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Crise aumenta interesse de fundos por empresas do Brasil

A queda no valor de mercado de companhias brasileiras listadas em Bolsa já despertou o interesse dos fundos de “private equity”. O escritório de advocacia Lefosse, parceiro da banca internacional Linklaters, já foi procurado por sete fundos interessados em adquirir o controle dessas empresas após o agravamento da crise. Nos quatro estudos já concluídos, todos os fundos desistiram do negócio, que esbarra em cláusulas de “poison pill”.
O “poison pill” é um dispositivo incluído nos processos de IPO (oferta inicial de ações) para desencorajar aquisições hostis do controle da empresa, que, em geral, incluem um plano de direitos ao acionista.
Segundo Thiago Sandim, sócio do Lefosse, as empresas que despertaram o interesse dos “private equities” são dos setores imobiliário, de agronegócios e de bens duráveis. O perfil é de empresas do Novo Mercado, que abriram o capital recentemente e que sofreram uma desvalorização forte nos ativos.
Para ele, o “poison pill” se tornou um entrave para as companhias em meio à crise. Com dificuldade de captar recursos no sistema de crédito bancário e no mercado de capitais, as companhias também fecharam uma oportunidade para receber aporte de capital de fundos de “private equity”.
Sandim cita como exemplo algumas cláusulas de “poison pill” que obrigam o comprador de mais de 50% das ações ordinárias (com direito a voto) a adquirir todas as ações da empresa por montantes que podem chegar, em casos extremos, a 150% do valor de mercado.
“Os fundos têm dinheiro e veem ativos baratos para comprar. Mas quando olham a parte jurídica descobrem que os ativos na verdade são caros porque há um dispositivo legal que faz com que eles custem mais”, afirma.
A única forma de contestar o conteúdo do “poison pill” é com um contencioso judicial na Câmara de Arbitragem do Mercado, diz Sandim. Em alguns casos, as empresas colocaram na cláusula a possibilidade de ela ser excluída por assembleia geral dos acionistas, mas, segundo Sandim, são exceções.
“Quando ficam sabendo do “poison pill”, os investidores desistem. Ninguém quer colocar dinheiro em um negócio para depois aguardar uma decisão que permitirá ou não a ele concluir a operação

Fonte: Folha de São Paulo

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