Aumenta número de mulheres à frente de seguradoras
A presença feminina no comando das seguradoras ganha densidade no mercado brasileiro num momento em que o setor discute crescimento, inovação, governança e adaptação a riscos mais complexos. “Em termos aproximados, para cada dois diretores homens, há uma diretora mulher. Há dez anos, essa relação era maior, de quatro para um. Um progresso, sem dúvida”, cita Maria Helena Monteiro, diretora da Escola de Negócios e Seguros (ENS) e co-autora de estudo sobre a participação feminina na área, traz o especial Mulheres e Negócios, publicado pelo Valor Econômico.
Além das três entrevistadas que estampam a matéria — Erika Medici(AXA no Brasil), Patricia Freitas (Prudential do Brasil) e Juliana Alves (Swiss Reno Brasil), Patricia Chacon, que assumiu o comando da Porto Seguros, em janeiro deste ano, traz renovação de gestão com um traço histórico que o CEO da holding, Paulo Kakinoff, já definiu como a “alma feminina” da companhia. A referência remete à influência de Rosa Garfinkel, apontada como central na formação da cultura de cuidado que, segundo a narrativa institucional do grupo, permanece na essência da marca.
Para Chacon, o diferencial competitivo continua ancorado no atendimento ao cliente nos momentos mais delicados, e cita como exemplo o “15 Minutos”, serviço iniciado pela Porto Auto em São Paulo para garantir assistência veicular entre 22h e 5h em até 15 minutos, com desconto na renovação se o prazo não for cumprido. A executiva também ressaltou a importância de ampliar a presença feminina nos espaços de decisão. A Porto foi a primeira da B3, em 2025, a ter maioria de mulheres no conselho de administração: 57,1%.
Hoje, o mercado reúne 10 mulheres no comando entre seguradoras e resseguradora no país. Além das citadas acima, temos Ângela Assis (Brasilprev),Cristina Salazar (CESCEBRASIL), Sany Silveira (CNP Seguradora Seguros Holding Brasil), Claudia Lopes (Sancor Seguros Brasil), Camila Kataguiri (Pier Seguradora), Raquel Reis (SulAmérica e Odonto). O grupo segue pequeno para o porte da indústria, com mais de 140 seguradoras, 13 entidades de previdência, 19 empresas de capitalização e 124 resseguradoras, mas ajuda a dar visibilidade a uma mudança que começa a se refletir não apenas no discurso corporativo, mas em estratégia, produto e governança.
O consultor e co-autor do estudo da ENS, Francisco Galiza, comenta que fora das seguradoras, o movimento já alcança corretoras, prestadores de serviço e entidades, mas o topo da indústria ainda permanece majoritariamente masculino. “A ampliação da presença feminina no comando deixa de ser apenas um marcador de inclusão. Passa a ser também uma sinalização de como as seguradoras querem competir: com mais repertório para ler o cliente, mais cuidado na tomada de decisão e maior capacidade de adaptação em um mercado que exige escala, eficiência e confiança”, conclui.
Fonte: Sonho Seguro, com informações do Valor
