Instituições podem “importar” algumas noivas do exterior
Que Bradesco e Banco do Brasil (BB) vão se mexer na tentativa de recuperar a liderança no ranking do setor ninguém duvida. Agora a estratégia a ser adotada pelos bancos ainda é uma incógnita. Comprar uma outra instituição no mercado local é o mais obvio, mas não há muitas opções com capacidade de elevar Bradesco e BB novamente à condição de líderes. Além disso, após a fusão Itaú-Unibanco a tendência é de elevação nos preços dos alvos em potencial. Uma alternativa, dizem, poderia ser a compra de empresas de atuação específica, como seguradoras e financeiras, estratégia que já vem sendo usada pelo Bradesco. Outra opção seria, em meio a uma crise global que afetou muitas instituições, adquirir um banco no exterior.
Esta é a opinião do sócio da Integral-Trust e ex-economista-chefe da Febraban, Roberto Luis Troster. “Acho mais viável que os bancos importem uma noiva, com ganho em volume de ativos e avançando no processo de internacionalização, do que uma aquisição interna”, diz Troster. “A crise global, que afeta os resultados de muitos bancos, pode facilitar a compra de uma instituição no exterior.” Para o economista, o próprio Itaú pode sair na frente. “Não tenho dúvidas de que, mesmo após a fusão com o Unibanco, o Itaú possa inaugurar este movimento comprando um banco no exterior”, comenta Troster. Os principais mercados, diz o economista, são México e Argentina.
Internamente, um nome específico, o do banco Votorantim, tem sido alvo de especulações envolvendo uma negociação que já estaria em curso com o BB. Ninguém confirma a operação. O que há de certo envolvendo o BB, o maior banco do País antes da fusão Itaú-Unibanco, é uma possível aceleração das negociações para a compra da Nossa Caixa. “A MP 443, da estatização, já facilitava as coisas. Agora, após a fusão, acredito que o processo deve ser acelerado”, avalia João Augusto Salles, economista da consultoria Lopes Filho. “O banco é importante para o BB porque reforça a presença dele no mercado paulista.”
Em relação aos boatos envolvendo o Votorantim, Salles diz que ele é um dos poucos bancos locais interessantes, dentro da estratégia de se aproximar do novo Itaú-Unibanco. “No momento de disputa, o preço de uma instituição como o Votorantim pode crescer muito e, em alguns casos, fica mais interessante cindir a instituição”, diz o economista. “Uma hipótese seria o BB ficar com a área de financiamento e o Bradesco com o corporate. Esta pode ser a opção mais viável.”
No leque de opções de Bradesco e BB, diz o economista da Lopes Filho, também não pode ser descartada a possibilidade de compra da operação brasileira de algum banco estrangeiro, lembrando da última aquisição neste molde feito pelo Itaú ao comprar a operação local do BankBoston. “As instituições poderiam buscar a compra, por exemplo, da operação brasileira de um Citi, com problemas graves lá fora, ou um HSBC”, diz. No caso específico do Bradesco, lembra Salles, também é possível a manutenção da estratégia de aquisições pontuais. “Eles vêm fazendo isso muito bem, comprando a Amex, em cartões, a corretora Ágora, o BMC em consignado, e a Finasa, em veículos”, diz. “As instituições vão se movimentar, mas sem loucuras, até porque um erro agora pode ser problemático.”
Fonte: Gazeta Mercantil