Mercado de Seguros

Mudança na Secretaria de Reformas Econômicas, que inclui setor de seguros

Regis Anderson Dudena foi nomeado para exercer o cargo de secretário de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda, substituindo Marcos Barbosa Pinto, que deixou a função no início de janeiro. A mudança marca o início de uma nova fase na condução da agenda de reformas econômicas da pasta, que nos últimos anos teve forte interlocução com o mercado segurador.

Marcos Barbosa Pinto deixou o cargo em 2 de janeiro e planeja retornar ao setor privado com a criação de uma gestora de fundos de investimento no Rio de Janeiro. O novo negócio terá como foco investidores de patrimônio elevado, dispostos a alocar recursos em estratégias com horizonte de longo prazo. A iniciativa representa uma volta ao mercado financeiro, agora em empreendimento próprio. Antes de ingressar no governo, Barbosa Pinto foi sócio da Gávea Investimentos por oito anos, gestora fundada pelo ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga.

Os planos do ex-secretário foram comunicados à Comissão de Ética Pública da Presidência da República (CEP), que avaliou haver potencial conflito de interesses e determinou a aplicação de uma quarentena de seis meses. O período conta a partir da exoneração e impede Barbosa Pinto de atuar em atividades privadas diretamente relacionadas às atribuições exercidas no cargo público.

Durante sua passagem pela Secretaria de Reformas Econômicas, Barbosa Pinto teve papel relevante no diálogo com o setor de seguros, especialmente em temas ligados à política de investimentos das seguradoras e entidades de previdência. Em entrevista à Revista de Seguros, da CNseg, ele defendeu que o mercado segurador brasileiro ampliasse e diversificasse suas alocações, reduzindo a dependência histórica de títulos públicos.

Segundo Barbosa Pinto, uma maior exposição a ativos como crédito privado, debêntures de infraestrutura e instrumentos de financiamento de longo prazo poderia contribuir tanto para melhorar a rentabilidade das seguradoras quanto para apoiar o desenvolvimento econômico do país. Ele também destacou a necessidade de ajustes regulatórios que aproximassem o arcabouço brasileiro das práticas internacionais, preservando os critérios de solvência e segurança do sistema.

O setor de seguros desempenha papel significativo na economia brasileira, com o mercado supervisionado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) movimentando cerca de R$ 376,17 bilhões entre janeiro e novembro de 2025, com destaque para o crescimento de segmentos como seguro de vida. O faturamento total das seguradoras brasileiras ultrapassou R$ 202 bilhões no acumulado do mesmo período, e o lucro líquido chegou a R$ 36,3 bilhões, segundo análise de mercado.

As projeções divulgadas por entidades do setor apontam que o mercado de seguros deve fechar 2025 com crescimento robusto e manter expansão em 2026, com expectativa de alta em torno de 8% no próximo ano. As reservas técnicas — os montantes que as seguradoras e entidades de previdência acumulam para honrar compromissos futuros — cresceram de forma expressiva nos últimos anos, ultrapassando R$ 2 trilhões em outubro de 2025, refletindo a consolidação e a solidez do setor como um grande investidor institucional na economia brasileira.

Regis Dudena, que assume agora a Secretaria de Reformas Econômicas, ocupava anteriormente o cargo de secretário de Prêmios e Apostas no Ministério da Fazenda. Advogado de formação, ele passa a comandar uma área estratégica para a agenda econômica do governo, responsável por temas estruturais que incluem reformas regulatórias e o relacionamento com setores-chave da economia, como o mercado financeiro e o setor de seguros.

A expectativa do mercado é acompanhar como a nova gestão dará continuidade — ou imprimirá ajustes — às discussões em curso, especialmente em um momento em que seguradoras, resseguradoras e investidores institucionais buscam maior previsibilidade regulatória e espaço para ampliar sua atuação em investimentos de longo prazo.

Fonte: Sonho Seguro – Denise Bueno

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