Mercado de Seguros

Mercado projeta crescimento acima do PIB em 2026

O setor de seguros entrou em 2026 com uma mensagem de confiança, mesmo em um ambiente econômico ainda marcado por incertezas. Esse foi o tom do painel “Cenários para o Brasil em 2026”, realizado no ConsegNNE 2026, em Salvador, encerrado no sábado (14).

Dados apresentados pela CNseg, a confederação das seguradoras, com base em dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep), e pelo Sindseg NNE reforçam o potencial da região no avanço do mercado segurador. O mercado segurador do Norte e Nordeste movimentou R$ 39,5 bilhões em arrecadação em 2025, o que representou 9,5% da arrecadação nacional, acima dos 9,1% registrados em 2024.

Embora o volume regional tenha recuado 1% na comparação anual, o desempenho foi melhor do que o do Brasil como um todo, que teve queda nominal de 4,8%, o que evidencia ganho de participação da região no mercado nacional. Dentro desse resultado, o segmento de Danos e Responsabilidades arrecadou R$ 11,26 bilhões, com alta de 10,4%, enquanto o Automóvel respondeu sozinho por R$ 5,55 bilhões, também com avanço de 10,4%. O ramo Patrimonial somou R$ 2,13 bilhões, e os produtos massificados cresceram com força, alcançando R$ 1,03 bilhão, alta de 22%.

Pelo lado das indenizações, benefícios, resgates e sorteios, a região também avançou. Em 2025, o volume pago pelo setor a consumidores e empresas no Norte e Nordeste totalizou R$ 10,3 bilhões, crescimento de 8,9% em relação a 2024, acima da média nacional, de 5,6%. Com isso, a participação regional no total desembolsado no país subiu de 7,6% para 7,8%. Pernambuco, Ceará e Pará lideraram os pagamentos, com R$ 2,3 bilhões, R$ 1,8 bilhão e R$ 1,5 bilhão, respectivamente.

O segmento de Danos e Responsabilidades respondeu por 44% do total pago na região, equivalente a R$ 4,5 bilhões, enquanto o seguro Automóvel desembolsou R$ 3,4 bilhões em indenizações, com expansão de 14,5%, acima dos 7,6% observados no Brasil, reforçando o peso desse ramo na estratégia de crescimento das seguradoras na região.

Na abertura oficial do 6º ConsegNNE, o presidente do Sincor-BA, Josimar Antunes – anfitrião do evento – destacou a relevância do papel exercido pelo Corretor de Seguros. “Este congresso não é apenas um evento técnico. É, acima de tudo, um encontro de propósito. É o momento em que reafirmamos o valor do Corretor de Seguros como agente de confiança, como educador financeiro da população e como pilar fundamental da sustentabilidade do mercado. O corretor de seguros não vende apenas apólices. ele constrói relações, traduz riscos em soluções e transforma incertezas em proteção”, pontuou.

Por sua vez, o presidente da Escola de Negócios e Seguros (ENS), Lucas Vergilio, anunciou que a instituição trouxe uma grande novidade para o evento, que pode representar um salto de qualidade para os Corretores de Seguros. “Instalada aqui na feira de negócios, a ENS TechVillage será uma experiência imersiva voltada à conexão entre tecnologia, educação e aplicação prática. A iniciativa resulta de parceria da instituição com a SOSA, empresa israelense de inovação com atuação global e forte presença no desenvolvimento de soluções para o mercado de seguros”, acentuou, acrescentando que, no espaço, quatro empresas apresentarão ferramentas tecnológicas que poderão ser testadas pelos Corretores de Seguros, com foco na incorporação dessas soluções às jornadas de captação, vendas e pós-venda.

O presidente da Fenacor, Armando Vergilio, manifestou a certeza de que a perfeita sinergia entre as entidades do setor é vital para o crescimento do mercado de seguros. Ele classificou o 6º ConsegNNe como um evento “diferente” e de extrema relevância. “O evento terá 67 painéis com mais de 80 painelistas e palestrantes. Além disso, haverá 11 salas de negócios com palestras simultâneas. Todos os temas de importância para o mercado estarão sendo discutidos aqui”, assegurou Vergilio.

