Bradesco e Brasilprev têm quase 80% do mercado
A expansão do segmento de planos para jovens e crianças vem surpreendendo até os executivos do setor. Com um peso ao redor 6% do total de captações do mercado de previdência privada, há um grande potencial para crescimento dessa modalidade. Com isso, a concorrência tem ficado mais acirrada.
Por enquanto, o segmento ainda é um dos mais concentrados entre os nichos deste mercado. Entre janeiro e maio deste ano, a Bradesco Vida e Previdência respondeu por 46,7% do total da receita acumulada para o segmento. Em seguida, ficou a Brasilprev Vida e Previdência , com 29,5%. Juntas, as duas empresas representaram 76,2% do total. No ranking do segmento, a terceira e a quarta posições ficaram, respectivamente, com a Itaú Vida e Previdência, com 12,3%, e Caixa Vida e Previdência, com 4,8%.
Para os especialistas, o setor, embora ainda esteja longe dos patamares alcançados em alguns países, já atingiu um grau de maturidade suficiente para partir para a segmentação. Para Renato Russo, vice-presidente de Vida e Previdência da SulAmérica, as empresas passam a criar produtos para atender demandas específicas. “Há uma convergência de interesses. Previdência vinculada à aposentadoria até há pouco tempo era o mais óbvio. Mas as pessoas têm procurado os planos de previdência para outros objetivos, destinados, por exemplo, ao custeio de gastos com saúde e educação. E as empresas têm criado produtos que atendem a essas demandas”, afirma. A sofisticação e segmentação, aliás, é uma das explicações para o bom desempenho do setor de previdência, pois uma estratégia importante das companhias tem sido a de flexibilizar e aperfeiçoar os planos oferecidos para alcançar clientes com os mais diferentes perfis.
Além da procura por planos para menores, outro movimento importante é a crescente procura por produtos por jovens de 21 e 35 anos. Segundo levantamento realizado pela SulAmérica em 2008, a média de idade de quem investe em previdência já está em 33 anos. Em 2000, a faixa etária girava em torno de 42 anos.
Na Icatu Hartford, entre 2005 e 2008, a média de idade caiu de 37,1 anos para 31,6 anos. São jovens profissionais que vêem a previdência como uma poupança de longo prazo para aquisição futura de carro, viagens, ou para a abertura do próprio negócio.
Além da queda da média de idade, vale destacar também o crescente aumento da participação das mulheres. O mesmo levantamento da SulAmérica apurou que elas já respondem por 50% da carteira de clientes individuais da empresa, atualmente composta por cerca de 100 mil pessoas. Em 1994, elas eram 29%. Cada vez mais arrojadas, um terço delas já aplicam em planos de previdência com renda variável na composição.
A mulher tem também peso decisivo na hora da aquisição do plano de previdência para a família e, segundo os executivos do setor, são as maiores responsáveis pela aumento da venda de planos para crianças. Para o diretor de produtos de mercado da Brasilprev, José Eduardo Vaz Guimarães, a mulher se mostra mais interessada em adquirir planos para os filhos. “A mulher é mais sensível para estes produtos e, atualmente, é a consumidora que compra na idade mais tenra, ao redor dos 30 anos, enquanto que entre os homens, a procura começa aos 34 anos”.
Fonte: Valor