção de talentos e decisões mais eficazes. Para o mercado segurador, cuja essência está na gestão de riscos, equipes diversas ampliam a compreensão das necessidades dos clientes, fortalecem a tomada de decisão e favorecem soluções mais sustentáveis.

Conclui-se que construir organizações mais equitativas exige compromisso permanente das lideranças, fortalecimento da saúde mental, revisão de práticas institucionais e investimento em culturas inclusivas. Mais do que uma pauta social, a equidade de gênero tornou-se um diferencial estratégico para integrar liderança, mercado e impacto social. A provocação permanece: quem cuida de quem cuida? Talvez a resposta esteja na construção de organizações onde a diversidade seja acompanhada por pertencimento, apoio mútuo e desenvolvimento coletivo, permitindo que pessoas e negócios prosperem de forma sustentável.

Sheila Ferreira
Gerente Benefícios e Bem-Estar na WTW - Willis Towers Watson

heila Ferreira Pinto é Mestranda em Comunicação, Cultura e Territorialidade (UFF), MBA em Gestão de Saúde e Healthcare e MBA em Gestão Comercial e Marketing (UNEED), pesquisadora das relações entre gênero, liderança, tecnologia, diversidade e mercado de trabalho. Atua há mais de 20 anos no mercado segurador brasileiro, com sólida experiência em Saúde e Benefícios Corporativos, Inteligência de Mercado, Desenvolvimento de Negócios, Gestão Comercial, Planejamento Estratégico e Liderança de Equipes. Ao longo de sua trajetória, desenvolveu projetos voltados à gestão de benefícios, bem-estar, saúde corporativa, análise de dados, ESG e relacionamento com clientes, conciliando visão estratégica e foco em pessoas. Também atua como docente em cursos livres e workshops nas áreas de negociação, comunicação, liderança, marketing, vendas e desenvolvimento profissional. Defende uma liderança pautada na ética, na empatia, na inovação e na valorização do capital humano, acreditando que organizações mais diversas e inclusivas são também mais sustentáveis, competitivas e capazes de gerar impacto social positivo.

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