Após a formalidade da abertura com políticos e entidades responsáveis pela organização do evento, começou o debate sobre como fazer o setor de seguros alcançar o tamanho necessário para o Brasil ter uma sociedade protegida de riscos previstos e imprevistos. Um plano previsto é sair dos 6,4% de participação do PIB brasileiro para 10% até 2023, o que depende do desenvolvimento do país, das seguradoras e dos consumidores.

Perspectivas econômicas e de crescimento de seguros caminham de mãos dadas

O professor da Fundação Dom Cabral, Gilmar Mendes, e executivos do mercado compartilharam com mais de 2 mil participantes, em sua maioria corretores de seguros e assessorias, uma leitura macroeconômica do país que pode ser traduzida em oportunidades concretas para o setor de seguros. Marcelo Goldman, diretor de produtos massificados da Tokio Marine; Ney Dias, presidente da Fenseg; e Rafael Amaral, diretor da HDI Seguros, reforçaram a avaliação de que o seguro seguirá crescendo acima da economia, apoiado por mudanças estruturais no consumo, pela ampliação do uso da tecnologia e pelo ainda elevado gap de proteção no país.

Gilmar Mendes traçou um cenário de cautela, mas sem pessimismo. Na visão do professor da Fundação Dom Cabral, o Brasil chega a 2026 em uma posição melhor do que a percepção geral costuma sugerir, sustentado por um mercado de trabalho resiliente, por atividade econômica ainda firme e pela perspectiva de continuidade do crescimento. Ao mesmo tempo, o país segue exposto a riscos externos e a entraves internos que limitam uma expansão mais robusta, como o ambiente global mais lento, a necessidade de maior previsibilidade regulatória e os desafios fiscais. A mensagem central foi a de que o Brasil tem condições de avançar, mas dependerá de sua capacidade de transformar potencial em crescimento sustentado.

Essa leitura macroeconômica encontrou eco imediato nas falas dos executivos do setor, que fizeram a ponte entre o cenário do país e a dinâmica dos negócios. Embora Norte e Nordeste tenham um peso ainda discreto se comparado a São Paulo, Rio, região Sul, é citada com relevância pelas seguradoras. Norte e Nordeste são vistos como territórios estratégicos para a expansão do mercado, tanto pelo crescimento da mobilidade, da atividade econômica e do agronegócio quanto pelo enorme espaço ainda existente para ampliar a proteção de pessoas, veículos, residências, empresas e operações logísticas.

Marcelo Goldman levou ao debate uma leitura bastante objetiva sobre o seguro automóvel, um dos principais ramos da carteira de seguros gerais. Segundo ele, o segmento segue promissor, mas vem convivendo com um ritmo de expansão mais moderado, refletindo o desempenho da própria indústria automobilística. O executivo observou que o mercado de veículos novos ainda não recuperou plenamente o patamar pré-pandemia e lembrou que, antes da crise sanitária, o Brasil vendia cerca de 2,8 milhões de veículos por ano, enquanto 2025 terminou em torno de 2,6 milhões. Para ele, essa desaceleração impacta diretamente o seguro auto, que depende fortemente da entrada de veículos novos na frota segurada.

Goldman destacou, porém, que há transformações estruturais relevantes em curso. Uma delas é o aumento do valor médio dos veículos no Brasil, movimento que elevou a importância segurada e, por consequência, a arrecadação do ramo. Outra é o crescimento dos veículos eletrificados, que vêm ganhando espaço na indústria automobilística e exigem adaptação técnica das seguradoras e dos corretores. Mas o fenômeno que mais chamou atenção em sua fala foi o avanço das motos, especialmente importante no Nordeste. Segundo ele, esse mercado deixou de vender algo próximo de 1 milhão de unidades por ano para superar 2,2 milhões em 2025, abrindo uma oportunidade clara para expansão do seguro voltado a esse tipo de veículo. Na leitura do executivo, os corretores precisam estar atentos a esse movimento, porque ele pode representar uma importante frente de crescimento nos próximos anos.

O diretor da Tokio Marine também ressaltou que, apesar de o seguro automóvel não estar vivendo hoje os mesmos ritmos de alta de outros momentos, continua sendo um ramo relevante e com forte capacidade de reação. Ele lembrou que o mercado de auto movimenta cerca de R$ 62 bilhões por ano e segue altamente dependente do corretor, principal canal de distribuição da carteira. Ao mesmo tempo, ponderou que o avanço dos multicálculos, das novas ferramentas tecnológicas e da própria sofisticação do produto transformou o ramo nos últimos anos, exigindo maior capacidade consultiva dos profissionais que atuam nessa frente.

