Total amplia frota com 10 aeronaves do grupo Airbus
A Total Linhas Aéreas acaba de acertar a compra de 10 novas aeronaves da ATR, empresa francesa do mesmo grupo da Airbus. O investimento de US$ 150 milhões permitirá à companhia mineira, que atua na aviação regional em oito estados, ampliar rotas e freqüências no interior do país. “O interior está em pleno desenvolvimento”, diz o presidente da Total, Alfreido Meister. “Há boas oportunidades em cidades pequenas é médias.”
Empresa de táxi aéreo que entrou na aviação regular no fim de 2001, a Total cresceu, nos últimos anos, num ritmo de 30% ao ano. A companhia se beneficiou do vácuo deixado por regionais que saíram do mercado, como a Nordeste e a Rio Sul, da Varig, e a Inter Brasil, da Transbrasil. No ano passado, a empresa transportou 408,9 mil passageiros. “Daqui para frente, é preciso investir para continuar crescendo”, diz o presidente.
Segundo ele, a Total está colocando 20% de recursos próprios na aquisição das dez novas aeronaves. O restante será financiado por bancos internacionais. Começam a chegar, no início do ano que vem, seis ATRs 42-500, com capacidade para 47 passageiros, e outros quatro ATRs 72-500, para 68 passageiros. O último chega em 2011.
Além destes dez aviões, a Total Linhas Aéreas receberá em breve duas outras aeronaves, em leasing operacional. A frota atual da companhia é de 15 aeronaves, 11 ATRs, no transporte de passageiros, e 4 Boeings 727-200, no transporte de cargas. Hoje, a frota opera com aproveitamento máximo.
Segundo Meister, os ATRs fabricados em Toulouse, na França, são modelos ideais para a aviação regional, que atua em distâncias mais curtas e opera em pistas menores. O número de assentos, destaca ele, também é adequada à demanda regional, mais baixa que a da ligação aérea entre capitais.
A expectativa da Total é fechar 2007 com faturamento de R$ 230 milhões, 10% superior ao de 2006. A previsão era crescer mais. Contudo, a crise do setor levou a empresa a rever as estimativas.
A Total tem rotas para 28 cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Pará, Tocantins e Amazonas. Estão na rota cidades-pólos como Ribeirão Preto (SP), Ipatinga (MG) e Macaé (RJ). Há quatro meses, a companhia abriu uma rota para Rio Verde, em Goiás, de olho nas oportunidades abertas pelos investimentos de indústrias como a Perdigão. A equipe de planejamento da companhia já estuda novas rotas que poderão ser abertas com a chegada das novas aeronaves.
O empresário Alfreido Meister – que é controlador também da transportadora Sulista – era um dos críticos da falta de política de governo para o setor da aviação regional, que representa pouco mais de 2% da aviação comercial no país. Segundo ele, o segmento – tanto quanto a aviação internacional – precisa de regulamentação para evitar que a concorrência excessiva inviabilize a operação. “Não dá para dividir o quase nada com todo mundo.” Ele argumentava que era arriscado fazer investimentos sem políticas claras para o setor.
Meister, porém, anda otimista com as mudanças no Ministério da Defesa. Os executivos da aviação regional já tiveram uma reunião em Brasília, com membros do governo federal. De acordo com o presidente da Total, o clima agora é mais favorável, com autoridades mais atentas às peculiaridades do transporte aéreo no interior do país. “Estou entusiasmado quando a futuro”, diz ele.
Fonte: Valor
