Executiva prioriza liderança que transforma estratégia e pessoas
Chegar ao topo da gestão em um setor historicamente dominado por homens, como o de seguros, teve para Patricia Chacón um significado que ultrapassa a conquista individual.
Para a executiva, que ocupa a posição de COO da Porto Seguro, trata-se de um marco inserido em um movimento coletivo de transformação do mercado. Ao longo de sua trajetória, construída a partir da passagem por diferentes áreas e funções, ela aprendeu que liderar vai muito além da busca por resultados financeiros: envolve transformar organizações por meio das pessoas que as constroem diariamente.
Essa vivência moldou um estilo de liderança baseado na escuta ativa, no desenvolvimento de equipes e na convicção de que ambientes diversos são mais fortes, resilientes e inovadores.
Ao enfrentar desafios e barreiras muitas vezes invisíveis ao longo da carreira, Patricia consolidou a visão de que a presença feminina em posições de decisão não deve ser exceção, mas parte natural da evolução do setor. Para ela, abrir espaço para novas lideranças e atuar de forma deliberada para ampliar a representatividade feminina é um papel intrínseco de quem ocupa cargos de comando.
Apesar dos avanços observados nos últimos anos, os números ainda evidenciam um desequilíbrio relevante.
Dados da Escola de Negócios e Seguros (ENS) mostram que as mulheres já representam 54,4% da força de trabalho no setor segurador, mas seguem sub-representadas nos espaços de decisão: são 38,6% das gerências, 21,2% das diretorias e apenas 16,1% dos conselhos de administração.
Na avaliação da executiva, o desafio não está na falta de talento, mas no acesso às oportunidades estratégicas.
Para acelerar esse avanço, Patricia defende que a diversidade deixe de ser uma pauta periférica e passe a ocupar o centro da estratégia corporativa. Isso implica revisar critérios de promoção, investir de forma intencional no desenvolvimento de lideranças femininas, criar ambientes seguros de escuta e garantir espaço real para que mulheres assumam posições de poder.
A mudança, segundo ela, exige lideranças dispostas a abrir caminhos e compartilhar decisões. Na Porto Seguro, os indicadores refletem esse compromisso: 57% do quadro de colaboradores é formado por mulheres, 44% dos cargos de liderança já são ocupados por elas e o conselho de administração tem maioria feminina, com 57,1% de participação.
Olhando para 2026, Patricia Chacón identifica a hipersegmentação como uma das principais tendências que devem redefinir o setor de seguros.
A capacidade de compreender com precisão diferentes perfis, comportamentos e momentos de vida permitirá desenhar ofertas mais aderentes, ampliar o acesso à proteção e aprofundar a relevância das soluções.
Esse movimento se traduz tanto na ampliação do portfólio quanto na personalização da experiência do cliente.
Na prática, essa estratégia já se materializa em lançamentos recentes. Pela Azul Seguros, a companhia apresentou o Azul Auto Compacto, voltado a veículos entre 4 e 35 anos de uso, com foco em coberturas essenciais e custo acessível. Já na Porto Seguro, os seguros Auto e Residencial Premium e Private reforçam uma proposta de proteção personalizada, com coberturas inéditas e atendimento diferenciado como atributo central de valor.
A transformação digital segue como outro pilar estruturante. O App da Porto, que já reúne mais de 4,2 milhões de usuários e mantém avaliação de excelência nas lojas de aplicativos, centraliza seguros e serviços financeiros, permitindo desde a abertura e acompanhamento de sinistros até a gestão de conta digital, cartão, consórcio e assistências 100% digitais.
A expectativa é seguir incorporando funcionalidades que ampliem conveniência e autonomia aos clientes.
Os riscos climáticos também ocupam posição estratégica na agenda da companhia. Com o aumento da frequência e da intensidade dos eventos extremos, o papel do seguro evolui para além da indenização, incorporando prevenção, antecipação de riscos e estímulo à resiliência.
A Porto mantém há anos um plano estruturado de resposta a eventos climáticos, com ações preventivas, emergenciais e pós-evento, além de coberturas amplas nos seguros Auto, Residencial, Empresarial e Condomínio, que incluem proteção contra alagamentos, desmoronamentos e danos elétricos.
Para as mulheres que aspiram a posições executivas, Patricia destaca três pilares fundamentais.
O primeiro é o aprendizado contínuo, impulsionado pela curiosidade e pela vivência em diferentes áreas do negócio. O segundo é o posicionamento claro, com coragem para se manifestar, defender ideias e contribuir ativamente para os rumos da organização.
O terceiro é a valorização do coletivo: ninguém constrói uma trajetória sozinho, e liderar de forma aberta e plural fortalece times, amplia perspectivas e gera impacto duradouro.
Na visão da executiva, cada mulher que chega a uma posição de liderança carrega também a responsabilidade — e a oportunidade — de abrir caminhos para outras.
É esse compromisso coletivo que transforma trajetórias individuais em avanços concretos para todo o setor de seguros.
Fonte: Sonho Seguro – Denise Bueno
