Brasil avança em igualdade de gênero, mas representação política de mulheres segue estagnada
O Brasil registra avanços consistentes em diversos indicadores de igualdade de gênero, mas a baixa representação de mulheres na política nacional continua sendo o principal entrave ao cumprimento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5 (ODS 5). É o que aponta o Sustainable Development Report 2026, publicado pela Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável (SDSN), que avalia o desempenho de 169 países frente à Agenda 2030.
Segundo o levantamento, as mulheres ocupam apenas 17,2% das cadeiras no parlamento brasileiro, indicador classificado como estagnado, sem evolução relevante no período recente. O patamar está muito abaixo da paridade, referência que o relatório adota como meta plena para essa dimensão. É o único indicador do ODS 5 em que o país não avança.
O contraste com as demais frentes é expressivo. O Brasil aparece em rota de cumprimento em três indicadores centrais da igualdade de gênero. A demanda por planejamento familiar atendida por métodos modernos chega a 89,8% das mulheres em idade reprodutiva. Na educação, a razão entre anos médios de estudo de mulheres e homens é de 105,5%, ou seja, as mulheres já superam os homens em escolaridade média. Na economia, a participação feminina na força de trabalho equivale a 72,8% da masculina, também em trajetória de melhora.
O desempenho no ODS 5 acompanha o quadro geral do país na Agenda 2030. O Brasil ocupa a 53ª posição entre 169 nações no índice consolidado, com pontuação de 74,2, acima da média da América Latina e do Caribe, e acumula ganho de 4,3 pontos desde 2015.
Um desafio global
O avanço desigual do Brasil reflete uma tendência internacional. O relatório estima que menos de 20% das metas dos ODS estão em rota de cumprimento no mundo, e reafirma que a igualdade de gênero é condição indispensável para o desenvolvimento sustentável. O documento também alerta para a regressão de direitos de mulheres em contextos de conflito e de cortes orçamentários.
Entre os obstáculos estruturais, o estudo destaca uma lacuna crítica: a ausência de dados internacionais comparáveis sobre violência contra as mulheres. A limitação, reconhecida pelos próprios organismos internacionais, dificulta o monitoramento de uma das expressões mais graves da desigualdade de gênero e reforça a necessidade de investimento em sistemas de mensuração.
Fonte: ONU Mulheres
