Meio Ambiente

Desastres naturais nos EUA lideram perdas globais

Os desastres naturais ocorridos nos Estados Unidos, especialmente os incêndios florestais nos arredores de Los Angeles, dominaram as perdas globais no primeiro semestre de 2025. Segundo relatório da Munich Re, as perdas totais chegaram a US$ 131 bilhões — valor inferior ao registrado no mesmo período de 2024 (US$ 155 bilhões, ajustado pela inflação), mas ainda muito acima da média histórica. As perdas seguradas, de US$ 80 bilhões, representaram o segundo maior volume já registrado no primeiro semestre de um ano desde o início dos registros, em 1980.

O evento mais devastador foi a série de incêndios na região metropolitana de Los Angeles, que ocorreu em pleno inverno — estação geralmente chuvosa na Califórnia — e resultou em 29 mortes. Estima-se que as perdas totais chegaram a US$ 53 bilhões, sendo US$ 40 bilhões cobertos por seguros. Esse valor supera em quase o dobro os prejuízos causados por incêndios em todo o mundo em 2018, até então o ano mais caro em termos de danos por fogo.

Segundo Thomas Blunck, membro do Conselho de Administração da Munich Re, o impacto das mudanças climáticas é evidente. “Desastres como o de Los Angeles estão se tornando mais prováveis com o aquecimento global. Pessoas, autoridades e empresas precisam se adaptar. A melhor forma de evitar perdas é com medidas preventivas eficazes, como construções mais resistentes e restrição a novos empreendimentos em áreas de alto risco”, alertou.

O cenário que favoreceu os incêndios foi classificado por especialistas como “de manual”. A temporada de chuvas falhou no final de 2024, enquanto a vegetação cresceu intensamente nos anos anteriores devido à umidade abundante. Esse material seco se tornou combustível para o fogo, potencializado pelos ventos fortes do tipo Santa Ana. “A coincidência entre seca e ventos intensos aumenta o risco. Basta uma faísca no lugar errado”, explicou Tobias Grimm, cientista-chefe de clima da Munich Re.

As mudanças climáticas estão tornando mais frequentes e intensos os desastres relacionados ao clima, segundo consenso científico global. Nos primeiros seis meses de 2025, a temperatura média global ficou 1,4°C acima dos níveis pré-industriais, tornando-se o segundo semestre mais quente já registrado, de acordo com dados da NOAA.

Outros desastres

Terremoto em Mianmar (28/3): magnitude 7,7, deixou cerca de 4.500 mortos. As perdas econômicas foram de US$ 12 bilhões, com baixa cobertura segurada. O epicentro foi próximo a Sagaing e Mandalay, afetando também Bangkok, na Tailândia.

Tempestades nos EUA: quatro séries severas de tempestades com tornados entre março e maio causaram US$ 19 bilhões em perdas, das quais US$ 14,6 bilhões seguradas. No total, as perdas com tempestades convectivas nos EUA somaram US$ 34 bilhões no semestre (US$ 26 bilhões seguradas).

Europa: registrou perdas totais de US$ 5 bilhões, sendo US$ 2,7 bilhões seguradas. O evento mais caro foi uma série de tempestades com granizo em França, Áustria e Alemanha (US$ 1,2 bilhão em perdas). Destaque também para o deslizamento de terra em Valais, Suíça, causado pelo derretimento de geleiras.

Ásia-Pacífico e África: totalizaram US$ 29 bilhões em perdas, das quais apenas US$ 5 bilhões estavam seguradas. Os destaques foram:

Ciclone Alfred na Austrália: perdas de US$ 3,5 bilhões (US$ 1,4 bilhão seguradas).

Terremoto em Tainan, Taiwan: perdas de US$ 1,3 bilhão (US$ 0,6 bilhão seguradas), com forte impacto na indústria de semicondutores.

Ciclones no Oceano Índico: US$ 1,5 bilhão em perdas combinadas em Réunion, Moçambique e Madagascar. A cobertura segurada foi mínima fora do território francês.

Conclusão

Com 88% das perdas globais causadas por eventos climáticos e apenas 12% por terremotos, o primeiro semestre de 2025 reforça a crescente dominância dos desastres relacionados ao clima. A Munich Re destaca a urgência de ações preventivas e de adaptação frente à nova realidade climática — tanto para conter danos humanos e econômicos quanto para garantir a viabilidade do mercado de seguros.

Fonte: Sonho Seguro – Denise Bueno

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