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Novatas alcançam 60% do mercado de resseguro

Na Austral, da Vinci Partners, a remuneração variável dos
executivos garantiu o equilíbrio entre receitas e despesas no primeiro
ano, diz Bruno Freire
A lei da oferta e demanda tem sido sentida na pele por empresas de
resseguro. Após cinco anos do fim do monopólio estatal, o setor atraiu
mais de 100 companhias nacionais e estrangeiras, que inundaram o mercado
de capacidade de absorção de risco.
De 2007 para cá, a receita do segmento dobrou e as “novatas”
conquistaram 60% do mercado. Os outros 40% são do IRB-Brasil Re, que
deteve o monopólio por 69 anos e agora está no fim de um processo de
desestatização.
A maturidade desse mercado tem levado ao aumento do volume das
indenizações pagas, como observado no ano passado. A sinistralidade das
resseguradoras em 2012 (percentual do valor do seguro usado para pagar
indenizações) subiu para 90%, ante 60% um ano antes. Isso ocorreu porque
as variáveis da equação avançaram em ritmos diferentes: o volume de
indenizações (numerador) cresceu mais que a receitas (denominador), uma
vez que a concorrência acirrada tem pressionado as taxas cobradas dos
clientes.
Nesse cenário, as companhias precisam se diferenciar para serem
rentáveis e já há quem fale em fusões. “O mercado tende à consolidação
no futuro, pois o seu tamanho não resiste a tantos concorrentes no longo
prazo”, avalia André Gregori, sócio e chefe da área de seguros e
resseguros do BTG Pactual. O banco iniciou sua operação de seguros e
resseguros este ano. A seguradora é focada em seguros para projetos de
infraestrutura e a resseguradora, num primeiro momento, só operará com a
seguradora do grupo (cativa).
A Austral, da gestora Vinci Partners, aposta na eficiência e na
exploração de nichos de mercado. Tanto a resseguradora quanto a
seguradora do grupo não só atingiram o “break even” (ponto de equilíbrio
entre custos e despesas da operação) no primeiro ano como apresentaram
lucro, o que não é comum no começo da operação, por conta do grande
volume de reservas que precisam ser constituídas. “Somos eficientes em
termos de custos”, diz Bruno Freire, diretor-executivo da Austral
Resseguradora. Ele conta que a companhia usa o modelo da Vinci em que os
executivos são sócios do negócio e que a remuneração variável é mais
relevante que a fixa. “Muitos começam a operação com custo alto para
compor a equipe. Nós usamos esse modelo com uma equipe enxuta”, afirma.
Segundo Paulo Botti, diretor presidente da Terra Brasis Re, o mercado
precisa buscar eficiência operacional para ter resultados sustentáveis
no longo prazo. Ele observa que, apesar do aumento da sinistralidade no
ano passado, as resseguradoras apresentaram bons resultados.
Isso aconteceu porque as companhias tiveram resultados positivos da
chamada retrocessão de resseguro. Para minimizar os riscos, algumas
delas repassam parte deles para resseguradoras no exterior, assim como
parte do prêmio (o que é chamado de retrocessão). Quando há um sinistro,
as resseguradoras pagam a indenização de forma proporcional. O
resultado positivo de retrocessão ocorre quando a resseguradora que
cedeu o risco pagou um prêmio menor do que a indenização que recebeu no
caso do sinistro. “É como se você batesse o carro e desse perda total. O
valor que você pagou pelo seguro é menor do que o que você vai receber
pelo dano. Isso gera um resultado positivo”, explica Botti. “Mas isso
não é sustentável no médio prazo, porque as resseguradoras lá fora vão
registrar perdas e parar de fazer negócios com as locais.”
A Terra Brasis, do banco de investimento Brasil Plural, está operando
desde novembro do ano passado e até maio faturou R$ 13 milhões em
prêmios de resseguro. A meta é fechar este ano com R$ 40 milhões em
receita.
Em termos de produtos, a Austral Re busca linhas de negócios em que
falta sofisticação no mercado local, caso de seguros de vida e para o
setor agrícola, segundo Freire. “Temos cobertura não só para queda da
produção, mas também para queda da receita, seja por menor produção ou
preço da commodity”, exemplifica.
A seguradora da Austral também tem entrado em novas áreas, como a de
riscos de petróleo. “É um mercado que movimenta R$ 450 milhões em
prêmios de seguros por ano e está concentrado em apenas cinco
seguradoras”, diz Carlos Frederico Ferreira, diretor executivo da
Austral Seguradora.
A área de vida está no foco da Swiss Re. “Estamos investindo em vida e
saúde, áreas em que estávamos parados na América Latina”, diz Margo
Black, presidente da Swiss Re Brasil. A companhia foi uma das primeiras a
oferecer tele subscrição para seguro de vida, serviço em que
profissionais da área da saúde entrevistam o cliente por telefone para a
análise de risco. A Austral Re também oferece esse serviço.
Entre as resseguradoras locais que começaram a operar no último ano, a
AGCS, do grupo Allianz, tem como estratégia fazer apenas resseguro de
riscos individuais (conhecidos como riscos facultativos) e não de
contratos. As seguradoras fazem contratos com as resseguradoras em que
podem colocar de forma automática, até um limite, os riscos de sua
carteira. Acima desse teto e para riscos maiores são feitos contratos
facultativos, específicos para uma grande obra, por exemplo.
“Dentro disso, nosso carro chefe tem sido vender coberturas para as
multinacionais brasileiras, que precisam de cobertura em outros países
da América do Sul onde temos licença para operar”, diz o presidente da
AGCS Brasil, Ângelo Colombo.
No Brasil existem três modalidades de resseguradoras: local (que
constitui sociedade no Brasil, com capital base de no mínimo R$ 60
milhões, e tem reserva garantida de 40% do mercado), admitida (empresa
com sede no exterior, mas com escritório de representação no país, com
capital mínimo de US$ 5 milhões) e eventual (que precisa apenas de
cadastro junto à Susep para atuar). Hoje, são 14 locais e pouco mais de
90 admitidas e eventuais.

Fonte: Valor

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