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Petrobras estuda estender apólice bilionária

Segue indefinido o processo de renovação da apólice bilionária dos riscos operacionais da Petrobras. Um executivo do mercado segurador que acompanha de perto as negociações contou à Gazeta Mercantil que a petrolífera trabalha em parceria com a Itaú XL, seguradora emissora do contrato em vigência, para estender a atual cobertura por mais seis meses.
O maior obstáculo para a conclusão da transação é a dificuldade de a estatal encontrar capacidade financeira de resseguro (que oferece garantia ao patrimônio segurado pelas seguradoras) tanto entre as mais de 50 empresas cadastradas no mercado brasileiro como de resseguradores internacionais. “É uma forma de ganhar tempo e não correr o risco de ficar descoberta”, diz a fonte, solicitando sigilo. Nos próximos dias, a estatal anunciará o formato da concorrência, a primeira num ambiente aberto à participação de empresas privadas.
Segundo Gustavo Mello, sócio da Correcta Seguros e professor da Funenseg, a Petrobras não deverá incorrer no mesmo erro da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que, por conta de um histórico de grandes sinistros e brigas na Justiça, desde o início do ano opera sem seguro em algumas áreas. “A Petrobras tem uma área de risco estruturada e não faz parte de sua característica ficar descoberta. Há também a complicação de justificar na licitação um eventual aumento no preço do seguro por causa da situação internacional.” Para ele, a extensão da apólice atual com a Itaú XL é uma decisão de emergência “para fugir” da licitação. “As duas empresas vão negociar um prêmio maior, que garantirá a cobertura dos riscos”, opina.
Consultada, a petrolífera não respondeu às questões enviadas pela reportagem. “No momento a Petrobras está analisando as opções e ainda não há definição”, informa nota da assessoria de imprensa. Ontem, a empresa publicou o relatório anual de 2008, cujo principal destaque da área de gerenciamento de riscos é o aumento de 28,5% do total dos ativos segurados em relação a 2007, passando de US$ 47,7 bilhões para US$ 61,3 bilhões. O total gasto com prêmios de seguros no período subiu de US$ 26,2 milhões para US$ 27,9 milhões, desempenho que representa redução de 17% em relação ao total segurado. Isso sugere que a companhia teve que ampliar a franquia de seguros, ou seja, a parcela que assume do risco, que pode chegar a US$ 50 milhões. Para os riscos no exterior, a Petrobras constituiu seguradora cativa Bear Insurance, baseada nas Bermudas. A Itaú XL não se pronunciou.
Incapacidade geral
O especialista Gustavo Mello conta que o problema da Petrobras se estende a outros ramos, destacando que “está difícil” fazer a renovação de US$ 3 milhões de três aeronaves de pequeno porte. “A crise de crédito afetou o fechamento de negócios em várias áreas. A solicitação de resseguro bate em Londres e volta”, avalia.
O diretor-presidente da Mapfre Re do Brasil, reforça a falta de recursos em caixa dos resseguradores no Brasil e no exterior para justificar a renovação da apólice de riscos operacionais da petrolífera. “O mercado de resseguro sofreu muito com as perdas nas plataformas no Golfo do México por causa dos furacões Gustav e Ike. Nem mesmo o Tesouro Nacional, via IRB-Brasil Re, tem capacidade necessária para assumir os riscos da Petrobras.”

Fonte: Gazeta Mercantil

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