Se Marcelo Goldman olhou para o automóvel, Ney Dias ampliou a lente para os demais ramos e reforçou que o mercado segurador brasileiro continua exibindo um desempenho robusto. Segundo ele, os seguros gerais cresceram acima da média da indústria e devem seguir avançando em 2026, impulsionados por linhas como patrimonial, transporte, riscos financeiros, habitacional e rural. Na sua avaliação, o patrimonial tem sido puxado especialmente pela demanda de pequenas e médias empresas e pelo residencial, enquanto o transporte ganhou novo impulso com fatores regulatórios e com o crescimento do comércio eletrônico.

Ao comentar a carteira de riscos financeiros, Dias destacou o seguro garantia como uma das linhas que seguem ganhando espaço, em um contexto de maior discussão tarifária, judicialização e necessidade de soluções para operações empresariais. Também chamou atenção para o desempenho do seguro habitacional e para a importância do agronegócio, que sustenta a expansão de coberturas rurais e de seguros para máquinas e equipamentos cada vez mais sofisticados. Em sua leitura, o principal pano de fundo para tudo isso é o tamanho do gap de proteção brasileiro.

Para o presidente da FenSeg, o mercado ainda tem uma fatia enorme de residências, empresas, patrimônios e atividades econômicas sem cobertura adequada. É justamente esse vazio que sustenta a convicção de que o seguro pode continuar crescendo acima do PIB. Ney Dias defendeu que a combinação entre corretor, seguradora e novas tecnologias pode acelerar a formação de consciência sobre proteção no Brasil. Em vez de limitar o profissional à burocracia e às tarefas operacionais, o uso de inteligência artificial e de ferramentas digitais tende a liberar tempo para uma atuação mais consultiva, voltada à prospecção, ao aconselhamento e ao desenho de soluções mais aderentes à necessidade do cliente.

A fala de Rafael Amaral acrescentou ao painel uma dimensão estratégica adicional: a percepção do investidor estrangeiro. Representando a HDI Seguros, integrante de um grupo alemão presente em diversas economias, o executivo afirmou que o Brasil continua sendo um mercado potencial para companhias globais com ambição de expansão internacional. Ele argumentou que o país reúne características que inspiram confiança: é o maior mercado de seguros da América Latina, mantém rentabilidade, apresenta sofisticação crescente e avança em tendências como o uso de inteligência artificial, que já mobiliza investimentos relevantes no setor, segundo estudo da CNseg em parceria com a EY.

Na visão de Amaral, há ainda um fator decisivo: o mercado brasileiro continua grande, resiliente e subpenetrado. Em outras palavras, apesar do crescimento recente, o seguro ainda ocupa uma participação relativamente baixa diante do potencial da economia e da dimensão dos riscos existentes no país. Isso significa que ainda há muito espaço para ampliar cobertura na frota, no patrimônio, nas empresas e nas cadeias produtivas. Para grupos estrangeiros, esse conjunto de fatores torna o Brasil uma escolha natural, sobretudo quando se considera a solidez institucional e o papel do seguro como mecanismo de redução de volatilidade econômica.

Em conversa com executivos na feira de negócios que acontece na parte da tarde, a leitura de crescimento regional ganhou reforço nas falas de Fabio Morita, diretor de Automóvel, Massificados e Vida da Allianz, e de Patricia Chacon, CEO da Porto. Morita destacou que a Allianz tem intensificado sua presença em Norte e Nordeste com uma estratégia centrada na proximidade com o corretor e na adaptação de produtos e processos às necessidades locais. De acordo com os dados disponibilizados pela Susep de 2025, a Allianz está entre as top 5 seguradoras da região Norte e entre as top 7 seguradoras da região Nordeste.

Segundo ele, a companhia vem ampliando o apetite em diferentes frentes, com maior aceitação no seguro empresarial, expansão da atuação em veículos de alto valor, avanço em frotas e foco renovado em vida. O executivo afirmou que a seguradora quer crescer de forma diversificada e estruturada, apoiando-se em uma presença comercial mais forte nas praças regionais e em programas de capacitação voltados aos corretores.

