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Seguros, um mercado de incertezas

Embora as autoridades e seguradoras recusem-se a admitir, as recentes
mudanças nas regras dos seguros de vida estão provocando pânico no mercado
segurador. A Superintendência de Seguros Privados (Susep) afirma que as
alterações foram feitas para incentivar a aquisição de seguros e popularizar
as apólices, mas como a novidade está sendo acompanhada por reajustes
elevadíssimos para o público de mais idade, o mercado poderá ter perdas.
A SulAmérica, primeira operadora a anunciar os reajustes a seus segurados,
já prevê que este será um ano de pouco crescimento no mercado devido às
mudanças. A Federação Nacional dos Corretores de Seguros (Fenacor) informa
que a medida de reajustes é antipática, mas necessária.
– É ruim para o mercado. Porém, há que ser feito, para que haja tenha
melhora no futuro, uma vez que incentivará a adesão de pessoas mais novas –
diz Paulo Thomás, diretor da Fenacor.
A corretora Neuza Machado, de 70 anos, entretanto, não compartilha da
opinião.
– A mudança dos contratos, inclusive das cláusulas de reajuste para os que
possuem seguro há décadas, gera insegurança. Meus clientes estão me ligando
preocupados e eu mesma, que tenho três seguros, não sei o que fazer.
O engenheiro José Carlos Graça, de 55 anos, ainda não atingiu a idade a
partir da qual o risco é considerado mais elevado (65 anos), mas diz que não
renovará seu seguro.
– A proposta que me fizeram para renovar a apólice que tenho há 25 anos é de
que o valor do meu prêmio dobre daqui a alguns anos, e triplique um pouco
mais à frente. Os contratos não são vitalícios, mas foram renovados
automaticamente durante tantos anos que não é possível que, nós, os
segurados não tenhamos direito adquirido – revolta-se.
Os reajustes não são determinação da Susep, mas as seguradoras estão
aproveitando que terão que refazer seus contratos para reestruturar suas
carteiras. Os valores dos prêmios seguirão agora uma escala, baseada na
faixa etária – como já ocorre em algumas novas carteiras, porém não nas
antigas onde se aplicava a taxa média. As apólices agora poderão ser
reajustadas pela inflação (IPCA).
As principais mudanças determinadas pela Susep dizem respeito, justamente, à
renovação automática e aos tipos de cobertura, que agora são mais livres à
decisão da operadora – o que exige cuidado do contratante. A renovação
automática da apólice agora só pode ser feita uma única vez, o que levou as
seguradoras a aumentar o período de vigência dos contratos. E as coberturas
estão mais flexíveis, sendo que o seguro de vida não está mais atrelado ao
seguro por invalidez. Ou seja, neste caso criou-se a invalidez funcional e a
invalidez laborativa, cujas regras serão ditadas pelas próprias seguradoras.
– Agora, mais do que nunca, o consumidor precisa prestar muita atenção no
que está contratando. Eu, por exemplo, tenho 10 seguros com cobertura de
invalidez parcial e quando perdi a audição em um ouvido nenhuma das
seguradoras cobriu o sinistro – comenta o economista Gilberto Braga,
professor do Ibmec.
O economista, no entanto, acredita que o consumidor não deve desistir dessa
modalidade de seguro. Para Gilberto Braga, o extermínio das ´carteiras
coletivas abertas´ é positivo, uma vez que possibilita ao segurado
individual contratar um seguro personalizado, mais adequado ao seu risco.
Agora, nos planos coletivos será necessário o aval de três quartos dos
segurados para as alterações contratuais.
– A cobertura contra invalidez é importante. Mas se a pessoa é jovem, é
melhor contratá-la junto a um plano de previdência PGBL ou VGBL, embora para
fins de acúmulo de renda os fundos de investimento sejam mais vantajosos,
uma vez que o custo de manutenção é menor – recomenda Gilberto Braga.

Fonte: Jornal do Brasil

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