Comunicação como vetor para a equidade
Por Nathalia Coutinho
No mercado de seguros, a excelência técnica é um valor inegociável. Mas, em um ambiente onde influência, colaboração e confiança determinam o avanço das carreiras e dos negócios, ela não é suficiente.
Durante muito tempo, tratamos a comunicação como uma habilidade acessória, uma característica pessoal inata. Na prática, ela é uma competência de gestão que pode – e deve – ser desenvolvida. É por meio dela que construímos reputação, damos sentido ao nosso trabalho e tornamos nossa contribuição visível para o mercado.
‘Falar bem’ segundo as técnicas da oratória é uma parte pequena de comunicar bem. Uma comunicação eficaz começa na intencionalidade e, como resultado, gera clareza e mobilização (escutar é uma forma de mobilização).
A maioria das pessoas não será um palestrante ou speaker frequente, mas todo profissional conduz conversas e reuniões presenciais e online, apresenta ideias e se posiciona diante dos desafios. Cada uma dessas interações contribui para a forma como somos percebidas e lembradas. Afinal, nossa reputação não é construída apenas pelas entregas que realizamos, mas pelo significado que atribuímos a elas (leia-se: como gerenciamos a narrativa). Comunicar reduz a distância entre o valor que geramos e o que os outros percebem.
E, quando essa percepção influencia oportunidades, reconhecimento e acesso aos espaços de decisão, a comunicação deixa de ser uma simples ‘soft skill’. Ela passa a ser também uma questão de equidade.
Vetor para a equidade
Diversos estudos mostram que mulheres tendem a esperar sentir-se plenamente preparadas para buscar uma promoção ou se candidatar a uma nova oportunidade, enquanto homens, em média, assumem desafios mesmo sem atender a todos os requisitos. A diferença não está apenas na competência, mas na forma como cada um percebe e comunica seu próprio potencial.
Muitas pessoas ainda se fiam no trabalho árduo, supondo que reconhecimento é consequência direta dos entregáveis. Mas as carreiras são construídas também pela capacidade de comunicar impacto, expressar ambição, defender ideias e ocupar espaços com legitimidade.
Embora a equidade dependa de mudanças estruturais nas organizações e na sociedade, comunicar o próprio valor amplia as condições para que mulheres ocupem, permaneçam e cresçam nos espaços de decisão.
Comunicar é um ato contínuo, tudo comunica. Se não existe o ‘fora da comunicação’, tome as rédeas da sua própria, coloque intencionalidade, busque referências, empodere-se e realize! O reconhecimento vem!
Por onde começar? Como aprimorar?
1. Comunique o impacto do seu trabalho.
Ao apresentar uma entrega, não se limite a descrever tarefas e resultados. Explique o que mudou a partir da sua contribuição. Qual problema você ajudou a resolver? Que valor gerou para o negócio ou para as pessoas?
2. Entre em uma reunião sabendo qual percepção quer deixar.
Antes de uma reunião ou conversa importante, pergunte a si mesma: “qual percepção quero deixar nas pessoas? Se pudesse deixar apenas uma mensagem, qual seria”. Essa reflexão deve direcionar como você escolhe se comportar.
3. Faça um inventário da sua invisibilidade.
Observe quantas vezes você realizou algo relevante e não comunicou, deixou outra pessoa explicar um trabalho que teve sua contribuição ou evitou se posicionar em um tema espinhoso. Teve uma oportunidade de networking e negligenciou? Como está seu LinkedIn?
4. Estude sobre comunicação e marca pessoal
Busque referências, conheça técnicas, observe diferentes estilos e amplie seu repertório. Se joga na internet!
5. Escolha uma referência e estude seus movimentos.
Pense em alguém que você considera uma excelente comunicadora: observe seus movimentos, sua fala, como se veste em cada ocasião, como conduz uma reunião difícil. Se tiver oportunidade, converse abertamente sobre esse tema.