Morita reforçou que a Allianz tem investido na escuta ativa do corretor e em uma atuação mais próxima nas diferentes cidades do Norte e do Nordeste. Ele citou visitas recentes da liderança da companhia a capitais como Rio Branco, Manaus e Porto Velho como parte de uma estratégia mais ampla de presença territorial. Também destacou o lançamento de um novo sistema de vida coletivo, com usabilidade mais amigável, além do fortalecimento da estrutura comercial voltada tanto ao seguro de vida coletiva quanto ao individual. Para ele, o crescimento do mercado regional passa não apenas por ampliar a oferta, mas por capacitar o corretor a diversificar a carteira e atuar em linhas além do automóvel.

Patricia também ressaltou a importância estratégica de Norte e Nordeste para o grupo Porto. Segundo ela, a região reúne fatores que reforçam seu potencial de expansão, como aumento dos investimentos, crescimento do agro, fortalecimento do turismo e demanda crescente por soluções mais aderentes à realidade local. A executiva afirmou que a Porto tem avançado fortemente no automóvel, tanto com a marca Porto quanto com a Azul, e citou como exemplo o lançamento de produtos voltados ao motorista de aplicativo, segmento que ganhou relevância e passou a exigir soluções específicas. Entre eles estão opções como cobertura de roubo e furto e modalidades compactas com proteção para perda parcial por colisão.

Outro destaque trazido por Patricia foi o lançamento do serviço de atendimento em até 15 minutos, com expansão para Salvador a partir de 1º de abril, no período entre 22h e 5h. A proposta, segundo ela, reforça a busca da companhia por maior agilidade e melhor experiência para o segurado. A executiva fez questão de enfatizar que a estratégia regional da Porto não se limita ao automóvel. O grupo também quer ampliar sua presença em residencial, empresarial e vida, com produtos mais personalizados, simples de contratar e capazes de facilitar o cross selling dentro da carteira do corretor. Nesse contexto, ela mencionou a proteção combinada, que reúne carro, casa e celular em uma mesma apólice, e as condições comerciais reforçadas para o seguro de vida, incluindo benefícios como assistência funeral para os pais.

Tanto Allianz quanto Porto convergiram em um ponto central: o corretor segue no centro da estratégia de crescimento. Em regiões como Norte e Nordeste, onde o potencial de expansão ainda é elevado e a diversificação das carteiras é um desafio constante, ouvir o corretor, simplificar produtos, investir em treinamento e adaptar soluções às características locais aparecem como fatores decisivos. A mensagem dos executivos foi a de que não basta apenas oferecer mais produtos; é preciso tornar a venda mais simples, ampliar a percepção de valor do seguro e ajudar o corretor a identificar novas oportunidades dentro da própria base de clientes.

CNseg e Susep defendem inovação

A ampliação da participação do seguro no Brasil depende de uma combinação entre inovação, regulação eficiente, tecnologia bem aplicada e comunicação mais clara com o consumidor. Essa foi a mensagem central transmitida pelo presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, e pelo superintendente da Susep, Alessandro Octaviani, ao debaterem os caminhos para fazer o seguro avançar em um país ainda marcado por baixa cobertura em áreas estratégicas e por forte lacuna de proteção diante de tragédias climáticas e riscos econômicos.

Para Dyogo Oliveira, o ponto de partida é lembrar que o arcabouço legal do setor deve servir ao consumidor. “A legislação está aqui para proteger o segurado e não as seguradoras ou os corretores”, afirmou. A partir dessa premissa, ele defende que o mercado concentre esforços em soluções que gerem expansão real, com produtos mais aderentes ao perfil da população e linguagem menos técnica. Na avaliação do executivo, não basta sofisticar sistemas e normas se o setor não conseguir chegar ao consumidor com clareza e valor percebido.

Dyogo sustenta que o desafio passa por rever prioridades. “Temos de focar no crescimento do mercado, em gerar novos produtos, com custo mais baixo, linguagem e capacidade de chegar no consumidor com um linguajar mais acessível e que seja entendido”, disse. A observação dialoga com um problema recorrente apontado pelo setor: boa parte dos consumidores não compreende plenamente os termos das apólices, o que dificulta a contratação e enfraquece a percepção do seguro como instrumento de proteção essencial. Para ele, ampliar a penetração exige traduzir melhor o papel do seguro no cotidiano das famílias e empresas.

