Demanda externa e planos de investimento elevam confiança da indústria
GIULIANA VALLONEda Folha Online
O Índice da Confiança da Indústria brasileira ultrapassou a marca dos 100 pontos –que indica otimismo– pela primeira vez no ano, fechando agosto em 105,7. O nível é o mais alto desde setembro de 2008, mês que marcou o agravamento da crise mundial, e está acima da média histórica, de 99,2 pontos.
“Tivemos um ICI bastante favorável, que sinaliza a recuperação do nível de atividade no país”, afirmou Aloisio Campelo, coordenador de sondagens conjunturais do Ibre-FGV. “A confiança da indústria já ultrapassou a média histórica, sinalizando satisfação e otimismo moderados.”
O índice calculado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) mostra o primeiro sinal de recuperação da demanda externa e também na confiança do setor de bens de capital, que sinaliza o investimento produtivo no país e foi o mais afetado pela turbulência econômica.
O segmento registrou alta de 10,9% no ICI neste mês, a maior elevação entre os quatro setores de produção. Apesar disso, a confiança da indústria de bens de capital ainda apresenta queda de 38,3% desde setembro de 2008.
Campelo ressalta, porém, que a elevação em agosto é positiva. “Há uma sinalização de que o setor está realmente saindo do fundo do poço. Os indicados ainda são fracos, mas já há indicação de uma recuperação maior”, disse.
A confiança do setor de bens de consumo subiu 4,8% no período, enquanto a das produtoras de bens intermediários teve alta de 6,6%. O único segmento com queda no ICI em agosto foi o de materiais de construção, com -2,8%.
Mesmo com o desempenho positivo, nenhuma das categorias de uso já retornou aos níveis de confiança pré-crise.
Demanda
O ICI é composto por dois indicados, o ISA, que mede a satisfação dos empresários com a situação atual da indústria, e o IE, que mede as expectativas para o futuro. O ISA subiu 6,2% em agosto, para 107,4 pontos.
O destaque do indicador foi o aumento de 30,5% no nível de demanda global, puxado por uma recuperação de 18% na opinião da indústria a respeito do mercado externo. O indicador subiu de 71,1 pontos em julho para 83,9 em agosto.
A alta foi puxada por elevações expressivas nos gêneros de metalurgia, celulose e papel, mecânica e vestuário e calçados. Para Campelo, o indicador mostra que “houve uma recuperação dos mercados para quem o Brasil exporta”.
O indicador de demanda interna subiu 7,7%, para 110 pontos, mantendo a tendência de alta registrada desde fevereiro deste ano.
No caso do IE, a alta também foi de 6,2%, para 104 pontos. Foi a primeira vez desde outubro que o índice ficou acima da média histórica, de 98,4 pontos.
Utilização da capacidade
Outro destaque da pesquisa da FGV foi a alta de 1,5% no nível de utilização da capacidade instalada da indústria em agosto, para 81,3. O índice ficou próximo da média histórica, de 82,2, e é o maior desde dezembro de 2008.
De acordo com Campelo, a alta é resultado de uma estagnação na capacidade instalada e de um aumento na produção da indústria, que já normalizou os níveis de estoques. “No quarto trimestre o NUCI deve retornar à média histórica”, disse.
O coordenador da FGV ressaltou que, apesar do otimismo generalizado no ICI, os indicadores que medem o sentimento dos empresários em relação ao futuro ainda estão avançando “muito lentamente”.
Isso se deve, segundo ele, à demora na recuperação da rentabilidade dos setores. “Embora a queda nos juros e a volta do crédito ajudem, os preços externos caíram muito, e o dólar não compensou isso. Então a indústria ainda não recuperou sua lucratividade”, afirmou.
“A recuperação está começando a se consolidar, mas há uma moderação na confiança. Os sinais, porém, estão todos no sentido favorável”, disse. Ele comentou a alta de 2,2% na produção industrial de julho, divulgada nesta segunda-feira pelo IBGE, e afirmou que o ICI sinaliza uma nova alta forte em agosto.
Fonte: Folha de São Paulo
