Leilão de energia nova movimenta R$ 27,7 bilhões
São Paulo, 11 de Outubro de 2006 – Usina de Mauá foi arrematada pelo consórcio Cruzeiro do Sul, formado por Eletrosul e Copel. O terceiro leilão de energia nova, realizado ontem pela internet, movimentou R$ 27,7 bilhões, com a negociação de 219,9 milhões de megawatt-hora (MWh). Com a entrega prevista para a partir de 2011, a energia proveniente de hidrelétricas (contratos com duração de 30 anos) foi vendida por um valor médio de R$ 120,86/MWh, enquanto o insumo oriundo de termelétricas (15 anos de contrato) teve um preço médio de R$ 137,44/MWh.
Da demanda de 1.243 MW médios informada pelas empresas de distribuição, 1.104 MW médios foram contratados no leilão. A principal surpresa do pregão, que teve a participação de 43 empresas vendedoras (geradoras) e 24 compradores (distribuidoras), foi a inclusão, em cima da hora, da hidrelétrica Mauá, com potencial instalada de 361,1 MW – a maior entre as disputadas no leilão. Por questões ambientais, a participação da usina chegou a ser suspensa pela Justiça Federal do Paraná, por meio de duas liminares. No entanto, a desembargadora federal Maria Lúcia Luz Leiria, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, derrubou, ontem, as liminares, permitindo que a concessão hidrelétrica de Mauá fosse arrematada pelo consórcio Cruzeiro do Sul, formado pela Companhia Paranaense de Energia (Copel)(51% de participação) e a Eletrosul (49%).
Com investimentos de R$ 883 milhões, a usina de Mauá deve entrar em operação em 2011 e será construída no Rio Tibagi, entre os municípios Telêmaco Borba e Ortigueira. O consórcio Cruzeiro do Sul venceu a disputa pelo empreendimento paranaense ao oferecer a tarifa de R$ 113,15/MWh, ante o preço inicial de R$ 116,35/MWh. A hidrelétrica vendeu 192 MW do total de sua potência.
Além de Mauá, o leilão conseguiu viabilizar mais uma nova hidrelétrica, a Dardanelos, situada em Mato Grosso, com potencial de 261 MW. Essa usina, que negociou 147 MW de sua potência, por um preço médio de R$ 112,68 por MWh, foi levada pelo consórcio Aripuanã, composto pela Neoenergia (46%), Eletronorte (24,5%), Chesf (24,5%) e Construtora Norberto Odebrecht (5%).
No entanto, os outros dois empreendimentos novos (sem concessão) colocados à venda não foram arrematados durante o pregão de ontem: as usinas Cambuci (50 MW) e Barra do Pomba (80 MW), ambas no Rio de Janeiro. Para o presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim, as empresas avaliaram que essas usinas não seriam viáveis em função do preço apresentado no início do certame. O preço-teto de Barra do Pomba era de R$ 125,41 por MWh, enquanto o valor de Cambuci era de R$ 152,41 por MWh. Ainda segundo Tolmasquim, essas hidrelétricas são consideradas problemáticas sob o ponto de vista ambiental.
Em entrevista em São Paulo, o ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, disse ontem que o resultado do leilão “foi positivo, em razão de ter atendido a “praticamente 100% da demanda das distribuidoras”. De acordo com o presidente da EPE, “em poucos os países do mundo as distribuidoras têm 99,6% do seu mercado atendido com cinco anos de antecedência”. “Isso está virando uma regra no Brasil, e dá muita tranqüilidade ao investidor”, afirmou, em comunicado enviado à imprensa.
No total, o leilão teve a participação de 38 empreendimentos, sendo 21 de fonte termelétrica e 17 de fonte hidrelétrica.
Também participaram do pregão as chamadas usinas “botox” – que têm concessão, mas ainda não foram construídas ou não estão contratadas. A usina São Salvador vendeu 148 MW médios, por 135,01 MWh. A energia de Salto Pilão foi vendida separadamente – a Camargo Corrêa vendeu 20 MW médios, a R$ 135,98 MWh, e a DME Energética, outros MW médios, a R$ 133,34/MWh.
Fonte: Gazeta Mercantil
