Páscoa chega mais cedo e varejo e indústria estão mais cautelosos
As perspectivas do varejo e das indústrias para a Páscoa neste ano não são muito animadoras. Um dos maiores problemas é o calendário antecipado – o evento será comemorado no dia 23 de março quando, normalmente, acontece em abril. A não ser por uma eventualidade, o clima ainda deve estar muito quente nesta época do ano, o que é desfavorável para o consumo dos produtos sazonais de Páscoa, como chocolates, bacalhau e vinhos. Para driblar os obstáculos, as indústrias anteciparam as negociações com o varejo, que também se preparou com antecedência para o evento. Depois do Natal, o Carnaval e Páscoa são as duas datas mais importantes em vendas para o varejo de alimentos.
Os produtos sazonais de Páscoa, em especial os chocolates e os pescados, exigem uma estrutura de armazenamento refrigerada. Com o calor, os custos com manutenção desses equipamentos será maior, tanto nos depósitos quanto nas lojas. “O armazenamento é um aspecto chave. O Carrefour investiu neste ano na cadeia de frio para manter a qualidade dos ovos de chocolate”, afirmou Karim Nabi, diretor da divisão de produtos de grande consumo da varejista.
Neste ponto, as grandes redes de supermercados levaram vantagem nas negociações com as fabricantes, já que os pequenos varejistas não têm a mesma estrutura de refrigeração. O Grupo Pão de Açúcar já começou a colocar ovos de Páscoa nas lojas este mês. A rede está ofertando primeiro ovos pequenos, de 40 e 80 gramas, conhecidos como “sossega-criança”, de marca própria, enquanto os ovos dos grandes fabricantes chegarão depois do carnaval. Para os produtos não derreterem nas gôndolas, a rede optou por fracionar mais o abastecimento. O produto vai ficar mais tempo no centro de distribuição, refrigerado, e menos tempo nas lojas. Em 45 dias, período que dura as vendas de Páscoa, as lojas receberão cinco lotes de chocolates, em vez dos tradicionais três, diz Alexandra Jakob Santos, diretora de marcas próprias do grupo.
Outro problema serão os preços. Houve uma quebra na safra de cacau em 2007, o que comprometeu a oferta de licor e manteiga. Os preços da amêndoa no mercado futuro de Nova York (EUA) subiram 23% no ano passado, encerrando o período a US$ 2.038 a tonelada. Como conseqüência, a fabricante paulista de chocolates Montevérgine reajustou em cerca de 7% os preços dos ovos nesta Páscoa, diz João Rafael Alterio, diretor comercial da empresa.
“Aumentamos a produção em torno de 7%, chegando a 320 toneladas de chocolate nesta Páscoa, mas não teremos o mesmo salto nas vendas observado em 2007”, diz Alterio, lembrando a alta de 30% na receita no ano passado. Agora, ele espera faturamento 15% maior. Além do calor, o calendário traz outro fator adverso ao consumo de chocolates. A Páscoa ficou muito próxima do início das aulas, período que gera despesas extras no orçamento familiar.
“Para compensar os fatores negativos, o Carrefour fará um esforço comercial adicional nesta Páscoa para manter as vendas”, diz Nabi. As compras parceladas, a oferta de produtos mais em conta e uma maior diversidade no sortimento são os pilares na estratégia da varejista, que pretende se manter entre as três maiores revendedoras de ovos de Páscoa do país. A campeã é a Lojas Americanas, que não divulgou previsões.
O consumidor de menor renda é o alvo da Montevérgine, que tem 90% da venda em ovos de até 40 gramas. Alterio diz que o carro-chefe deste ano será um coelhinho de cartolina, com um ovo de 40 gramas na barriga, a R$ 1,99.
O Pão de Açúcar diz que pode vender mais ovos maiores com sua marca própria e nas licenciadas, que custam em média 30% menos que as dos grandes fabricantes como Kraft e Nestlé. “Esperamos que os ovos de 160 gramas representem 70% das vendas, contra 60% em 2007”, diz Alexandra. A rede procurou manter o mesmo preço de 2007 (R$ 9,90 para 160 gramas), mas prevê que o preço das grandes marcas suba 5% este ano.
Nas lojas Wal-Mart Supercenter, a previsão é de vendas 13% maiores. Uma das apostas são os produtos importados da Itália, Alemanha e Turquia, que estão nas prateleiras desde a semana passada. Os demais itens chegam às lojas na próxima semana. Para o SAM´S Club, braço atacadista do grupo, o aumento esperado é de 25%.
Fonte: Valor
