Resseguro

Resseguro suporta perda de US$ 300 bilhões sem impacto em ratings

A indústria global de resseguros poderia suportar um evento de perda segurada de US$ 300 bilhões sem impacto sobre suas classificações de crédito, segundo a S&P Global Ratings, informa o portal Inteligent Insurer.

De acordo com a agência, o setor de seguros e resseguros está atualmente com excesso de capital. Em prévia do relatório European Insurance Outlook 2026, a S&P afirmou que as empresas europeias devem apresentar um superávit de capital superior a €150 bilhões até 2027, acima do exigido para manter as classificações atuais.

Esse colchão financeiro é resultado de gestão prudente de capital, redução nas fusões e aquisições em larga escala, menor apetite por risco e crescimento mais lento das receitas.

“O setor está muito bem posicionado em termos de provisão de capital. O amortecedor é maior do que em qualquer outro momento do passado”, disse Volker Kudszus, líder de ratings de seguros da S&P.

O excedente de caixa alimenta uma visão “geralmente positiva” para as seguradoras europeias, embora persistam riscos como conflitos comerciais e baixo crescimento econômico.

Nos últimos 12 meses, 33 grupos de seguros e resseguros tiveram suas notas de crédito elevadas, enquanto apenas 13 foram rebaixadas. Segundo a S&P, 55% das seguradoras europeias estão na categoria “A” e 23% na “AA”. Além disso, 67% operam com nível de confiança próximo de 100% e têm “liquidez excepcional”.

Para Simon Ashworth, diretor analítico-chefe da S&P para ratings de seguros, “é uma posição notável para a indústria. Há tanto capital no setor de resseguros que a exposição ao risco é confortável. A tendência é ascendente.”

A agência concorda com a percepção do mercado de que as taxas de resseguro — especialmente nas linhas de curto prazo — devem cair nas renovações de 1º de janeiro, com os níveis de retenção (“attachment points”) permanecendo estáveis.

“Foi um ano extremamente benigno”, observou Kudszus. “Todos os seguradores primários pedem taxas mais baixas, mas os resseguradores precisam manter firmeza e preservar os níveis de retenção.”

Apesar das discussões pré-Monte Carlo sobre o retorno dos contratos agregados ou coberturas de volatilidade de grupo, a S&P afirma que essas proteções de frequência ainda são raras. “O setor está conseguindo manter distância dessas coberturas”, afirmou Rob Greensted, diretor da S&P Global.

Segundo Kudszus, o setor europeu de seguros e resseguros está “voltando à normalidade”, com alta rentabilidade e menos eventos catastróficos naturais.

Para a S&P, o ponto de maior preocupação global é o segmento de responsabilidade civil nos EUA, pressionado pela inflação social e ações judiciais bilionárias contra seguradoras de P&C. “O mercado americano é muito mais difícil e fragmentado que o europeu”, disse Kudszus.

Outros pontos de atenção incluem o setor de saúde dos EUA, que vem acumulando prejuízos e impactando as notas de crédito.

Na Europa, as tendências de risco em deterioração incluem fragmentação geopolítica, avanço do populismo que mina a segurança econômica, divergência nas políticas ambientais e crescimento dos ataques cibernéticos.

Os riscos específicos para o setor de seguros seguem os mesmos do ano anterior: conflitos comerciais, catástrofes naturais e ameaças cibernéticas — agora agravadas pela complexidade trazida pela inteligência artificial.

De forma geral, a S&P prevê crescimento modesto na Europa, com pouco avanço nas receitas das seguradoras. Para as companhias de P&C europeias, a expectativa para 2026 é de margens sólidas, impulsionadas pelos aumentos de tarifas de automóveis que superam a inflação de sinistros.

Fonte: Sonho Seguro – Denise Bueno

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