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Perdas seguradas globais com catástrofes naturais somaram US$ 107 bilhões em 2025

Os chamados eventos climáticos secundários, como incêndios florestais, tempestades severas e enchentes, responderam por um recorde de 92% das perdas seguradas globais com catástrofes naturais em 2025, segundo estudo divulgado nesta quinta-feira, 19, pelo Swiss Re Institute. No total, as perdas seguradas somaram US$ 107 bilhões no ano, em um cenário marcado pela alta frequência de eventos em áreas densamente ocupadas e de elevado valor econômico.

De acordo com a instituição, os incêndios em Los Angeles geraram perdas seguradas combinadas de cerca de US$ 40 bilhões, tornando-se o maior evento de perdas seguradas por incêndio florestal já registrado nas séries sigma. Já as tempestades severas convectivas, que incluem granizo e ventos destrutivos, provocaram US$ 51 bilhões em perdas seguradas no mundo, fazendo de 2025 o terceiro ano mais caro da história para esse tipo de evento, atrás apenas de 2023 e 2024, em valores corrigidos.

Apesar de o volume de perdas ter ficado abaixo da tendência de longo prazo para catástrofes naturais, a Swiss Re alerta que isso não representa uma redução do risco estrutural. Segundo Balz Grollimund, Head Catastrophe Perils da companhia, o resultado de 2025 refletiu mais uma variabilidade favorável do que um enfraquecimento dos riscos subjacentes. “Se as perdas voltarem aos níveis médios de longo prazo, elas chegariam a US$ 148 bilhões em 2026. Em um cenário de pico modelado, as perdas seguradas poderiam subir para cerca de US$ 320 bilhões”, afirmou.

A ausência de um grande furacão atingindo o território dos Estados Unidos também ajudou a conter o resultado do ano passado. Ainda assim, a companhia destaca que as perdas globais com catástrofes naturais seguem trajetória de crescimento anual entre 5% e 7%, impulsionadas pelo aumento da exposição, pela valorização dos ativos e pela elevação dos custos de reconstrução.

Para Urs Baertschi, CEO Property & Casualty Reinsurance da Swiss Re, um ano de perdas extremas pode mais do que dobrar os volumes anuais recentes e ultrapassar US$ 300 bilhões. Segundo ele, o fortalecimento da consciência sobre riscos, das medidas de adaptação e mitigação, além da existência de cobertura securitária e ressecuritária suficiente, será decisivo para ampliar a resiliência da sociedade diante de eventos de baixa frequência, mas alta severidade.

O levantamento mostra ainda que, entre 1970 e 2025, o crescimento da exposição explicou mais de 80% da alta de longo prazo nas perdas seguradas relacionadas ao clima. Na América do Norte, esse avanço foi puxado principalmente pelos incêndios florestais e pelas tempestades severas convectivas, com as perdas por incêndios crescendo a uma taxa média anual de 14%. Na Europa, mais da metade do crescimento das perdas seguradas veio das tempestades severas, com expansão estimada em 10% ao ano. Na Ásia, o avanço foi dominado pelas enchentes, enquanto na Oceania e na Austrália houve divisão mais equilibrada entre tempestades severas e inundações.

Embora os ciclones tropicais continuem sendo o maior componente da média anual de perdas no longo prazo, as tempestades severas convectivas aparecem como o principal vetor histórico de crescimento das perdas seguradas, respondendo por 38% dessa expansão. Os incêndios florestais, apesar das taxas mais elevadas de crescimento, representam cerca de 20%, enquanto as enchentes contribuem com aproximadamente 10%.

O Swiss Re Institute ressalta, porém, que em algumas regiões o aumento da exposição já não explica sozinho a velocidade da alta das perdas. Na América do Norte, temporadas de incêndio mais longas e mudanças persistentes nos padrões de temperatura e precipitação ampliam o potencial de danos. Na Europa, onde as perdas seguradas com tempestades severas crescem mais rapidamente, menos da metade do avanço observado pode ser atribuída apenas ao aumento da exposição, o que indica influência também de alterações nas características das tempestades e de mudanças na vulnerabilidade.

As perdas econômicas globais com catástrofes naturais atingiram US$ 220 bilhões em 2025, das quais 49% estavam seguradas — o maior percentual já registrado pela série sigma. Para a Swiss Re, o dado mostra que o setor segurador vem cumprindo papel relevante na redução da lacuna de proteção, embora esse déficit continue elevado, especialmente em economias emergentes, onde entre 80% e 90% das perdas catastróficas normalmente não têm cobertura de seguro.

Segundo Jérôme Jean Haegeli, Head Swiss Re Institute e economista-chefe do grupo, a maior parte do crescimento das perdas no longo prazo decorre de uma realidade simples: há mais propriedades valiosas sendo construídas em áreas expostas a riscos, enquanto os custos de reconstrução também subiram. Ele acrescenta que, em algumas regiões e para determinados perigos, a evolução dos riscos e da vulnerabilidade parece avançar mais rapidamente do que o crescimento da exposição, o que torna ainda mais importantes as políticas de adaptação, mitigação e ampliação do acesso ao seguro.

Fonte: Sonho Seguro – Denise Bueno

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