Ao mesmo tempo, o presidente da CNseg ressalta que a transformação tecnológica em curso abre oportunidades concretas para acelerar esse movimento. “80% das seguradoras brasileiras estão utilizando inteligência artificial em alguns dos seus processos”, afirmou. Segundo Dyogo, o uso de IA já melhora a velocidade de resposta, amplia a capacidade de identificar fraudes e aumenta a eficiência operacional. Ainda assim, ele pondera que tecnologia não pode ser tratada apenas como modernização interna: ela precisa ajudar a reduzir custos, ampliar acesso e sustentar um modelo de crescimento mais inclusivo.

A preocupação com tecnologia, porém, não se limita aos ganhos de produtividade. Dyogo também fez um alerta sobre a concentração de dados em poucos operadores do mercado, especialmente no ambiente dos multicálculos e das plataformas que intermediam fluxos de informação, como as SPOC, corretores dentro do Open Insurance. Na sua leitura, esse modelo traz riscos operacionais, concorrenciais e até estratégicos para o setor. Por isso, a discussão sobre Open Insurance e compartilhamento de dados, defende ele, deve ser conduzida com atenção à competição, à segurança da informação e ao real benefício entregue ao consumidor.

Do lado da Susep, Alessandro Octaviani vem reforçando que ampliar a cobertura securitária no Brasil é uma agenda urgente não apenas para o mercado, mas para o país. Ao comentar a baixa proteção diante de tragédias recentes, ele tem insistido que o setor precisa ganhar escala social. “O seguro precisa ser conhecido e, portanto, acessado pela população”, afirmou. A frase resume a visão de que a expansão do mercado depende de democratização, visibilidade e acesso — e não apenas de crescimento dentro da base tradicional de clientes já segurados.

Octaviani tem associado esse debate ao impacto das mudanças climáticas e ao tamanho da lacuna de proteção brasileira. Ao citar o caso do Rio Grande do Sul, lembrou que as perdas econômicas superaram R$ 100 bilhões, enquanto as indenizações do mercado ficaram em torno de R$ 6 bilhões. Para ele, esse descompasso mostra que o país ainda deixa desprotegida uma parte muito grande da sociedade. Daí a defesa de novos instrumentos capazes de distribuir melhor os riscos e envolver mais participantes na proteção coletiva.

Nessa linha, o superintendente sustenta que o avanço do seguro precisa se apoiar em uma lógica mais ampla de compartilhamento social dos riscos. “Temos de ser capazes de colocar a conta organizada e distribuída por todos os ofertantes; isso significa uma sociedade mais resiliente”, afirmou. O raciocínio é que, quanto maior a base de segurados e quanto mais disseminada estiver a proteção, maior será a capacidade de resposta da economia diante de eventos extremos. Trata-se, em sua visão, de fortalecer uma espécie de solidariedade securitária, em que mais pessoas participam do sistema e ajudam a sustentar sua capacidade de indenização.

O titular da Susep também chama atenção para o desenho da infraestrutura tecnológica que vai sustentar essa expansão. “Temos de pensar uma tecnologia de dados que não leve à concentração”, disse. A observação mostra que, para a autarquia, a digitalização do setor não pode resultar em poucos agentes controlando volumes excessivos de informações estratégicas. Ao contrário, a meta deve ser criar um ambiente com mais participação, maior concorrência e melhor distribuição das oportunidades de mercado.

A convergência entre CNseg e Susep aparece justamente nesse ponto: ambos reconhecem o peso da inovação, mas rejeitam a ideia de que a modernização por si só resolverá o problema da baixa penetração. O que está em jogo é construir um setor capaz de sair de um modelo ainda muito concentrado em consumidores de renda média e alta e alcançar uma parcela mais ampla da sociedade, com soluções compreensíveis, acessíveis e compatíveis com os riscos do presente.

Nesse contexto, a agenda regulatória tende a ganhar ainda mais relevância. Enquanto a Susep avança em regulamentações ligadas a cooperativas, proteção patrimonial mutualista e novos marcos legais, a CNseg insiste que o sucesso dessas mudanças dependerá de sua capacidade de se converter em crescimento efetivo do mercado. Em comum, Dyogo Oliveira e Alessandro Octaviani defendem que o futuro do seguro no Brasil passa por uma equação clara: menos barreiras de linguagem, mais tecnologia útil, mais competição, mais acesso e maior capacidade de responder a riscos que já não podem mais ser tratados como excepcionais.

Fonte: Sonho Seguro – Denise Bueno

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