Mercado de Seguros

Avança o uso da previdência como garantia de crédito

A Núclea deu um passo decisivo para transformar a relação dos brasileiros com seus investimentos de previdência privada e títulos de capitalização. Segundo informações do Valor Econômico, a empresa criou uma infraestrutura inédita que conecta instituições financeiras e seguradoras, permitindo que consumidores utilizem esses produtos como garantia em operações de crédito. A novidade tem potencial para liberar mais de R$1 trilhão em colaterais para o sistema bancário.

De acordo com o Valor Econômico, o sistema já está em operação desde o início deste mês e muda a lógica que vigorava até então. Antes, só era possível usar previdência ou capitalização como garantia quando o crédito era solicitado na mesma instituição detentora do produto. Com a nova plataforma, o cliente passa a ter liberdade para buscar crédito em outros bancos sem precisar transferir seus recursos, ampliando a concorrência e permitindo negociações mais vantajosas.

Rodrigo Furiato, vice-presidente de negócios da Núclea, explicou ao Valor que as primeiras instituições a aderir ao sistema foram justamente aquelas que já ofereciam essa modalidade internamente. “Quem priorizou a entrada em operação foram as instituições que já faziam isso dentro de casa, e o que a gente tem visto agora é que elas estão começando a olhar para recursos que estão em outros bancos”, afirmou.

Ele também destacou ao jornal que o avanço desse mercado depende de uma mudança cultural. Segundo Furiato, os recursos já estão disponíveis, mas ainda é necessário que tanto as instituições financeiras compreendam plenamente essa nova possibilidade: “Os recursos já estão disponíveis, a gente entende que agora é mais um processo, tanto dos financiadores, para entender que tem essa possibilidade, quanto das próprias pessoas físicas entenderem que elas podem botar o crédito em outras instituições e não só na instituição que ela tem os recursos.”

O Valor Econômico também reforça que essa modalidade tende a reduzir o custo do crédito, ao substituir empréstimos tradicionais por operações com garantia real. Para o cliente, pode ser mais vantajoso usar a previdência como colateral do que resgatar o investimento em uma emergência, já que os resgates antecipados sofrem incidência tributária significativa.

A iniciativa da Núclea nasce após uma resolução conjunta do Conselho Monetário Nacional (CMN) e do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), publicada em setembro do ano passado, que regulamentou o uso de produtos de previdência, seguros e capitalização como garantias. O Valor destaca ainda que a regulação exige a participação de uma empresa de infraestrutura de mercado financeiro para conectar as instituições bancárias e seguradoras envolvidas. A B3, conforme também noticiado pelo jornal, lançou seu próprio sistema no início do mês, mostrando que o setor se movimenta rapidamente.

A novidade aproxima ainda mais os mundos de crédito, previdência e seguros, abre espaço para o uso mais inteligente dos investimentos de longo prazo e cria novas oportunidades para quem atua no mercado, especialmente corretores que desejam ampliar seu papel consultivo junto aos clientes.

Fonte: Valor Econômico

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