Inadimplência é maior nas empresas com maior rotatividade de funcionários
Empresas com maior rotatividade de funcionários apresentam percentual de inadimplência duas vezes maior do que aquelas com menor movimentação em seus quadros, segundo estudo inédito da Serasa Experian.
Entre os CNPJs classificados na menor faixa de turnover, 19% estão inadimplentes, enquanto, na maior faixa de rotatividade, o percentual chega a 38%, uma diferença de 19 pontos percentuais.
O levantamento foi realizado a partir de dois novos indicadores da Serasa Experian que analisam a dinâmica trabalhista das empresas:
· turnover, que mede o fluxo de entrada e saída de colaboradores, e
· tempo de permanência, que considera o período médio em que os profissionais permanecem na companhia.
As informações, inicialmente desenvolvidas para apoiar análises relacionadas a operações de crédito consignado privado, foram cruzadas com indicadores de risco de crédito dos CNPJs para avaliar seu potencial como uma camada complementar na análise das empresas.
Os dados mostram que a diferença se acentua à medida que a rotatividade aumenta. Nas cinco primeiras faixas, que representam empresas com menores níveis de turnover, o percentual de inadimplência varia entre 19% e 23%, uma diferença de 4 pontos percentuais.
Já nas cinco faixas de maior rotatividade, avança de 24% para 38%, ampliando a distância para 14 pontos percentuais. O maior salto ocorre justamente entre as duas últimas faixas analisadas, quando o indicador passa de 31% para 38%.
O tempo médio de permanência dos funcionários também revela diferenças relevantes. Nas empresas em que os profissionais permanecem, em média, de três a seis meses, o percentual de inadimplência chega a 44%.
A partir das faixas seguintes, o indicador recua para 40% entre seis e 12 meses, 32% entre 12 e 24 meses, 26% entre 24 e 36 meses e 20% entre 36 e 60 meses. Entre as empresas cujo tempo médio de permanência dos funcionários supera 120 meses, o percentual chega a 16%, diferença de 28 pontos percentuais em relação à faixa de três a seis meses.
A dinâmica trabalhista também apresenta associação com a longevidade empresarial, indicador que estima a probabilidade de uma empresa encerrar suas atividades nos próximos 12 meses. Entre os CNPJs com menor turnover, 26% estão classificados na faixa de baixa longevidade, que indica maior probabilidade de encerramento das atividades. Entre aqueles com maior rotatividade, essa participação sobe para 41%, uma diferença de 15 pontos percentuais.
O mesmo comportamento é observado quando considerado o tempo médio de permanência dos funcionários. Entre as empresas em que os profissionais permanecem menos de três meses, 44% estão classificados na faixa de baixa longevidade. O percentual cai para 24% entre aquelas em que a permanência supera 120 meses, uma diferença de 20 pontos percentuais.
“A dinâmica trabalhista pode revelar sinais importantes sobre o momento de uma empresa. Embora não seja possível estabelecer uma relação direta de causa e efeito, um turnover elevado combinado a um menor tempo de permanência pode levantar hipóteses sobre possíveis desafios operacionais, dificuldades de retenção e perda de conhecimento interno.
Da mesma forma, quadros mais estáveis podem ser um indicativo de maior continuidade dos processos, embora essa relação não seja necessariamente observada em todos os casos.
Esses fatores, isoladamente, não determinam a inadimplência, mas mostram como a dinâmica da permanência dos funcionários pode acrescentar uma dimensão relevante à avaliação do CNPJ. Ao combinar esses sinais com informações tradicionalmente utilizadas na análise de crédito, conseguimos ampliar a compreensão sobre a empresa e construir uma leitura mais completa para apoiar decisões de risco, sem substituir os indicadores já consolidados no mercado”, afirma Viviane Moura, diretora de Serviços de Crédito da Serasa Experian.
Para aprofundar a análise, o estudo dividiu o Score PJ, que varia de 0 a 1.000 pontos, em dez faixas de pontuação e cruzou esses grupos com os indicadores de turnover e tempo de permanência.
Entre empresas com Score PJ de 455 a 539 pontos, por exemplo, a média de inadimplência é de 22,1%. Quando considerada a rotatividade de funcionários, porém, o percentual varia de 15,7% entre aquelas com menor turnover para 29,7% entre as de maior rotatividade, uma diferença de 14 pontos percentuais.
A diferença é ainda mais expressiva quando considerado o tempo médio de permanência dos funcionários. Entre empresas com Score PJ de 332 a 455 pontos, a média de inadimplência é de 43,7%. O percentual chega a 54,9% entre aquelas em que os funcionários permanecem menos de três meses e cai para 18,3% quando a permanência supera 120 meses, uma diferença de 36,6 pontos percentuais.
“Esses indicadores foram desenvolvidos inicialmente para apoiar análises relacionadas a operações de crédito consignado privado, nas quais compreender a estabilidade do vínculo entre trabalhador e empresa é uma informação relevante. O estudo mostra que esses mesmos sinais podem ter uma aplicação mais ampla na análise do próprio CNPJ, acrescentando informações à leitura de inadimplência, Score PJ e longevidade. Ao incorporar informações contextuais sobre a dinâmica da empresa aos indicadores tradicionais, ampliamos a capacidade de avaliação de risco e oferecemos aos credores mais elementos para uma tomada de decisão precisa. Essa visão mais completa contribui para uma concessão de crédito mais aderente à realidade de cada negócio, considerando dimensões que, isoladamente, poderiam não ser capturadas na análise”, finaliza Viviane Moura.
Metodologia
O estudo analisou uma base de cerca de 1 milhão de empresas, considerando diferentes perfis e características empresariais. Para a análise, foram relacionados indicadores de dinâmica trabalhista — turnover e tempo médio de permanência dos funcionários — a informações de Score de Crédito e longevidade empresarial, permitindo observar o risco dos CNPJs sob diferentes perspectivas.
A inadimplência foi estimada a partir de indicadores de risco da Serasa Experian, possibilitando comparar os perfis das empresas e identificar como diferentes níveis de rotatividade e permanência dos funcionários se relacionam ao risco de crédito.
Fonte: Serasa Experian
