Setor de seguros avalia riscos geopolíticos na cadeia global de suprimentos
Estreito de Hormuz & Zona de Guerra. A correlação entre instabilidade regional e cadeia de suprimento e logística global se reafirma, enquanto a interdependência em contexto de incertezas impõe desenvolver redundâncias nas cadeias de suprimento críticas.
Após ataques entre EUA, Israel e Irã em Fev.2026, o Estreito de Ormuz tornou-se zona de guerra. O impacto no transporte marítimo foi imediato e severo, e pelo menos três navios-tanque foram atingidos por mísseis ou drones.
As principais companhias de navegação anunciaram a suspensão das travessias pelo Estreito de Ormuz até novo aviso. Outras instruíram as embarcações que operam ou que estejam em rota na região do Golfo, a se dirigirem para “áreas de abrigo” até novo aviso. Outra, também suspendeu reservas de carga internacionais para a região do Oriente Médio.
Cerca de 20% do comércio de petróleo passa pelo Estreito de Ormuz. Essas remessas são principalmente de petróleo e derivados provenientes do Irã, Iraque, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Cerca de 20 milhões de barris por dia; e não existe uma alternativa marítima viável. Os gasodutos podem compensar apenas uma fração do volume.
Tensões na região se irradiam pelas rotas que conectam os produtores do Golfo Pérsico às refinarias, às empresas europeias e aos mercados globais de commodities. Os mercados reagem não apenas à interrupção física, mas também à percepção de vulnerabilidade.
Deixando de lado a política e a retórica, fica claro o motivo pelo qual o Irã ocupa uma posição tão central no pensamento estratégico. Não se trata apenas de ideologia, mas de geografia.
Os ataques reacenderam as ameaças dos Houthis de retomarem os ataques à navegação no Mar Vermelho. Durante a campanha de 2024-2025, mísseis e drones atingiram navios comerciais. As principais linhas de contêineres Ásia-Europa foram desviadas ao redor do Cabo da Boa Esperança – acrescentando de dez a quatorze dias em comparação com a rota de Suez.
A leste, o Paquistão introduz uma camada diferente de risco. Embora não seja equivalente ao Ormuz em peso estratégico, a instabilidade na infraestrutura da região pode afetar a logística, seguros e escala dos navios.
Cerca de 80% do comércio internacional em volume é realizado por via marítima – energia, grãos, fertilizantes, componentes industriais, suprimentos e bens de consumo dependem do fluxo marítimo ininterrupto.
O sistema marítimo mundial está mais uma vez operando sob pressão simultânea. Dois dos corredores mais críticos do planeta estão sob tensão. Isso não é um exercício teórico de modelagem para analistas de risco. É a realidade operacional.
Quando o transporte marítimo falha, as consequências aparecem rapidamente nos mercados de energia, abastecimento de alimentos, e na produção industrial. A ligação entre conflitos no mar e os mercados não é emocional. É variável direta.
Fonte: Sonho Seguro – Denise Bueno
