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A Veia que Eu Não Sabia que Tinha

Por Vera Victor

Minha trajetória na área comercial de seguros não nasceu de um plano, mas de escolhas de vida que, olhando para trás, formam um desenho que eu jamais teria ousado projetar. Comecei como economista, formada pela UFRJ, com uma vida acadêmica intensa, mais próxima dos livros do que das pessoas. Ninguém apostaria que eu terminaria construindo carreira em vendas.

A primeira virada veio com o casamento, logo após a formatura. Ao acompanhar meu primeiro marido, diplomata formado pelo Instituto Rio Branco, passei a circular por ambientes bem diferentes dos que eu conhecia. Foi ali, sem perceber, que aprendi algo que nenhuma faculdade ensina: a arte de me relacionar, de ouvir, de construir pontes entre mundos distintos.

Esse capítulo chegou ao fim, e já divorciada, voltei para o Rio. Recomeçar, eu descobriria com o tempo, seria o verbo que mais definiria minha vida.

Foi ao lado do meu atual marido, que enxergou em mim uma inquietação que eu nem sabia nomear, que tomei a decisão que mudaria tudo: pedi demissão do setor público e entrei de cabeça na iniciativa privada. Passei alguns anos no mercado financeiro, até esbarrar num de seus braços mais interessantes: a indústria de seguros.

Diante de uma reestruturação, aceitei um plano de demissão voluntária, não por estratégia, mas para continuar no Rio. Havia um motivo maior do que qualquer ambição profissional: o nascimento do meu primeiro filho.

Foi nessa encruzilhada, entre maternidade e reinvenção, que entrei de fato para o seguro. Um diretor da mesma instituição também tinha aderido ao plano e decidido abrir uma gestora. Desse encontro quase por acaso, tudo começou. Fui convidada a abrir a corretora do grupo, aproveitando uma carteira de clientes já construída. Do meu jeito metódico, fiz antes o curso da Funenseg, onde me saí muito bem, para só então começar a vender seguros de verdade.


Confesso que eu mesma não entendia o que aqueles diretores tinham enxergado em mim: uma veia comercial. Havia ali um talento adormecido que eu desconhecia. Foi assim que me apaixonei por esse segmento.

Como no mercado financeiro, o setor de seguros era, e em alguns segmentos ainda são dominados por homens. Foi nesse cenário que topei um novo desafio: trocar de lado, saindo da corretora para o comercial de uma seguradora. No processo seletivo, eu era a única mulher entre os candidatos. Acho que ter sido corretora jogou a meu favor, pois  eu já tinha sentado do outro lado do balcão, e sabia como aquele lado enxergava o cliente.


Como executiva de seguradora, pude atender corretores de grandes riscos em vários estados do Brasil, experiência que ampliou de vez minha visão do mercado.

Mais uma vez, priorizei a vida pessoal. Acompanhei minha família em uma mudança para Brasília, deixando o cargo de primeira superintendente comercial mulher de uma grande seguradora, título que carrego com orgulho, mesmo tendo aberto mão dele por vontade própria. Tive sorte: recebi uma proposta para ser risk manager em uma grande empresa de telecomunicações, experiência essencial para meu repertório comercial.

Ao mesmo tempo, embarquei em outro projeto pessoal: ser mãe de novo. Não foi fácil. Enfrentei dificuldades para engravidar e, depois de um tratamento vivido com muita força e resiliência, nasceu minha filha, uma temporona que me deu a chance de me reinventar mais uma vez, entre os desafios da maternidade e a volta ao Rio, já como diretora comercial, em grandes corretoras nacionais e multinacionais.

Olhando para trás, vejo que minha formação acadêmica e minha história pessoal se entrelaçaram para revelar algo que dormia em mim: uma vocação comercial que carrego até hoje. Foco, curiosidade, interesse genuíno pelas pessoas, a vivência nos três lados do mercado — cliente, seguradora e corretora — e, acima de tudo, resiliência: foi disso que fui feita.

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