Mercado de Seguros

Corretagem acelera consolidação no mercado brasileiro

O mercado de corretagem de seguros no Brasil, que reúne mais de 150 mil empresas cadastradas na Superintendência de Seguros Privados (Susep), passa por uma reorganização marcada pela consolidação de grandes grupos, avanço da tecnologia e mudança no papel do corretor, segundo informações do Valor Econômico. Em um ambiente mais competitivo, escala, especialização e integração de serviços se tornaram diferenciais centrais para o crescimento.

Esse movimento é mais visível entre as grandes corretoras, alinhado a uma tendência global de transformação do modelo de atuação. A Marsh Brasil destaca que a corretagem evolui de uma função focada na intermediação para uma atuação mais estratégica, voltada à consultoria de riscos. “Nossa função como advisor é mapear cenários, estruturar planos de continuidade e oferecer soluções de transferência de risco que protejam de fato as operações de nossos clientes. Essa escuta ativa nos permite antecipar demandas e desenvolver produto e serviço antes que o problema se torne crítico para o cliente”, afirma Paula Lopes, CEO da empresa.

Na mesma linha, Eduardo Takahashi, country leader da WTW no Brasil, avalia que o crescimento do setor está cada vez mais ligado à capacidade de atender demandas específicas de diferentes indústrias, conforme informações do Valor Econômico. “Nesse cenário, programas cyber, soluções de responsabilidade e modelos integrados de resiliência passam a ser componentes centrais dessas operações, especialmente quando combinados a projetos de energia renovável, que buscam garantir estabilidade, eficiência e sustentabilidade no fornecimento energético”, diz.

Para Ariel Couto, CEO da MDS Brasil, a evolução da corretagem reflete uma combinação de demanda mais sofisticada, avanço tecnológico e maior competitividade. A empresa realizou 17 aquisições no país nos últimos sete anos, ampliando sua presença e diversificando a oferta. Segundo ele, o desafio agora é integrar essas capacidades para fortalecer uma atuação consultiva sem perder proximidade com o cliente.

Na Alper, o entendimento é semelhante, mas com foco na transformação da concorrência. Para Marcos Couto, CEO da companhia, a disputa deixou de ser apenas por preço ou carteira e passou a envolver o modelo de negócio. “Não há mais espaço para atuação fragmentada ou puramente transacional, porque o cliente exige visão integrada, capacidade consultiva e soluções compatíveis com a complexidade do próprio negócio”, afirma. Ele destaca que as aquisições também têm como objetivo incorporar conhecimento técnico e ampliar o acesso a novos segmentos.

A transformação também atinge a base do mercado. Presidente do Sincor-SP, Boris Ber afirma que a corretagem vive uma nova fase de profissionalização, impulsionada pela tecnologia e pela necessidade de adaptação. “A inteligência artificial não substituirá o corretor, mas tende a ampliar a vantagem competitiva de quem souber incorporá-la ao negócio”, diz.

Nesse contexto, as assessorias ganham protagonismo no suporte a pequenos e médios corretores, movimento que também reflete a reorganização do setor apontada pelo Valor Econômico. Hélio Opipari Junior, sócio-fundador da Opipari Assessoria em Seguros, destaca que essas estruturas passaram a exercer um papel estratégico. Ao oferecer portfólio mais amplo, suporte técnico, tecnologia e backoffice, permitem que corretores menores atuem de forma mais competitiva, além de liberar tempo para foco no relacionamento com o cliente e na geração de negócios.

Fonte: CQCS

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