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Empreendedor pode se organizar para ter dinheiro extra no fim de ano

O 13° salário é um direito assegurado pela legislação brasileira para os trabalhadores CLT, que recebem todo fim de ano um salário inteiro a mais. Esse dinheiro pode fazer muita diferença nas finanças, pensando em todas as tradicionais contas de começo de ano, além dos presentes na época de festas.

No entanto, outro grupo importante de trabalhadores no Brasil não tem direito ao recebimento: os empreendedores.

O país, até 2022, tinha 14,6 milhões só de microempreendedores individuais, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Olhando para um quadro mais geral, eram 42 milhões de empreendedores até aquele ano, de acordo com pesquisa do Sebrae e da Associação Nacional de Estudos em Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas (Anegepe).

Para esses milhões de pessoas, o recebimento do 13° salário depende da própria organização financeira — para que seja possível, com o rendimento que entra a cada mês, reservar uma parte para compor esse salário extra no fim do ano.

Mila Gaudencio, educadora financeira e consultora do will bank, explica que, embora possa parecer uma missão desafiadora, é possível que empreendedores tenham seu 13° salário. Para isso, a melhor alternativa é que juntar esse valor seja um objetivo que comece ainda nos primeiros meses do ano e seja trabalhado em pequenas metas.

A especialista falou sobre como os empreendedores podem se organizar para ter um 13° salário no segundo episódio da nova temporada do podcast Educação Financeira, que fala sobre como organizar as contas ainda neste ano para começar o próximo com o pé direito.

Para os empreendedores, autônomos ou outros profissionais que não têm o direito ao 13° salário por lei, a preparação para ter esse dinheiro extra entre novembro e dezembro deve começar ainda no início do ano.

O primeiro passo é separar a pessoa física da pessoa jurídica, e delimitar o que é dinheiro da empresa e o que é dinheiro do profissional. Para isso, o empreendedor precisa, com base nos cálculos individuais de cada negócio, definir qual será seu salário — o pró-labore — e deixar o restante do faturamento para pagar as contas da empresa e formar caixa.

O 13° salário ideal é o valor do rendimento do profissional no ano dividido por 12. Dessa forma, o empreendedor pode pegar um pouco do seu pró-labore mensal e poupar ao longo do ano, para que em dezembro tenha o 13°.

No entanto, a educadora financeira ressalta que, principalmente para os empreendedores iniciantes, pode ser difícil juntar o valor equivalente a um 13° completo

“Eu empreendo faz quatro anos e esse foi o primeiro ano em que eu consegui me pagar um 13°. E é isso também: entender que é um processo. Se você começou a empreender agora, existe um processo até você conseguir ter uma estabilidade financeira, uma receita, um faturamento mais linear… isso leva um tempo. Então não se frustre, não se desespere”, conta.

Mesmo assim, vale reservar um pouco por mês, por menor que seja o valor, para que o empreendedor tenha pelo menos uma parte desse 13° para ajudar com as contas da pessoa física no começo do ano, aconselha Mila.

O 13° salário — ou “gratificação de Natal” — surgiu em 13 de julho de 1962, no governo de João Goulart, oficializado pela lei nº 4.090. A medida foi uma resposta a uma série de protestos e greve dos trabalhadores, em um momento em que a inflação elevada corroía o poder de compra da população.

Esse benefício trazido pelas leis trabalhistas não nasceu sem reclamações: empresários e especialistas da área econômica da época diziam, inclusive, que a obrigatoriedade do empregador de pagar um 13° salário poderia quebrar o país.

Como décimo terceiro salário surgiu de greve geral após vitória do Brasil na Copa de 1962

Benefício completa 62 anos em 2024 e foi conquistado sob protesto de empresários e do mercado financeiro — Foto: REPRODUÇÃO O GLOBO/ACERVO DIGITAL

Benefício completa 62 anos em 2024 e foi conquistado sob protesto de empresários e do mercado financeiro — Foto: REPRODUÇÃO O GLOBO/ACERVO DIGITAL

No entanto, não aconteceu. E, mais que isso, injeta bilhões na economia todos os anos. Em 2024, por exemplo, a expectativa é que o pagamento do 13° salário coloque mais de R$ 320 bilhões na economia brasileira.

E entender os motivos para o surgimento deste benefício, segundo Mila Gaudencio, pode ajudar o trabalhador a ter mais consciência sobre o dinheiro que entra na conta.

A conta é simples, explica a educadora financeira:

Um ano tem 52 semanas;

Ao dividir essas 52 por 4 — que é a média de semanas contadas por mês —, o resultado é 13;

Assim, o 13° compensa essas quatro semanas restantes que formam o “13° mês”.

Esse dinheiro, segundo Mila, serve para aqueles meses que têm mais dias úteis e podem gerar um desequilíbrio nas contas, já que os gastos com transportes e alimentação no trabalho, por exemplo, podem ser maiores.

“Na verdade, o 13° é essa diferença para os meses que têm cinco semanas, para a pessoa receber pelo que ela trabalhou. Então, ele é visto como um salário a mais, mas se você dividir 52 por 4 vai dar 13. Então, ele é um direito do trabalhador, porque é, de fato, um período que ele trabalhou”, explica.

Para a educadora financeira, enxergar esse dinheiro como um direito e não um bônus faz diferença no comportamento financeiro. “Quando a gente sabe que demandou um esforço para conquistar esse dinheiro, a gente acaba tendo uma disciplina maior do que se fosse simplesmente um dinheiro ganhado”.

Fonte: G1

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