Black Friday: confiança dos empresários atinge menor nível desde 2021
Os empresários do comércio chegam ao último e mais atrativo trimestre para o setor com menos planos de expansão e contratação. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e divulgado na quinta-feira (29), registrou um recuo de 2,7% em outubro, resultado das incertezas do período eleitoral. Essa foi a quarta queda consecutiva e a mais intensa desde julho, já descontados os efeitos sazonais. Com este resultado, o indicador reduziu para os 96,7 pontos, ficando abaixo do nível de neutralidade e atingindo o valor mais baixo desde maio de 2021, quando marcou 94,5 pontos.
O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, avalia a insegurança dos empresários no começo do trimestre em que deveriam estar ampliando seus investimentos. “O comércio acende um alerta para todo o País ao entrar no período mais lucrativo do calendário, sob cautela. Quando o empresário pisa no freio das contratações e dos investimentos, toda economia desacelera, reflexo direto das incertezas nos âmbitos fiscal e monetário que travam as decisões de negócios neste último trimestre”, analisa. “Para aproveitarmos essas datas comerciais e gerar crescimento sustentável, é preciso previsibilidade e segurança jurídica, além de políticas monetárias que reduzam os custos das operações do setor. O comércio quer expandir e gerar postos de trabalho, mas precisa de um ambiente mais favorável para manter o crescimento”, reforça Tadros.
A retração impactou diretamente a preparação para as vendas de fim de ano. A Intenção de Contratação de Funcionários caiu 2,8% no mês, sendo o principal componente da queda no subíndice de investimentos, que manteve a trajetória de redução e recuou 2,4% em outubro, fixando-se nos 98,9 pontos. Na comparação anual, as intenções de investimento apresentam recuo de 1,8%. A incerteza da economia brasileira, fruto da instabilidade que marcou o período eleitoral, somada às incertezas nos âmbitos fiscal e monetário, afetou diretamente estes indicadores. Paralelamente, os investimentos na própria empresa também sofreram uma redução de 2,7% face ao mês anterior e de 4,4% na variação anual.
Fonte: CNC
