Um ano mais que bom
O ano foi mais que bom, foi rico. E não foi rico apenas porque a economia cresceu e, conseqüentemente, as empresas de seguros, previdência privada aberta, planos de saúde privados e capitalização cresceram. O ano foi particularmente importante porque ao longo dele aconteceram fatos diretamente ligados ao setor que já tiveram, estão tendo e ainda terão muita repercussão.
O ano começou acelerado, com a promulgação da lei complementar 126/07, que, logo em janeiro, acabou com o monopólio do resseguro. Curiosamente, ele termina com a regulamentação dessa lei, o que faz com que 2008 também já comece acelerado pela necessidade de adequações indispensáveis para as resseguradoras interessadas começarem as operações no País.
Não é pouca coisa. Principalmente se lembrarmos que durante todo o governo Fernando Henrique o País não conseguiu essa abertura, obrigando a atividade seguradora a operar com freio puxado, ainda que tendo um enorme potencial de crescimento.
Ao longo de 2007, muita gente, inclusive eu, não acreditou que a regulamentação das operações de resseguros seria baixada em tempo para estar em vigor já a partir do começo de 2008.
Mas as regras foram tempestivamente colocadas em audiência pública e, o que é mais positivo, vieram bastante bem elaboradas, prometendo um desenrolar harmônico para as mudanças de paradigma que a atividade viverá durante o ano que vem.
Claro que houve e ainda haverá reclamações, afinal, elas fazem parte do jogo. Mas, grosso modo, todos os interessados estão satisfeitos com o novo cenário e muito provavelmente, ainda no primeiro semestre, possamos assistir à entrada em campo das primeiras resseguradoras locais e admitidas que passarão a disputar mercado com o IRB.
De outro lado, 2007 foi o ano da reformulação da representatividade legal e institucional dos vários segmentos que compõem a chamada atividade seguradora. No lugar da tradicional Fenaseg, encarregada de representar as seguradoras, as empresas de previdência privada aberta, as seguradoras de saúde privada e as empresas de capitalização, foram criadas quatro federações específicas, cada uma delas criada para representar de forma mais eficiente seu segmento econômico.
Ao mesmo tempo, a Fenaseg, visando a aumentar a abrangência das atribuições legais e da representatividade política do setor, entrou num processo de transformação para federação, que deve ser concluído no começo de 2008.
Como se não bastasse, acaba de ser autorizado o funcionamento da Seguradora Líder de DPVAT. Substituindo o consórcio do seguro obrigatório, que era administrado diretamente pela Fenaseg, essa seguradora deve trazer transparência para um seguro social da maior importância, que até a sua criação não era bem compreendido pela sociedade.
Finalmente, e não menos importante, o aquecimento da economia brasileira como um todo tem um impacto extremamente positivo no faturamento de todos os envolvidos com a atividade seguradora.
Seguro é atividade de suporte. Não é um puxador direto da economia. Vale dizer, o setor cresce garantindo o funcionamento e o crescimento nacional. Na medida em que esse crescimento começou a se acentuar ao longo de 2007, os prêmios e contribuições também passaram a crescer durante o ano, prometendo um resultado mais que satisfatório para a atividade como um todo, inclusive na área dos planos de saúde privados, que, graças ao amadurecimento da ANS, vão superando as dificuldades e começam, dentro do possível, a encontrar um patamar de equilíbrio.
Por tudo isso, o almoço do último dia 12, no Rio de Janeiro, reunindo a Fenaseg, as quatro federações, autoridades da Susep e da ANS, além de expressivo número de líderes e executivos do setor, foi alegre e descontraído, mostrando o grande otimismo que anima a atividade.
Fonte: O Estado de São Paulo
