Resseguro

Mercado de resseguros entra em fase de acomodação após ciclos de alta

As renovações globais de resseguros de 1º de janeiro confirmam uma tendência clara de acomodação do mercado, sustentada por crescimento robusto de capital, um dos menores níveis recentes de perdas catastróficas resseguradas e retornos historicamente elevados das resseguradoras. As conclusões fazem parte do relatório January 1, 2026 Reinsurance Renewal Report, da Guy Carpenter.

Os ajustes de preços e attachment points iniciados em 2023 reduziram de forma significativa a participação das resseguradoras nas perdas globais, fortalecendo a lucratividade do setor e contribuindo para um ambiente renovado de capacidade excedente, maior competitividade e flexibilização de termos.

De acordo com Pedro Farme, Presidente da Guy Carpenter no Brasil, as renovações mostram um mercado global de resseguros em processo de acomodação, sustentado pela combinação oportuna de maior disponibilidade de capital, menor exposição das resseguradoras às perdas catastróficas e resultados financeiros mais sólidos.

“Esse conjunto de fatores tornou o ambiente mais favorável aos compradores, com aumento das operações tanto em retrocessão quanto em resseguro tradicional. Vemos um mercado que está absorvendo mais risco, impulsionado pela ampliação de capital e pela evolução das estruturas de contratação. Esse cenário tem ampliado o espaço para inovação e competição, oferecendo alternativas estratégicas mais diversificadas. Não se trata apenas de um mercado mais flexível, mas de um ecossistema mais preparado para crescer com resiliência”, diz.

Principais tendências

Crescimento do capital dedicado ao resseguro, com expectativa de aumento de cerca de 9% em 2025, impulsionado por resultados técnicos positivos, lucros retidos e expansão do capital alternativo, incluindo catastrophe bonds;

Redução da participação das resseguradoras nas perdas catastróficas globais, com a parcela de perdas resseguradas caindo de patamares próximos a 20% para cerca de 12% após os reajustes de preço e de attachment points observados desde 2023;

Um ambiente de preços mais competitivos em property catastrophe, com reduções de dois dígitos nas taxas ajustadas ao risco para programas sem perdas em América do Norte, Europa e Ásia‑Pacífico, reforço de programas, ampliação de coberturas e diversificação de painéis em um contexto de capacidade excedente;

Sinais de flexibilização em termos e condições, com redução de não concorrências e subjetividades introduzidas no hard market de 2023 e movimento em direção a maior alinhamento de coberturas entre resseguradores, especialmente em contratos de property;

Atividade recorde no mercado de catastrophe bonds, com emissões em níveis históricos, limite em circulação superior a USD 58 bilhões, entrada constante de novos patrocinadores e inovações em estrutura, consolidando os cat bonds como componente estrutural dos programas de resseguro;

Aumento do uso de instrumentos de capital, como surplus notes, por seguradoras P&C – em especial mútuas e regionais –, como fonte diversificada de capital de longo prazo, com condições favoráveis de custo, tratamento regulatório e forte demanda de investidores;

Resultados de casualty mais diferenciados por região, estrutura e experiência, mas sustentados por disciplina em limites, termos e attachment points, em um ambiente de custos crescentes de litígio nos Estados Unidos, com maior conforto em estruturas proporcionais bem geridas, ajustes seletivos em programas excesso de perdas de com attachment points mais baixos e sinais de maior competição em algumas geografias de Ásia e Oriente Médio & África;

Evolução do mercado de resseguros cibernéticos , com renovações concluídas no prazo, pressão de preços em queda, melhoria de termos e condições para cedentes, maior demanda por coberturas não proporcionais e estruturas inovadoras – como combinações property/cyber no tail e soluções de retro – em um contexto de eventos recentes que evidenciam a lacuna entre perdas econômicas e seguradas em economias altamente interconectadas;

Um cenário de abrandamento em diversas linhas de specialty (por exemplo, marítimo, energia, riscos técnicos, crédito e aviação), com queda de taxas para negócios sem perdas relevantes, foco crescente na harmonização das condições contratuais entre resseguradores, ajustes em estruturas de proteção (com menor dependência de contratos proporcionais em alguns segmentos e maior uso de coberturas de excesso de perdas e de capacidade alternativa, como estruturas de sidecar) e maior competição em crédito, com cedentes buscando limites mais elevados e prazos mais longos.

Crescente competitividade no mercado facultativo, em especial em property, com reduções significativas de taxas em contas sem perdas, excesso de oferta em diversas colocações, resseguradores oferecendo mais capacidade e soluções criativas (como redução de franquias e coberturas específicas para catástrofes), além do crescimento de estruturas facultativas pré‑acordadas que simplificam a compra, aumentam a eficiência operacional para cedentes e atraem nova capacidade;

Aumento da atividade de M&A no setor de resseguros, apoiada por contexto de capital excedente, estabilização de taxas de juros e busca por diversificação geográfica, de canais e de capacidades técnicas – com destaque para ativos em specialty (incluindo Lloyd’s), plataformas com forte capacidade de distribuição e segmentos como MGAs (managing general agents) e insurtechs com foco em dados, automação e riscos emergentes.

A expansão acelerada do ecossistema de data centers, impulsionada por inteligência artificial, migração para cloud e investimentos em infraestrutura digital, criando um dos ambientes de risco mais dinâmicos da atualidade e abrindo espaço para que seguradoras e resseguradoras apoiem esse crescimento com expertise técnica, apetite de risco e soluções de transferência de risco sob medida.

Fonte: Sonho Seguro – Denise Bueno

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