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Visibilidade não é vaidade: por que as mulheres precisam comunicar suas conquistas

Por Thaís Ruco

Competência e bons resultados são fundamentais, mas saber comunicar o próprio trabalho também faz parte da construção de uma trajetória profissional

Existe uma frase repetida no ambiente profissional: “O seu trabalho fala por você”. Gostamos da ideia de que a qualidade das nossas entregas seja reconhecida naturalmente, sem que precisemos chamar atenção para elas. Na prática, porém, nem sempre isso acontece.

Uma profissional pode liderar projetos importantes, dominar assuntos técnicos e gerar resultados relevantes sem ser lembrada quando surge uma oportunidade para uma entrevista, uma palestra, uma promoção ou um novo projeto. Isso acontece porque, além de realizar um bom trabalho, também é preciso saber comunicá-lo.

Essa constatação pode ser especialmente desconfortável para as mulheres. Muitas de nós aprendemos que falar sobre as próprias conquistas pode soar como vaidade ou arrogância. Assim, dividimos os méritos, minimizamos os resultados alcançados e esperamos que alguém reconheça espontaneamente aquilo que realizamos.

Valorizar o trabalho coletivo é essencial, mas isso não significa apagar a própria participação. Existe uma diferença importante entre reivindicar um mérito que não nos pertence e apresentar, com segurança e honestidade, aquilo que ajudamos a construir.

Visibilidade profissional também não deve ser confundida com exposição constante. Não é preciso publicar todos os dias, estar presente em todas as redes ou transformar cada atividade em uma grande realização. Comunicar bem significa selecionar o que realmente importa, dar contexto às experiências e compartilhar conhecimentos que possam ser relevantes para outras pessoas.

Um artigo, uma entrevista, uma participação em evento ou uma publicação no LinkedIn pode mostrar não somente o que uma profissional fez, mas também como ela pensa, quais assuntos domina e que contribuições pode oferecer. É assim que, aos poucos e com consistência, se constrói autoridade.

No mercado de seguros, temos muitas mulheres com profundo conhecimento sobre produtos, riscos, tecnologia, gestão, legislação e diversos outros temas. Ainda assim, nem todas são reconhecidas publicamente como fontes e especialistas.

Quando uma jornalista procura alguém para comentar determinado assunto, uma entidade organiza um painel ou uma empresa busca uma profissional para assumir um projeto, alguns nomes são lembrados primeiro. Essa lembrança não se forma apenas pela competência, mas também pela presença, pelo relacionamento e por uma comunicação consistente.

Na pandemia, escrevi sobre a importância de continuar sendo lembrado pelo mercado quando os eventos presenciais deixaram de acontecer. Sem os congressos, encontros e conversas de corredor que sempre movimentaram o setor, a comunicação tornou-se ainda mais necessária para preservar vínculos e manter profissionais e empresas presentes.

Os eventos voltaram, mas essa necessidade permaneceu. Hoje, convivemos com um volume ainda maior de informações. Com o avanço da inteligência artificial, produzir conteúdos e ocupar espaços digitais ficou mais fácil. Em contrapartida, uma voz autêntica, fundamentada em conhecimento, repertório e experiência real, tornou-se ainda mais valiosa.

Ser lembrada não é apenas uma questão de reconhecimento pessoal. Pode significar participar de decisões, ampliar relacionamentos, atrair oportunidades e abrir caminho para que outras mulheres também sejam vistas como referências. Quando uma mulher ocupa um painel, assina um artigo ou concede uma entrevista, sua presença também contribui para ampliar a participação feminina nos espaços de influência do mercado.

Uma reputação sólida não nasce de uma publicação isolada. Ela é resultado da coerência entre o conhecimento de uma profissional, o trabalho que realiza e a maneira como se posiciona. Por isso, antes de escolher os canais, vale refletir sobre algumas questões: quais são os temas pelos quais quero ser reconhecida? Que experiências da minha trajetória podem contribuir para o mercado? Com quem desejo conversar?

Nem toda profissional precisa se tornar uma influenciadora, mas todas podem aprender a valorizar e comunicar melhor o próprio conhecimento. Afinal, visibilidade sem conteúdo pode se transformar apenas em exposição, enquanto conteúdo sem visibilidade corre o risco de não chegar a quem poderia reconhecê-lo, valorizá-lo e transformá-lo em novas oportunidades.

A competência é indispensável para a construção de uma trajetória profissional. Fazer com que ela seja conhecida também é parte desse caminho.

Thaís Ruco

Thaís Ruco é jornalista, fundadora da Ruco Comunicação e atua há mais de 20 anos na comunicação corporativa e no mercado de seguros. Ao longo de sua trajetória, já produziu milhares de matérias, entrevistas e conteúdos e apoiou mais de 50 marcas na construção de reputação, autoridade e relacionamento com seus públicos. Vencedora do Prêmio de Jornalismo em Seguros em março de 2026.

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