H.Stern vai vender jóia à classe média emergente
Há pouco mais de um mês na presidência, Roberto Stern já mostra por onde vai conduzir a rede de joalherias H.Stern, que nasceu há 61 anos no Rio atendendo turistas estrangeiros interessados em pedras brasileiras. Enquanto o pai Hans Stern, recém-falecido, tinha um pendor pelo mercado externo, onde a empresa tem 80 lojas, Roberto volta olhos e esforços para o mercado interno onde tem outras 80.
” Temos uma classe média emergente que precisamos considerar”, diz Roberto. Por um lado, ele desacelera o plano de expansão no exterior. “Chegamos à capacidade máxima de produção para atender esse mercado e, mesmo se contássemos com terceiros, não poderíamos suprir neste momento”. Por outro, anuncia uma nova linha de jóias, a Essencial, com peças entre R$ 500 e R$ 2 mil.
É mais uma tentativa de ampliar o público da H. Stern e abrir uma porta de entrada a novos consumidores. Sua expectativa é crescer 20% em faturamento em 2008, só no Brasil.
E esta nova linha não traz prejuízos de imagem para a marca? “Não, porque não vou fazer um borboleta de catálogo, vou fazer uma borboleta com design diferente, um desenho esperto, e a classe A vai perceber isso.”
A grife já tinha feito uma tentativa nesta área, mais acessível, com a linha UM, que ganhou até um balcão separado dentro das lojas. Havia também um projeto de jóias de prata, que não foi adiante.
A Essencial começa a ser vendida no próximo ano, ainda que sua divulgação e modelo de comercialização não estejam definidos. Para um consultor do mercado, esta linha se configura como um teste para o lançamento de uma segunda marca da joalheria.
A decisão de investir no público interno, garante Roberto, não foi motivada pela desvalorização da moeda americana. “Nossas jóias sempre foram cotadas em dólar.” Mas a valorização do ouro tem seu peso. “Passamos de US$ 370 a onça há alguns anos para US$ 800 hoje.” Sem falar nos custos de se manter uma estrutura no exterior.
Fonte: Valor