Jovens trabalhadores e os desafios da futura previdência
A transição demográfica no Brasil está avançando, a redução na taxa de natalidade segue contínua, e a expectativa de vida populacional está em ascensão. De acordo com os especialistas presentes no XII Fórum Nacional de Seguro de Vida e Previdência Privada realizado pela Fenaprevi, (Federação Nacional de Vida e Previdência), esses três fatores revelam uma instabilidade quase irreparável no atual sistema brasileiro de previdência social.
Conforme as estruturas de trabalho foram mudando e se transformando, o mercado passou a exigir qualificação profissional específica para que houvesse acesso ao primeiro emprego à classe trabalhadora mais jovem, com isso, foi identificado que a maneira de contribuir no atual regime do INSS colidiu com o fundo de arrecadação que não equivale ao retorno para sustentar o atual regime do financiamento federal previdenciário.
É observado por meio de pesquisas e pela visão executiva do segmento de previdência complementar que novas reformas não irão resolver a atual deficiência no sistema público de previdência, afinal: reformas não podem solucionar o que precisa ser completamente modificado.
O modelo de previdência que existe atualmente é baseado em um plano estruturado para a população do século XX, população essa que já não existe mais. A sociedade atual carrega paradigmas diferentes e perspectivas contrárias àquela para a qual a previdência do INSS foi pensada. O Brasil não precisa de reformas previdenciárias, e sim de uma nova previdência.
Os jovens brasileiros dessa geração contribuem cada vez menos para o sistema brasileiro de previdência, o INSS. Por esse motivo os executivos e economistas do setor alertam para o fortalecimento complementar da contribuição privada através da capitalização, formato em que o saldo do contribuinte trabalha para gerar renda futura para si.
Além disso, o governo continua tendo um papel fundamental em garantir uma parcela de renda de proteção contra a pobreza. Porém, é urgente que o jovem cidadão deste século entenda que colaborar para complementar a sua estabilidade na velhice é significativamente importante.
O economista Eduardo Giannetti destaca: “O Estado é responsável pela rede de proteção social, mas vamos ter que caminhar para um sistema em que cada cidadão saiba que a renda que desfruta na velhice dependerá da poupança que fizer ao longo do ciclo de vida. Previdência não é algo em que você começa a pensar aos 40 ou 50 anos; é algo que tem que acompanhar desde o primeiro dia em que a pessoa entra no mercado de trabalho”.
Dyogo Oliveira, diretor-presidente da CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras) complementou dizendo: “Precisamos dar consciência, principalmente às novas gerações que estão entrando ou que entraram há pouco no mercado de trabalho, quem tem hoje menos de 30 ou 35 anos. Temos que ser honestos com eles e dizer: ‘Você não vai se aposentar nos moldes atuais’. Tenha clareza disso, porque o sistema atual está falido.”
Orientar os cidadãos brasileiros através da educação financeira acessível é promover e incentivar a capacidade de construir uma mentalidade no indivíduo que o conduza a consolidar seu próprio patrimônio sem depender inteiramente do governo e das flutuações nas legislações públicas previdenciárias do INSS.
Fonte: Fenacor /CNseg
