Mulheres: na diretoria mais cedo do que eles
São Paulo, 8 de Março de 2006 – Pesquisa do Grupo Catho indica que executivas são promovidas mais jovens que homens. Dados inéditos da pesquisa “A Contratação, a Demissão e a Carreira do Executivo Brasileiro”, realizada pelo Grupo Catho, entre maio e julho do ano passado, mostram que as mulheres são promovidas mais rapidamente que os homens e chegam aos cargos executivos mais jovens do que eles.
Enquanto os homens tornam-se gerentes com 36 anos, em média, as mulheres assumem o cargo com 33, em média. O grande salto das executivas se dá na promoção para diretoria. Elas chegam à posição cinco anos antes, com 36, em média, e eles com 41, em média. Na presidência, a diferença fica menor. As presidentes atingem o principal posto das empresas com 44 anos, um ano antes que seus pares do sexo oposto.
“Acredito que isso aconteça porque somos mais flexíveis, temos uma capacidade maior de exercer múltiplas funções e de nos adaptar às mudanças”, comenta Dagmar Brum, vice-presidente de vendas da Avon Brasil, que sabe muito bem como lidar com mil atividades ao mesmo tempo. Aliás, o número certo não é mil é 1 milhão. Este é o número de vendedoras brasileiras da Avon, que estão sob a sua responsabilidade.
O que é mais surpreendente é que elas conseguem avançar na carreira, mesmo trabalhando, em média, 3 horas por semana a menos que os homens, de acordo com a pesquisa. Além disso, mostraram-se mais avessas aos riscos que os homens. A razão para isso parece ser a importância que dão para a maternidade.
Dagmar tem 42 anos, é casada há 16 e mãe há oito. Dos 24 anos que atua na Avon, a maior parte deles foi dedicado ao trabalho com a força de vendas, o que a levou a viajar bastante pelo Brasil. “A minha filha foi totalmente planejada”, conta. “Decidimos ter um filho quando assumi a região Sudeste. Antes, era responsável pela região central do País e ficava em São Paulo só uma vez por semana.”
Para não deixar dúvidas de que a maternidade não atrapalhou em nada a sua carreira, ela tornou-se executiva em 2003. Segundo ela, ser mãe contribui, e muito, para seu sucesso profissional. “Eu me tornei uma mulher muito mais completa depois que a minha filha nasceu”, afirma. “Até os 34 anos eu estava pendendo para um lado só. Quando um filho nasce, a sua vida se equilibra naturalmente e você se torna mais criativa para conseguir dar atenção à sua família e ao seu trabalho”, complementa.
O papel de mãe e a responsabilidade com a família influenciam bastante o caminho trilhado pelas executivas no mercado de trabalho. De acordo o levantamento do Grupo Catho, a maioria das mulheres não coloca o trabalho em primeiro lugar. As motivações ligadas ao emprego são mais fortes nos homens. Por isso, é mais comum que eles mudem de cidade por causa de uma oportunidade de trabalho ou façam viagens.
No caso de mulheres que ocupam cargos executivos, a restrição feita por elas em relação a viagens não é tão grande, afinal impediria que exercessem sua função plenamente. O que elas procuram fazer é evitar saídas desnecessárias, fazer por videoconferência o que é possível, e se concentrar plenamente no trabalho quando estão no escritório. “Quando estou na Avon não me ocupo de problemas domésticos, a não ser que seja urgente”, comenta Dagmar. “Ao chegar em casa, desligo o celular e, até a minha filha dormir, não retomo nenhuma atividade de trabalho.”
O fato é que as mulheres estão avançando rapidamente no mercado de trabalho. E isso já é percebido a olho nu, no dia-a-dia do trabalho. A estimativa do Grupo Catho é de que, nos últimos dez anos, quase dobrou o número de executivas no mercado de trabalho. Elas dominam as áreas de Recursos Humanos (63%) e Relações Públicas (58,5%), e parecem evitar as áreas: industrial, de engenharia e de processamento de dados.
Nas grandes empresas, no entanto, ainda encontram alguma dificuldade para ocupar cargos de comando. Essas organizações contratam, percentualmente, menos mulheres que pequenas e médias empresas. Além disso, elas ganham, em média, 10% menos que os homens.
De modo geral, a pesquisa constatou que, apesar do avanço, as mulheres estão mais insatisfeita que o homens com suas condições de trabalho. Além de reclamarem mais dos salários e dos benefícios que os homens, também acham o processo decisório mais autoritário que eles.
Um dado importante é o que indica que as mulheres em cargos de gerentes, supervisores e profissionais especializados sofrem mais com o estresse do que com pares homens. Para piorar a situação, elas fazem menos exercícios físicos com regularidade.
Mas esse não é o caso de Dagmar. “Das 6h às 7h tenho um personal que caminha comigo”, conta. E como não dá para perder tempo, ela escolheu um profissional fluente em inglês para exercitar também outra língua.
A pesquisa conclui ainda que as executivas são, sistematicamente, menos felizes que os homens, acreditam menos na perspectiva de progresso da empresa nos próximos três anos e são menos motivadas e satisfeitas no trabalho do que os homens. Para Dagmar o segredo da felicidade está em equilibrar vida pessoal e trabalho. “Costumo dizer que atrás de uma grande mulher tem sempre um grande homem.”
Fonte: Gazeta Mercantil
