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Interesse pela eleição não é maior que em pleitos anteriores, diz diretora do Ibope

Ao contrário do que levam a crer as discussões agressivas nas redes sociais, as trocas de acusações entre eleitores nas ruas e o tom acalorado do discurso dos candidatos, o interesse pelas eleições este ano não é maior do que nos pleitos anteriores, segundo a diretora do Ibope Inteligência, Márcia Cavallari.
Isso se deve em grande parte à divisão da população na avaliação da presidente Dilma Rouseff.
Para ela, ganhará o candidato que demonstrar que tem capacidade de fazer o Brasil avançar – mas sem abrir mão das conquistas já alcançadas.
Leia abaixo os principais trechos da entrevista:
BBC Brasil – Esta é a eleição mais polarizada que já houve?
Márcia Cavallari – Sim, é a mais difícil de todas as eleições desde que o Brasil entrou na democracia. É o segundo turno mais polarizado, com índices mostrando sistematicamente empate entre candidatos e uma divisão grande do país.
BBC – A divisão do eleitorado é por classes? Ou é regional?
Cavallari – Na eleição do Lula, em 2002, o voto recebido por ele foi bastante homogêneo, em todas as regiões e segmentos sociais. Em 2006, a reeleição mostrou uma clivagem social bastante forte. Começou aí uma divisão de classe altas escolarizadas, do Sul e do Sudeste, votando no opositor, e as classe menos escolarizadas, com renda menor, mais no Norte e no Nordeste, votando no Lula. Isso se deu por conta do mensalão, em 2005.
Em 2010, a Dilma foi eleita com esse mesmo eleitor do Lula. Depois, ao longo do governo, foi conquistando os eleitores que tinham votado nos opositores do Lula e dela nas eleições anteriores. Teve altos índices de avaliação positiva, conquistou o eleitor que não era dela, que via que ela poderia fazer uma gestão diferente, principalmente no que diz respeito à corrupção, desvios de dinheiro… No começo do governo, ela demitiu vários ministros, gerou simpatia.
Esse mesmo eleitores agora saíram de novo da candidatura dela, por conta de outros fatos que ocorreram – desde as manifestações de 2013, a Copa, as denúncias sobre a Petrobras. Eles agora estão com o opositor. Novamente, temos uma cisão de eleitores com seus respectivos candidatos. Voltamos para o quadro de 2010.
BBC – Mas, se o quadro é parecido, por que agora há tanta polarização?
Cavallari – Em 2006, a eleição foi difícil para o Lula, mas, ao longo do caminho, ele mostrou que o Brasil avançou. Foi para o segundo turno, mas ganhou com larga margem. Quando a Dilma foi eleita, as pessoas votaram muito para que continuasse o bom momento do governo Lula no segundo mandato, com o Brasil crescendo, o pleno emprego, as pessoas com mais oportunidades. A população passou a ter maior poder de consumo, houve uma expansão grande da classe C, muito disso facilitado por crédito, mas as políticas do governo fizeram de fato com que houvesse uma mudança na desigualdade social, mesmo que não tão grande.
Isso fez com que o eleitor votasse na Dilma em 2010 acreditando que esse movimento aconteceria na mesma velocidade, e não está sendo assim. O eleitor sente a estagnação da economia, que é preciso melhorar em áreas básicas, como saúde, educação e segurança. Quer que avance, mas também não quer perder o que conquistou em termos de emprego, renda, poder de compra.
Houve avanços econômicos, mas, para ter mobilidade social, é preciso ter saúde, segurança. A gente passou por mobilidade econômica, não social. Esse desejo de mudança permeia esse avanço na área da saúde, educação, segurança pública. É onde o eleitor quer mudança, sem perder conquistas econômicas. Ele diz: “Não me venha falar em inflação, que vamos passar por recessão e ter desemprego de novo”.

Fonte: http://www.bbc.co.uk

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