Embraer busca alternativa para joint venture na China
Enquanto comemora o desempenho de vendas da família de jatos comerciais Embraer 170/190 e dos jatos executivos Phenom, a Embraer olha com preocupação o desempenho da Embraer Harbin, joint-venture com a estatal China Aviation Industry Corporation II (AVIC). Desde que começou a operar, em 2003, a fábrica montada na cidade de Harbin fez apenas 18 aeronaves ERJ 145, todas comercializadas em território chinês.
O número é muito aquém da capacidade produtiva da unidade, que é de 24 jatos por ano. A carteira de pedidos da Embraer Harbin soma 46 unidades, todas da Grand China Express, e serão entregues até 2010. O ERJ 145 é um jato regional com 50 assentos. “A demanda por esse produto está menor do que a de aeronaves com 70 a 120 assentos”, disse o presidente da Embraer, Frederico Curado.
O acordo com a Harbin vence em 2010 e Curado não comentou se há negociações para a renovação da joint-venture. “Apenas buscamos novas encomendas”. O executivo descartou a implantação da linha Embraer 170-190 no local, pois o produto competirá com o jato que vem sendo desenvolvido pela própria AVIC. O ARJ-21 terá 90 assentos e as primeiras entregas ocorrem em 2009. Em 20 anos, segundo projeções da Embraer, a China vai adquirir até 170 aviões de 30 a 60 assentos, enquanto a demanda por jatos de 61 a 120 lugares será de 560 unidades.
Além da AVIC, a japonesa Mitsubishi e a russa Sukhoi também desenvolvem modelos que concorrem com os jatos brasileiros.
Boa parte do investimento previsto de US$ 1 bilhão pela Embraer até 2009 será usada para preparar os aviões para um novo patamar tecnológico, ocupar mais espaço no mercado e garantir sua liderança no segmento de jatos regionais. “A nossa vantagem no momento é que essas empresas vão demorar a lançar seus produtos no mercado”, disse Curado. Hoje, a carteira de pedidos da empresa ultrapassou os US$ 19 bilhões, o que garante uma boa folga diante dos eventuais concorrentes.
A Embraer comunicou que as companhias aéreas americanas Air Republic e JetBlue obtiveram, juntas, linhas de US$ 425 milhões com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para serem usadas ao longo de 2008. A empresa, porém, não revelou o volume de vendas do negócio. A direção da fabricante de jatos também não quis dar detalhes sobre o rumo das negociações com David Neeleman, dono do JetBlue, que pretende abrir uma companhia aérea no Brasil. Neeleman teria interesse em comprar até 60 aeronaves Embraer 190. “Não há nada de concreto”, disse Curado.
A empresa também espera ajuda do governo brasileiro para o desenvolvimento do cargueiro militar C-390, projeto que deve custar R$ 800 milhões. Para sair do papel, pelo menos dois terços do projeto devem vir dos cofres estatais. “É fundamental o envolvimento do governo para dar chancela ao produto. Só assim conseguiremos vende-lo a outros países”.
Para Antonio Luiz Pizarro Manso, vice-presidente financeiro, este ano é de recuperação. A meta é fazer a margem operacional subir de 5,3% para 9% este ano. A meta de faturamento para 2008 é de US$ 6,5 bilhões, subindo para US$ 7,1 bilhões em 2009. A desvalorização do dólar e os investimentos em produtividade tiveram impacto no desempenho financeiro da companhia, que fechou 2007 com lucro de R$ 657 milhões, 6,6% a mais em relação ao ano anterior. A receita líquida subiu 20%, totalizando R$ 9,9 bilhões.
Fonte: Valor